Autor: fernando

  • Da matricial à impressão 3D: por que cada impressora ainda tem seu lugar

    Tempo de leitura: 14 minutos

    Ooi turma, leitores dessa coisa aqui!!!

    Tem equipamento que a gente olha e pensa: “Mas isso ainda existe?”. A impressora matricial costuma entrar nessa lista. Basta ouvir aquele cabeçote trabalhando, com seu barulho de pequena obra em andamento, para lembrar dos formulários contínuos, das folhas com furinhos nas laterais e das pilhas de relatórios que pareciam não acabar nunca.

    Pois ela ainda existe. E, em determinados trabalhos, continua fazendo muito sentido. Assim como a jato de tinta, a laser, a térmica, as impressoras de fotografias e aquelas máquinas industriais que imprimem desde uma embalagem de biscoito até o lote na garrafa de refrigerante.

    E tem também a impressão 3D, que resolveu levar a expressão “tirar uma ideia do papel” um pouco mais a sério,aaa.

    Vamos entender como essas tecnologias funcionam, onde cada uma é útil e quando vale comprar uma — ou simplesmente contratar alguém para imprimir.

    Índice

    1. Tecnologia, formato e função: nomes que se misturam

    “Multifuncional”, “fotográfica” e “industrial” não descrevem, necessariamente, o mecanismo de impressão. Uma multifuncional reúne impressora, scanner e copiadora, podendo usar jato de tinta, laser ou outra tecnologia. Uma fotográfica é pensada para fotos. Uma industrial é construída para determinada rotina de produção.

    Também não é o tamanho que define tudo. Uma máquina enorme pode usar jato de tinta; uma pequena impressora de etiquetas pode trabalhar por transferência térmica. Primeiro precisamos saber como ela imprime; depois, em que material, tamanho e ritmo.

    Voltar ao índice

    2. Matricial: a barulhenta que ainda tem serviço

    A matricial de impacto usa pequenas agulhas que batem numa fita com tinta, pressionando-a contra o papel. Cada batida produz um ponto. A combinação desses pontos forma letras, números e desenhos. Cabeçotes com 9 ou 24 agulhas são exemplos conhecidos; a qualidade e a velocidade dependem do equipamento e do modo escolhido.

    É por isso que ela faz aquele barulho tão característico: existe uma ação mecânica de impacto acontecendo repetidamente. Não é a impressora reclamando do relatório, embora às vezes pareça.

    Formulário contínuo e várias vias não são a mesma coisa

    O formulário contínuo vem em folhas ligadas umas às outras, geralmente dobradas em sanfona. Os furos laterais se encaixam nos tratores que puxam e alinham o papel. Isso facilita trabalhos compridos, formulários previamente impressos e rotinas que precisam manter posições bem definidas.

    Já um formulário de várias vias reúne camadas que recebem a informação por pressão, usando papel autocopiativo ou carbono. O impacto permite preencher o original e suas cópias na mesma passagem, dentro do limite de espessura e de vias da impressora.

    Uma folha contínua pode ter só uma via; um formulário de várias vias também pode ser uma folha avulsa. E existem outras tecnologias industriais que trabalham com papel em bobina: imprimir em papel contínuo não é exclusividade da matricial.

    Onde ela ainda é vantajosa?

    Em alguns escritórios de contabilidade e empresas que mantêm formulários contínuos, documentos com várias vias ou sistemas antigos, a matricial continua tendo uma função prática. Também aparece em rotinas de logística, atendimento e produção. Não significa que toda contabilidade precise dela: depende do processo que ainda está em uso.

    Uma laser consegue imprimir várias cópias em folhas separadas, mas não preenche por impacto as camadas de um formulário autocopiativo de uma só vez. A diferença está aí.

    Vale comprar quando: o sistema, o formulário ou a necessidade de vias simultâneas justificam essa tecnologia. Confira largura do carro, quantidade de vias, ajuste de espessura, interfaces e disponibilidade de fitas e manutenção.

    Limitações: ruído, acabamento menos refinado e desempenho pouco atraente para fotografias ou páginas cheias de gráficos. Ela pode custar mais que uma impressora doméstica moderna justamente por ser um equipamento especializado.

    Voltar ao índice

    3. Jato de tinta: gotas, fotografias e tanques

    A jato de tinta lança gotículas minúsculas sobre o papel. Controlando onde cada gota cai e combinando cores, forma textos e imagens.

    Há duas formas bastante usadas de expulsar essas gotas: um pequeno aquecimento cria uma bolha que empurra a tinta, ou um elemento piezoelétrico muda de forma ao receber um sinal elétrico e provoca a ejeção. Portanto, nem toda jato de tinta aquece a tinta para imprimir.

    Cartucho e tanque: muda o abastecimento

    A impressora com tanque continua sendo uma jato de tinta. A diferença principal está no armazenamento e no abastecimento: reservatórios maiores recebem tinta de frascos, enquanto os modelos com cartucho usam recipientes substituíveis.

    Cartuchos podem permitir uma compra inicial mais barata, mas o preço por página pode pesar. Tanques costumam fazer mais sentido para quem imprime com regularidade e quer diluir o custo do equipamento em muitas páginas. É preciso comparar os modelos: a palavra “tanque” sozinha não garante a melhor compra.

    Por que ela é uma boa escolha para fotos?

    Modelos fotográficos, com tintas e papéis apropriados, conseguem reproduzir bem detalhes, degradês e tons de pele. Alguns usam mais cores além de ciano, magenta, amarelo e preto, ampliando as possibilidades de reprodução.

    Mas colocar papel fotográfico numa impressora básica não transforma automaticamente a máquina num laboratório. Papel, tinta, configuração e gerenciamento de cores influenciam bastante o resultado.

    Existem tintas corantes e pigmentadas, com características diferentes de cor, resistência e compatibilidade. Não há uma campeã universal: uma boa tinta pigmentada também pode ser usada em impressão fotográfica profissional. A escolha deve acompanhar o conjunto impressora, tinta e papel.

    Vale comprar quando: você imprime materiais coloridos, trabalhos escolares, ilustrações ou fotografias com alguma frequência. Um tanque também pode ser muito econômico para documentos, inclusive em preto.

    Limitações: períodos longos sem uso podem favorecer ressecamento e entupimento dos jatos. Limpezas consomem tinta, e alguns modelos têm caixas de manutenção que precisam ser substituídas. Siga o manual para uso e armazenamento; ficar meses parada não é uma condição ideal para toda jato de tinta.

    Quem imprime pouquíssimo deve fazer a conta com calma. Às vezes, a impressora fica tão desocupada que, quando finalmente ganha serviço, precisa primeiro de uma sessão de manutenção,aaa.

    Voltar ao índice

    4. Laser e LED: o território dos documentos

    A laser usa um processo chamado eletrofotografia. Um tambor fotossensível recebe carga elétrica, e o laser altera essa carga em pontos específicos, criando o desenho da página. O toner, um pó muito fino, é atraído para as áreas correspondentes e transferido ao papel. Por fim, o fusor aplica calor e pressão para fixá-lo.

    O laser não sai queimando as letras diretamente na folha. Ele participa da formação da imagem no tambor; a fixação acontece depois.

    Nas impressoras LED, uma fileira de LEDs faz a exposição do tambor. O princípio geral de impressão com toner continua parecido. O LED também não substitui o fusor: iluminar o tambor e fixar o toner são etapas diferentes.

    Por que ela combina tanto com escritório?

    Textos nítidos, boa velocidade em lotes e facilidade para produzir muitos documentos fazem dessa família uma escolha frequente para escritórios, escolas e outros locais com bastante papel para imprimir.

    Como não trabalha com tinta líquida nos bicos de um cabeçote, não enfrenta o mesmo problema de ressecamento dos jatos. Isso pode favorecer quem imprime documentos de forma irregular, embora toner e demais componentes também tenham condições de armazenamento e manutenção.

    Existem modelos monocromáticos e coloridos. Uma laser colorida pode produzir ótimos relatórios, apresentações e folhetos. Para fotografias com acabamento e papéis específicos, uma boa jato fotográfica ou uma sublimação costuma ser mais interessante.

    Vale comprar quando: o principal trabalho é imprimir documentos, especialmente em preto, ou produzir lotes com rapidez. Frente e verso automático, rede e alimentador do scanner podem valer mais que uma pequena diferença na velocidade anunciada.

    Limitações: toner colorido pode pesar no orçamento. Dependendo do modelo, tambor, correia de transferência e fusor são itens separados. E o papel precisa ser compatível com impressão a laser: um revestimento ou adesivo inadequado pode não suportar o calor.

    Voltar ao índice

    5. Térmica: cupons, etiquetas e duas tecnologias diferentes

    A térmica costuma trabalhar discretamente no caixa do mercado, na emissão de senhas e na impressão de etiquetas. Dentro dessa família, duas tecnologias merecem ser separadas.

    Térmica direta

    O cabeçote aquece pontos de um papel ou etiqueta com revestimento sensível ao calor. Essas áreas escurecem e formam a impressão. Não é preciso cartucho de tinta, toner ou fita de transferência.

    É uma solução prática para cupons, senhas e muitas etiquetas de transporte. O cuidado está na conservação: calor, luz e certos produtos químicos podem escurecer o material ou prejudicar a legibilidade. A durabilidade varia conforme a mídia e as condições de uso.

    Para documentos que precisam ser conservados por bastante tempo, não convém confiar apenas naquele papelzinho térmico. Digitalizar ou fazer uma cópia adequada pode evitar a futura leitura de uma folha que resolveu esquecer o que estava escrito.

    Transferência térmica

    Aqui o cabeçote aquece uma fita, chamada ribbon, e transfere seu material de impressão para a etiqueta. Existem fitas de cera, resina e combinações, escolhidas conforme o material e a resistência necessária.

    Com a combinação correta de fita e etiqueta, essa tecnologia atende aplicações que exigem maior durabilidade, como identificação de patrimônio, produtos, cabos e materiais sujeitos a condições mais difíceis.

    Vale comprar quando: há uma rotina de cupons ou etiquetas. Para a escolha, considere largura, volume, resolução, software e duração necessária da impressão. Um código de barras que sai bonito, mas deixa de ser lido durante o uso, não cumpriu seu trabalho.

    E aquela história do frio?

    Já falamos desse assunto no artigo Som no Congelador: os instrumentos musicais e equipamentos feitos para o frio extremo. A térmica pode ser útil em ambientes refrigerados, mas isso depende do modelo e da mídia. Impressora, bateria, etiqueta e adesivo precisam suportar as condições de operação.

    Ou seja: “térmica” descreve como ela imprime. Não é uma autorização para largar qualquer modelo dentro do congelador.

    Voltar ao índice

    6. Sublimação: fotografias, camisetas e canecas

    Nas impressoras fotográficas por sublimação de corante, o calor transfere o corante de uma fita para um papel preparado para recebê-lo. A reprodução em diferentes intensidades permite boas transições de cor; certos sistemas também aplicam uma camada de proteção.

    São comuns em fotografias pequenas e na entrega de fotos em eventos. Os kits de papel e fita ajudam a prever o custo por fotografia, mas os tamanhos e os consumíveis costumam ser específicos.

    Vale comprar quando: você quer produzir fotos nos formatos atendidos pelo equipamento, com uma rotina que justifique os kits. Para ampliar só algumas fotografias por ano, um laboratório pode sair mais vantajoso.

    A sublimação de tecidos e objetos

    Na personalização, é comum uma jato de tinta com tinta sublimática imprimir num papel de transferência. Depois, uma prensa aplica calor e pressão, transferindo a imagem para poliéster ou para a superfície de um objeto com revestimento apropriado, como certas canecas.

    Não basta pegar qualquer camiseta, qualquer caneca e a tinta que estava sobrando na gaveta. Material, revestimento, tinta e temperatura precisam combinar.

    Vale comprar quando: existe demanda por produtos compatíveis com sublimação e estrutura para preparação e prensagem. O investimento inclui a prensa e os insumos, além da impressora.

    Outros processos atendem necessidades diferentes: o DTG imprime diretamente na peça de roupa; o DTF imprime num filme que será transferido ao tecido. Eles também exigem tintas, equipamentos e etapas próprias.

    Voltar ao índice

    7. Grande formato e plotters: quando a folha fica pequena

    Plantas de arquitetura, mapas, cartazes, banners e adesivos precisam de equipamentos que aceitem materiais maiores, muitas vezes em rolo. Uma parte importante dessas impressoras usa jato de tinta, com sistemas de tinta e alimentação adequados ao trabalho.

    Um equipamento para plantas e desenhos técnicos não é automaticamente a escolha certa para lonas expostas ao tempo. Impressão fotográfica, sinalização externa e produção de adesivos têm exigências diferentes.

    A palavra plotter também merece cuidado: foi associada aos traçadores que desenhavam com canetas, mas passou a aparecer em diferentes equipamentos. Uma plotter de recorte usa uma lâmina para cortar o material; não precisa imprimir. Existem máquinas que combinam impressão e recorte.

    Vale comprar quando: um escritório técnico, gráfica ou empresa de comunicação visual tem demanda recorrente. Para uma planta ou um banner ocasional, contratar o serviço costuma ser mais sensato que reservar metade de um cômodo para a máquina.

    Voltar ao índice

    8. Impressoras Braille: informação que se lê com os dedos

    Não dava para deixar essa turma de fora! A impressora Braille forma pontos em relevo no papel por ação mecânica. Em vez de construir uma imagem para os olhos, produz informação que pode ser lida pelo tato.

    Conforme o modelo, pode imprimir em um lado ou nos dois lados da folha, além de produzir gráficos táteis. Alguns equipamentos combinam relevo e impressão em tinta.

    É necessário preparar e revisar o conteúdo para Braille. Não basta escolher uma “fonte Braille” no editor e mandar imprimir numa laser: os pontos precisam ter relevo, e a transcrição precisa seguir as convenções adequadas.

    Vale comprar quando: escolas, bibliotecas, centros de produção acessível ou leitores têm demanda que justifique o investimento. Avalie qualidade dos pontos, papel aceito, ruído, software de transcrição, manutenção e acessibilidade do painel. Para trabalhos esporádicos, recorrer a um serviço de produção Braille pode ser uma alternativa.

    Voltar ao índice

    9. Impressão 3D: aqui a impressão ganha volume

    A impressão 3D constrói um objeto a partir de um modelo digital, geralmente por camadas. Um programa prepara o modelo e define como a máquina vai produzir a peça.

    O nome lembra as impressoras de papel, mas aqui estamos falando de fabricação. E também há várias tecnologias:

    • Filamento, FFF ou FDM: um bico aquecido extruda material termoplástico e deposita camadas. É comum em protótipos, suportes, maquetes e projetos de hobby.
    • Resina, como SLA, DLP e MSLA: a luz endurece seletivamente uma resina líquida. O modo de iluminar varia; essas tecnologias são usadas quando detalhes e acabamento são importantes.
    • Pó, como SLS: um laser une partículas de um pó, geralmente polimérico, formando as camadas. Atende peças funcionais e geometrias mais complexas.
    • Metal: existem processos especializados, incluindo máquinas que fundem pó metálico com laser. Equipamentos, materiais e instalações pertencem a outra escala de investimento.

    Vale comprar quando: você desenvolve peças, faz protótipos ou quer aprender e produzir com frequência. Filamento costuma ser um ponto de entrada acessível; resina pode ser interessante para modelos detalhados. A escolha depende do objeto e de suas exigências.

    Limitações: a peça pode precisar de suportes, limpeza, cura ou acabamento. Resina líquida exige cuidados de manuseio; materiais e produtos de limpeza têm instruções próprias de proteção e ventilação. Também entram na conta tentativas que falham, tempo de preparação e manutenção.

    Uma peça impressa não ganha resistência adequada só porque ficou bonita. Material, orientação das camadas e projeto importam. Para poucas peças, ou para materiais industriais, contratar um serviço pode ser a melhor escolha.

    E não, ela não imprime um computador completo só porque alguém colocou o arquivo de uma caixa de computador na internet. Ainda temos que fornecer os componentes,aaa.

    Voltar ao índice

    10. Impressoras industriais: da esteira à gráfica

    “Industrial” cobre máquinas bem diferentes. Algumas imprimem a arte de uma embalagem; outras acrescentam data, lote ou número de série quando o produto já está passando na linha de produção.

    Jato de tinta na esteira

    No jato de tinta contínuo, ou CIJ, a tinta circula num fluxo de gotas. Gotas selecionadas recebem cargas e são desviadas por um campo elétrico para formar a marca; as não utilizadas retornam ao sistema. A impressão acontece sem o cabeçote encostar no produto.

    Essa tecnologia aparece em garrafas, latas, cabos e muitas embalagens. Em sistemas de gotas sob demanda, ou DOD, a tinta é liberada quando há algo a imprimir. Existem diferentes implementações, inclusive para marcar caixas.

    Um detalhe: CIJ não é o mesmo que “tanque de tinta” doméstico. Os nomes podem sugerir um parentesco maior do que realmente existe no funcionamento.

    Impressão UV e marcação a laser

    Impressoras UV podem aplicar tinta sobre objetos e materiais rígidos, usando luz ultravioleta para curá-la. São usadas em personalização, sinalização e trabalhos que exigem imprimir em superfícies diferentes do papel comum. A compatibilidade e a aderência precisam ser verificadas.

    Já a marcação industrial a laser altera a superfície ou seu revestimento para criar uma identificação. Ela tem funcionamento diferente da impressora laser de escritório, que usa tambor e toner. “Laser” no nome não significa que as duas façam a mesma coisa.

    Offset, flexografia e rotogravura

    Nas gráficas e fábricas de embalagens, outros processos continuam fortes:

    • Offset: a imagem passa de uma chapa para uma superfície de borracha, a blanqueta, e dela para o material. É muito usado em livros, revistas e impressos comerciais.
    • Flexografia: utiliza uma matriz flexível com a imagem em relevo para transferir tinta. É comum em rótulos, embalagens e papelão.
    • Rotogravura: utiliza cilindros com pequenas células gravadas que recebem tinta e a transferem ao material. Tem aplicações importantes em grandes tiragens, especialmente de embalagens.

    Preparar chapas, matrizes ou cilindros custa tempo e dinheiro. Em trabalhos repetitivos e volumes adequados, essa preparação pode ser diluída na produção. Para pequenas tiragens ou páginas que mudam a cada cópia, a impressão digital por toner ou jato de tinta pode ser mais vantajosa. A escolha depende do trabalho, não de uma quantidade mágica que valha para todas as gráficas.

    Até a impressão por impacto tem versão industrial

    As matriciais de linha usam bancos de pequenos martelos para imprimir fileiras de pontos. Continuam sendo oferecidas para determinadas rotinas de produção, logística e sistemas empresariais, inclusive com recursos para receber formatos modernos.

    Vale comprar uma industrial quando: a demanda, a linha de produção e a estrutura justificam o investimento. Aqui entram testes com o produto real, integração com os sistemas, treinamento e assistência. Uma máquina parada pode parar também o trabalho de outras pessoas.

    Para quem só quer imprimir as embalagens de um pequeno lote, pedir orçamento a um fornecedor especializado é um bom começo. A máquina certa para uma fábrica não precisa virar um eletrodoméstico na nossa sala.

    Voltar ao índice

    11. Qual faz sentido para cada uso?

    Este quadro serve como ponto de partida. A decisão final depende do modelo, do volume e do resultado esperado.

    Tipos de impressoras e situações em que merecem ser considerados
    Necessidade Opção a considerar O que conferir
    Documentos principalmente em preto Laser ou LED monocromática; jato com tanque se o uso regular justificar Custo total, frente e verso e volume
    Materiais coloridos com uso frequente Jato com tanque ou laser colorida Papel, acabamento e consumíveis
    Fotografias Jato fotográfica ou sublimação fotográfica Tamanhos, tintas e papel apropriados
    Formulários com vias simultâneas por pressão Matricial de impacto Vias, espessura e compatibilidade com o sistema
    Cupons e etiquetas de uso curto Térmica direta Mídia, conservação e software
    Etiquetas que precisam durar mais Transferência térmica Combinação de fita, etiqueta e ambiente
    Plantas, banners e adesivos grandes Grande formato adequado à aplicação Largura, material e resistência necessária
    Textos e gráficos táteis Impressora Braille Relevo, transcrição e acessibilidade
    Protótipos e objetos Impressora 3D ou serviço especializado Material, acabamento e exigências da peça
    Impressão rara ou trabalho especializado ocasional Serviço de impressão Preço, prazo e qualidade da amostra

    Voltar ao índice

    12. Antes de comprar: faça a conta inteira

    O preço na etiqueta é só o começo. Uma comparação justa inclui suprimentos, papel, peças de manutenção e o tempo gasto cuidando do equipamento.

    Uma estimativa inicial do custo do suprimento por página é dividir seu preço pelo rendimento informado. Mas esse rendimento vem de condições de teste: fotografias, páginas muito preenchidas, tamanho dos trabalhos e limpezas podem mudar bastante o resultado real.

    Vale conferir:

    • Volume real: quantas páginas, etiquetas, fotos ou peças você costuma produzir? Veja o volume recomendado para o modelo, além do máximo anunciado.
    • Consumíveis: há tinta, toner, fita, papel e peças disponíveis com facilidade? Qual o custo do conjunto?
    • Funções úteis: frente e verso automático, scanner, alimentador de documentos e conexão de rede fazem diferença na sua rotina?
    • Compatibilidade: o equipamento funciona com seu sistema operacional e com o programa que vai comandar a impressão?
    • Assistência: existe suporte e manutenção acessível na sua região?
    • Resultado real: antes de uma compra profissional, peça uma amostra com seu arquivo e seu material.

    E a acessibilidade?

    Para quem usa leitor de telas, é bom verificar o instalador, as configurações, o programa do scanner e os avisos de erro. Também importa conseguir trocar papel e consumíveis e operar as funções necessárias sem depender de uma tela sensível ao toque.

    Wi-Fi não garante acessibilidade. Um aplicativo cheio de botões sem identificação pode transformar uma tarefa simples numa gincana. Se possível, teste o fluxo completo: instalar, imprimir, digitalizar e resolver uma falta de papel.

    Onde comprar?

    Para um modelo doméstico, compare lojas conhecidas e revendedores com garantia e suporte claros. Para Braille, impressão 3D profissional, grande formato ou produção industrial, fornecedores especializados podem ajudar com demonstração, instalação, treinamento e manutenção. O menor preço perde parte da graça se ninguém consegue colocar a máquina para trabalhar.

    Voltar ao índice

    13. Por que algumas ainda não morreram?

    Porque tarefas diferentes continuam existindo. A matricial resolve o impacto e as várias vias. A jato de tinta atende cores, fotos e documentos. Laser e LED dão conta de muitas rotinas de escritório. A térmica acompanha etiquetas e cupons. O Braille produz leitura tátil, e a impressão 3D fabrica objetos.

    Uma tecnologia pode perder espaço no uso geral e continuar valiosa numa aplicação específica. Também contam os sistemas já instalados, os materiais disponíveis, a manutenção conhecida e o custo de mudar todo um processo.

    Comprar a máquina mais nova só porque é mais nova pode acabar sendo uma forma bastante moderna de escolher errado.

    E, se a velha matricial continua entregando o formulário certo, com todas as vias e no lugar certo, talvez ela ainda tenha bastante trabalho antes da aposentadoria. Mesmo que anuncie cada página para o escritório inteiro,aaa.

    Um abraço, turma, e até a próxima aqui nessa coisa!!!

    Voltar ao índice

    14. Fontes e leituras complementares

    As referências abaixo incluem documentação técnica e explicações de fabricantes e fornecedores especializados. Páginas comerciais podem apresentar vantagens dos próprios produtos; aqui elas servem para conferir mecanismos, aplicações e cuidados, e não como um ranking de marcas.

    Primeiro, as fontes em português

    Depois, as fontes em outros idiomas

    Os links abaixo estão em inglês. Se você não tem prática com o idioma, use a opção de traduzir a página no navegador ou um tradutor de sua preferência. Nos PDFs, pode ser necessário usar um serviço que aceite documentos.

    Leitura relacionada aqui no blog: Som no Congelador: os instrumentos musicais e equipamentos feitos para o frio extremo.

    Voltar ao início do artigo

  • Correio Acessível: e-mail, CartaVox e algumas invenções para facilitar a vida

    Tempo de leitura: 5 minutos

    Olá, leitores dessa coisa aqui!

    Hoje vamos falar de e-mail. Sim, aquele lugar onde chegam as mensagens importantes, as conversas das listas, os boletos e as ofertas que aparentemente nunca ficam sem assunto, aaa.

    Estou apresentando o Correio Acessível, um cliente de e-mail para Windows que fomos construindo com atenção ao uso pelo teclado, aos leitores de telas e à vida de quem já tem suas cartas organizadas no CartaVox. A versão desta apresentação é a 2.8.1.

    A ideia foi juntar uma forma direta de ler e escrever mensagens com recursos atuais, sem obrigar quem usa o CartaVox a abandonar seu arquivo de cartas ou refazer toda a configuração. E, como costuma acontecer por aqui, o que começou pequeno foi ganhando mais algumas coisinhas pelo caminho. Algumas dezenas de coisinhas, talvez, aaa.

    De onde veio e como foi feito

    O CartaVox é uma referência de uso: aquela praticidade de trabalhar com as cartas pelo teclado e manter os arquivos por perto. O Correio Acessível foi escrito em C#, com .NET 10 e Windows Forms, e usa as bibliotecas MailKit e MimeKit para os protocolos de e-mail e os formatos das mensagens.

    A experiência de uso do CartaVox e a compatibilidade com o material que já temos orientam essa aproximação. A fala nativa e o corretor também seguem soluções que já vínhamos trabalhando no Diário Acessível.

    Compatibilidade com o CartaVox

    Essa parte mereceu bastante atenção. Quem tem anos de cartas guardadas não está muito interessado em ouvir: “Agora é só começar tudo de novo”. Nem eu, aaa.

    O Correio lê arquivos antigos do CartaVox, inclusive .car e .env, além de mensagens EML. Também tem um assistente para importar contas, com seleção das contas desejadas e aproveitamento das configurações disponíveis.

    As regras do CartaVox também entram nessa conversa. Elas podem ser importadas para organizar mensagens locais e aproveitadas nas contas IMAP, com opções para a conta atual ou para todas as contas. A importação evita repetir regras já importadas e informa os problemas encontrados, incluindo as contas das quais não conseguiu obter regras.

    É uma maneira de aproveitar o que já estava organizado, em vez de pedir que cada usuário reconstrua suas contas e suas regras na unha.

    Leitores de telas e fala nativa

    O programa foi pensado para trabalhar com NVDA, JAWS e Narrator, usando controles do Windows e navegação pelo teclado. A lista de mensagens apresenta informações como remetente, assunto, data e estado de leitura, e a navegação pelas setas usa os cabeçalhos já carregados, deixando a abertura da mensagem para quando ela for solicitada.

    Há também fala nativa, usando as vozes instaladas no Windows. Ao iniciar, se o Correio detectar um leitor de telas, deixa sua própria fala desligada. Quem quiser pode ligar ou desligar essa fala com F2, inclusive depois de abrir o programa.

    A intenção é evitar o coral involuntário: NVDA falando de um lado, fala nativa do outro, e a gente tentando descobrir qual dos dois leu o assunto, aaa. A fala própria também atende menus, controles e caixas de diálogo; nelas, Insert+B permite pedir a leitura.

    Escrita, HTML e corretor que apita

    Na criação de uma mensagem, você pode escolher texto puro ou HTML. Há recursos para anexos, links, imagens incorporadas, rascunhos e salvamento em arquivo. As assinaturas são configuradas por conta e, em mensagens HTML, os endereços de sites da assinatura podem virar links clicáveis.

    O corretor ortográfico usa o suporte de idioma do Windows. Quando você termina uma palavra que ele considera incorreta, um apito avisa. Com o cursor nessa palavra, Shift+F10 abre as possibilidades de correção, além das opções para ignorar ou acrescentar ao dicionário.

    Ou seja: ele dá o toque, mas a decisão continua com quem está escrevendo. Nomes, apelidos e palavras que o dicionário ainda não conhece não precisam virar uma discussão a cada e-mail, aaa.

    Também dá para procurar contatos diretamente nos campos Para, Cc e Cco, digitando um asterisco seguido de parte do nome, como *fernando. E, ao responder, o foco vai para o texto da resposta; responder a todos também apresenta os destinatários em Cc.

    Regras, pastas e pesquisa

    Você pode selecionar uma mensagem e criar uma regra baseada no remetente ou no assunto, escolhendo mover para uma pasta ou excluir. O destino aparece em uma árvore de pastas, e é possível criar uma pasta ali mesmo e já deixá-la selecionada para a regra.

    Ao mandar aplicar as regras, entram tanto mensagens lidas quanto não lidas. Isso permite ler as cartas primeiro e depois mandar cada uma para sua pasta. As regras atendem mensagens locais e contas IMAP.

    As pastas têm opções para renomear, excluir preservando o conteúdo na pasta principal, excluir pasta e conteúdo com dupla confirmação e marcar mensagens das subpastas como lidas. Também é possível salvar uma pasta IMAP inteira localmente.

    Para localizar cartas, há pesquisa e organização por data ou nome. O programa usa um índice em SQLite para os cabeçalhos, com opções de atualização quando estiver ocioso e carregamento do índice em memória. Quem guarda uma correspondência de muitos anos sabe como faz diferença encontrar uma mensagem sem passear por todas as pastas!

    Contas e recebimento em segundo plano

    O Correio trabalha com POP3, IMAP e SMTP e permite escolher a preferência de recebimento por conta. A conexão depende dos protocolos e dos métodos de autenticação que cada provedor permite.

    Ele pode ficar na bandeja do sistema, monitorando as contas, emitindo um som e usando as notificações do Windows para avisar sobre novas mensagens. O recebimento automático acontece em segundo plano, sem colocar uma janela na frente enquanto você escreve.

    Também há resposta automática por conta, com texto próprio, opção de incluir a assinatura e exclusões de endereços ou domínios. Isso ajuda a evitar que uma resposta de ausência saia conversando com todas as listas de discussão de que você participa, aaa.

    Configurações e troca de computador

    Há um assistente para exportar e importar configurações, incluindo contas, regras e o banco de índice, além de opções para uso portátil. A ideia é facilitar a vida de quem alterna entre o computador e o notebook.

    A exportação não inclui senhas. Ao importar em uma máquina que já tem as contas configuradas, o Correio preserva as senhas locais compatíveis e solicita apenas as que faltarem. Alterar a preferência entre POP e IMAP, por exemplo, não deveria obrigar você a digitar novamente uma senha que já está salva e continua válida para aquela conta.

    As pastas de mensagens que ficam fora dos dados do programa precisam ser levadas separadamente. Exportar configurações não transforma automaticamente um arquivo externo de cartas em bagagem de mão, aaa.

    Atualizações com as novidades à vista

    No menu Ajuda existe a opção de procurar atualizações, e a verificação automática pode ser habilitada nas configurações.

    Quando uma nova versão é encontrada, você pode ler as novidades antes de decidir se quer atualizar agora ou deixar para depois. Assim, dá para saber se a atualização traz uma correção que interessa a você ou algum recurso que estava esperando.

    Escolhendo atualizar, o assistente baixa o instalador, instala a versão nova e abre o Correio novamente. As novidades vêm no histórico de alterações, o nosso changelog, organizado das versões mais recentes para as mais antigas.

    Alguns atalhos para começar

    Na janela principal, estes são alguns dos atalhos já configurados:

    • F5: enviar e receber de todas as contas.
    • Ctrl+F5: enviar e receber da conta selecionada.
    • F6: receber de todas as contas.
    • Ctrl+F6: receber da conta selecionada.
    • Ctrl+Shift+A: aplicar as regras à entrada da conta selecionada.
    • Ctrl+P: abrir as configurações.
    • F2: ligar ou desligar a fala nativa.

    Ao escrever, Alt+S envia a mensagem e Esc fecha sem enviar. Shift+F10 abre os menus de contexto e, na palavra indicada pelo corretor, suas sugestões. A ajuda inclui um guia de atalhos, e as configurações permitem alterar combinações e atribuir teclas a outras funções.

    Download e conversa final

    Para baixar, use o instalador do Correio Acessível para Windows.

    Fica o convite para experimentar, principalmente para quem usa o CartaVox e quer aproveitar suas cartas, contas e regras em um cliente com esses recursos adicionais.

    O programa foi crescendo com os testes e as sugestões de uso. Então, se encontrar um revertério, conte o que fez e o que aconteceu: esses detalhes ajudam muito mais do que um “deu ruim”, embora às vezes essa seja a descrição mais honesta da situação, aaa.

    Por hoje é isso. Que venham as mensagens importantes, que as regras cuidem das pastas e que o corretor apite só quando tiver motivo!

    Abraços!
    Fernando

  • Muito antes do piano: os instrumentos musicais mais antigos que conhecemos

    Tempo de leitura: 10 minutos

    Oi turma, leitores dessa coisa aqui!

    Antes de começar, preciso explicar a ausência de ontem. Meu companheiro de quatro patas, o Fofão, de 14 anos, foi embora para um lugar ainda desconhecido por quem continua vivendo deste lado. Naturalmente, eu não estava com cabeça para pensar muito, pesquisar ou escrever. Tem horas em que a gente só precisa ficar quieto e sentir a falta.

    Hoje volto devagar, com saudade, para conversar sobre uma coisa que sempre fez parte da minha vida: a música. E vamos viajar bastante no tempo, até uma época em que não existiam piano, guitarra, acordeão, estúdio de gravação ou alguém dizendo que o som estava alto demais no grupo do condomínio.

    Ou melhor: sobre a última parte eu não posso garantir. Vai que já havia um vizinho de caverna reclamando do sujeito que resolveu ensaiar flauta de madrugada,aaa…

    Mas quais são os instrumentos musicais mais antigos que conhecemos? De que eram feitos? E será que ainda dá para ouvir algum deles? Vamos por partes, porque essa história tem ossos, marfim, conchas, cordas e até uma discussão sobre mordidas de animais.

    Neste artigo

    O mais antigo encontrado não é necessariamente o primeiro inventado

    Já vamos acertar uma coisa: não sabemos qual foi o primeiro instrumento musical da humanidade. Sabemos quais objetos chegaram até nós, foram encontrados e puderam ser reconhecidos como instrumentos com maior ou menor segurança.

    O corpo também produz música: voz, palmas, pés batendo no chão. Só que uma cantoria de milhares de anos atrás não fica enterrada esperando um arqueólogo chegar com uma pazinha. Não havia gravador ligado, e o cantor provavelmente nem pensava em deixar uma cópia de segurança.

    Além disso, madeira, fibras e peles costumam se decompor. Ossos, marfim, conchas e pedras podem sobreviver em condições nas quais outros materiais desaparecem. Isso influencia bastante a lista do que conseguimos encontrar.

    Portanto, o fato de haver flautas muito antigas preservadas não prova que a música começou com a flauta, nem que surgiu no país onde elas foram descobertas. O início da música e o início das evidências que sobreviveram são coisas diferentes. Veja a referência sobre arqueologia do som.

    As datas a seguir são aproximadas. Em alguns casos, a idade é estimada pela camada arqueológica em que o objeto apareceu. E novas análises podem mudar estimativas antigas: arqueologia não vem com etiqueta de fabricação e nota fiscal.

    Voltar ao índice

    Flautas de osso e marfim: música há mais de 40 mil anos

    Entre os instrumentos mais antigos cuja identificação é amplamente aceita estão as flautas encontradas em cavernas do sudoeste da Alemanha, na região do Jura da Suábia. Dois nomes aparecem bastante nessa história: Geißenklösterle e Hohle Fels.

    Se você conseguiu pronunciar o primeiro sem tropeçar, já está pronto para apresentar uma rádio alemã,
    digamos assim…

    Uma nova datação publicada em 2012 situou os contextos mais antigos de Geißenklösterle em torno de 42 mil a 43 mil anos atrás. A região forneceu flautas feitas de ossos de aves e de marfim de mamute. Em Hohle Fels, há uma conhecida flauta de osso de abutre, encontrada em 2008, associada a essa tradição musical da Idade do Gelo, de cerca de 40 mil anos.

    Não estamos falando apenas de um osso qualquer que fazia barulho. São peças trabalhadas, com aberturas para controlar os sons. A Universidade de Tübingen relata que reproduções experimentais das flautas da região permitem fazer música.

    Isso mostra habilidade e investimento na fabricação de instrumentos numa época muito anterior às cidades e à escrita. Já havia gente dedicando tempo a produzir sons organizados. A loja de instrumentos é que ainda não tinha inaugurado.

    Para ouvir: Paleolithic Flute and Its Sound: demonstração com uma réplica de flauta paleolítica, no YouTube. É uma reprodução moderna do instrumento, não alguém soprando diretamente uma relíquia de 40 mil anos.

    Referências: reportagem em português sobre a datação, comunicado de Tübingen sobre Geißenklösterle e informações da universidade sobre as flautas da Idade do Gelo.

    Voltar ao índice

    Divje Babe: uma possível flauta ainda mais antiga

    Na caverna de Divje Babe, na Eslovênia, foi encontrado em 1995 um fragmento de fêmur de um jovem urso-das-cavernas, com perfurações. O Museu Nacional da Eslovênia apresenta a peça como uma flauta feita por neandertais, com cerca de 60 mil anos.

    Se essa interpretação estiver correta, estamos diante de um instrumento muito anterior às flautas alemãs que acabamos de conhecer.

    Mas aqui precisamos colocar um asterisco: a interpretação da peça como instrumento musical é debatida. Há pesquisadores que defendem a fabricação intencional dos furos e outros que os atribuem à ação de animais carnívoros. Um estudo publicado na Royal Society Open Science, em 2015, sustenta a explicação das marcas de mordidas.

    Por isso, vale conhecer a peça sem anunciar um recorde indiscutível. Uma réplica capaz de produzir música é interessante, mas, sozinha, não resolve como os furos do objeto original foram feitos.

    Para ouvir: Ljuben Dimkaroski tocando uma reconstrução da flauta de Divje Babe, no YouTube. A demonstração permite conhecer as possibilidades sonoras da reconstrução; a controvérsia arqueológica continua sendo outra questão.

    Referências: a interpretação do Museu Nacional da Eslovênia e o estudo que defende a origem das perfurações por animais.

    Voltar ao índice

    A concha de Marsoulas: um sopro vindo de 18 mil anos atrás

    Agora vamos à França, à caverna de Marsoulas. Uma grande concha marinha, de aproximadamente 31 centímetros, foi encontrada ali em 1931. Durante muito tempo, ela foi interpretada como um recipiente.

    Uma pesquisa publicada em 2021 apresentou outra interpretação: a concha havia sido modificada para funcionar como instrumento de sopro. A ponta foi aberta, e foram identificadas outras intervenções humanas. A peça é associada a um contexto de aproximadamente 18 mil anos atrás.

    É uma concha utilizada como trombeta, soprada por uma abertura. Não é a mesma coisa que encostar uma conchinha no ouvido para escutar aquele suposto barulho do mar.

    A convite dos pesquisadores, um músico conseguiu produzir no próprio objeto três sons próximos de dó, dó sustenido e ré. Esses nomes são uma comparação com as notas atuais; não significam que os habitantes de Marsoulas estudavam nosso sistema de afinação.

    É extraordinário pensar que um objeto feito para soar há tantos milênios ainda consegue vibrar. E sem precisar atualizar aplicativo, carregar bateria ou parear com Bluetooth. A concha já vinha com conexão direta ao pulmão.

    Para ouvir o objeto original: a reportagem do CNRS, em francês, inclui uma gravação do som da concha de Marsoulas.

    Vídeo: a concha de Marsoulas explicada pelo Muséum de Toulouse, em francês, no YouTube. O museu também reúne versões com audiodescrição em francês nesta playlist, incluindo um episódio sobre a concha.

    Referências: reportagem em português, texto do Muséum de Toulouse e reportagem do CNRS com o áudio.

    Voltar ao índice

    As flautas de Jiahu: quase 9 mil anos e ainda capazes de tocar

    Na China, o sítio arqueológico de Jiahu, na província de Henan, forneceu flautas de osso de aves com aproximadamente 7.800 a 9 mil anos. O estudo publicado na revista Nature, em 1999, descreve seis peças completas e fragmentos de cerca de outras trinta.

    Elas foram feitas de ossos das asas de grous, aves de pernas longas, e possuem entre cinco e oito furos. A flauta mais bem preservada chegou a ser tocada e teve seus sons analisados.

    A distinção é importante: Jiahu tem instrumentos muito antigos que chegaram até nós completos e ainda utilizáveis. Isso não os torna anteriores aos vestígios de flautas alemãs; são categorias diferentes de preservação.

    E há algo fascinante nessa combinação de idade e funcionamento. Imagina um instrumento atravessar quase nove milênios e ainda conseguir tocar, enquanto algum equipamento comprado no ano passado já decidiu que não reconhece mais o próprio cabo,aaa…

    Essas flautas permitem estudar possibilidades de notas e relações entre sons. O que elas não entregam é uma lista das músicas preferidas dos habitantes de Jiahu. O instrumento sobreviveu; o repertório completo, não.

    Referências: a notícia em português publicada em 1999 e o resumo do estudo original, disponível no PubMed.

    Voltar ao índice

    As liras de Ur: cordas, arte e mais de 4 mil anos de história

    Saindo dos instrumentos de sopro, chegamos às liras e harpas encontradas no Cemitério Real de Ur, na antiga Mesopotâmia, em território que hoje pertence ao Iraque.

    Exemplares desse conjunto estão entre os mais antigos vestígios conhecidos de instrumentos de cordas. Peças como a famosa lira com cabeça de touro do Penn Museum são datadas aproximadamente de 2550 a 2450 antes de Cristo: cerca de 4.500 anos atrás.

    Uma lira tem cordas estendidas entre uma caixa de ressonância e uma travessa sustentada por braços. Ao tocar as cordas, suas vibrações são transmitidas ao instrumento, que ajuda a fazer o som chegar aos ouvidos.

    Algumas peças de Ur receberam decoração elaborada, com materiais como ouro, prata, conchas e lápis-lazúli. Não era simplesmente amarrar uma cordinha e torcer para sair um som: havia um trabalho artístico impressionante.

    Também precisamos entender o que está exposto nos museus. Partes de madeira se perderam, e os instrumentos passaram por conservação e reconstrução. Os restos preservados, as decorações e os registros da escavação ajudam a recuperar suas formas.

    Para ouvir: Lament for Gilgamesh, com Peter Pringle e uma reconstrução da lira de Ur, no YouTube. É uma interpretação atual em instrumento reconstruído, não uma gravação recuperada de uma apresentação suméria.

    Referências: a apresentação da lira com cabeça de touro pelo Penn Museum e o estudo do museu sobre a lira em forma de barco.

    Voltar ao índice

    As harpas do Egito antigo

    O Egito antigo também deixou instrumentos de cordas impressionantes. O Metropolitan Museum of Art conserva uma harpa arqueada datada de aproximadamente 2030 a 1640 antes de Cristo, considerada pelo museu uma das mais antigas harpas preservadas.

    Ela possui um braço longo e curvo e uma caixa de ressonância que originalmente era coberta por pele ou pergaminho. O instrumento tinha cinco cordas. Segundo o museu, harpistas podiam tocar sozinhos ou em conjuntos com cantores e outros músicos.

    É diferente da grande harpa de concerto que muita gente conhece hoje, com sua estrutura triangular. Mas o princípio básico continua familiar: uma corda vibra, e uma caixa ajuda a ampliar o som.

    E aqui vale repetir o cuidado com as datas: a idade de uma peça preservada não é a data da invenção de todas as harpas. É um testemunho concreto de que aquele tipo de instrumento já existia.

    Às vezes pensamos no passado como se o pessoal apenas trabalhasse, guerreasse e construísse monumentos. Essas harpas lembram que também havia músicos, cantores e gente querendo ouvir alguma coisa além das ordens do chefe.

    Referência: ficha da harpa arqueada no Metropolitan Museum of Art.

    Voltar ao índice

    E os tambores, chocalhos e pedras sonoras?

    É uma pergunta natural: se bater em alguma coisa parece mais simples do que construir uma flauta, será que os instrumentos de percussão não vieram antes?

    É uma possibilidade, mas não dá para transformar essa intuição numa ordem de invenção comprovada. Madeira e pele podem desaparecer; uma pedra que foi percutida pode sobreviver sem deixar marcas suficientes para identificarmos um uso musical.

    Existem estudos sobre possíveis tambores pré-históricos e sobre as dificuldades de reconhecê-los no registro arqueológico. A ausência de um tambor preservado muito antigo não demonstra que ninguém tocava tambor naquela época.

    O mesmo cuidado vale para chocalhos e pedras usadas para produzir sons. Uma pedra sonora pode fazer parte de um instrumento chamado litofone, mas provar que uma determinada pedra antiga foi utilizada dessa maneira exige contexto e evidências.

    Então, por mais tentador que seja anunciar o primeiro baterista da humanidade, é melhor deixar a vaga em aberto. O sujeito pode ter tocado muito bem e não ter deixado nem uma baqueta para contar a história.

    Referências: arqueologia do som e conservação dos materiais e estudo sobre a identificação de tambores pré-históricos.

    Voltar ao índice

    Ouvir um instrumento é o mesmo que ouvir a música daquela época?

    Nem sempre. Há uma diferença entre ouvir o som de um objeto original, ouvir uma réplica e saber exatamente qual melodia uma pessoa tocava milhares de anos atrás.

    Uma réplica ajuda a investigar como o instrumento poderia funcionar. Mas escolhas de material, reconstrução das partes que faltam, afinação e técnica do músico podem influenciar o resultado.

    Por isso, os vídeos deste artigo servem para conhecer possibilidades sonoras. Uma música moderna tocada numa réplica de flauta paleolítica não prova que aquela mesma música existia na pré-história.

    É como encontrar uma gaita daqui a milhares de anos e tocar nela uma música recém-composta. A gaita pode contar bastante sobre a fabricação e o som; não vai entregar sozinha tudo o que o antigo dono gostava de tocar.

    No caso da concha de Marsoulas, temos o privilégio de ouvir o próprio objeto. Mesmo assim, continuamos sem saber exatamente como seus antigos usuários tocavam ou o que aquele som significava para eles.

    Referências: as dificuldades de estudar o som das liras antigas e a pesquisa e a gravação da concha de Marsoulas.

    Voltar ao índice

    Uma última nota

    O que mais me chama a atenção nessa história é perceber gente dedicando tempo à música em épocas tão distantes. Alguém preparou um osso, trabalhou o marfim, abriu uma concha, estendeu cordas. Alguém quis produzir um som e, talvez, compartilhá-lo.

    Não sabemos todas as melodias, nem todos os motivos. Podemos imaginar encontros, celebrações, rituais ou momentos de descanso, mas cada descoberta precisa ser estudada no seu próprio contexto.

    Hoje, por aqui, a música encontra a saudade do Fofão. E fica também a lembrança de que nem tudo o que importa cabe numa explicação: às vezes, a gente encontra um pouco de espaço numa nota, numa canção ou no silêncio entre as duas.

    Um abraço, turma, e até a próxima conversa nessa coisa aqui!!!

    E, Fofão… obrigado pela companhia, meu velho. E, principalmente, por ter “me comprado” lá em 2012, quando apareceu naquela gaiolinha com aquele monte de pelo, orelhão e rabão, e ainda me deu uma mordida de “boa tarde”… Porque, como eu sempre digo: “não fui eu que te comprei, foi tu que me comprou”…

    Fontes e leituras para continuar a viagem

    Deixei primeiro as referências em português. Depois vêm os textos de museus, universidades e pesquisadores em outros idiomas. As reportagens antigas registram o conhecimento disponível quando foram publicadas; para as datas e controvérsias, vale conferir também os estudos e as páginas institucionais relacionados.

    Em português

    Em outros idiomas

    Voltar ao índice

  • Programando para o DOSVOX: Delphi, Free Pascal e projeto final: Aventuravox

    Tempo de leitura: 3 minutos

    Ooi turma, leitores dessa coisa aqui!!!

    Hoje, terça, como sempre, tem apostila nova! E desta vez a conversa é sobre programação, Pascal, Delphi, Free Pascal e um sistema que já atravessou mais de três décadas fazendo computador falar: o DOSVOX.

    O sistema começou a ser desenvolvido em 1993. De lá para cá, o Windows mudou, os computadores ficaram milhares de vezes mais rápidos, os disquetes desapareceram e até o telefone resolveu virar computador. O nosso bom e velho DOSVOX, porém, continua por aqui — e não deve morrer!

    Neste texto:

    De onde surgiu a ideia

    O ponto de partida foi uma apostila escrita por Bruna de Lima Costa, com explicações sobre as rotinas utilizadas para criar programas para o DOSVOX.

    Era um material importante porque mostrava justamente a parte que costuma causar mais dúvidas: como fazer um programa em Pascal ou Delphi conversar com o DOSVOX, usar sua síntese de voz, receber teclas e seguir o estilo de funcionamento que seus usuários já conhecem.

    A ideia, então, foi conservar os créditos da autora e ampliar o conteúdo, transformando aquele material em um guia mais completo. A nova apostila parte da lógica de programação, passa por Pascal, Delphi, Object Pascal, Free Pascal e Lazarus, até finalmente chegar às rotinas específicas do DOSVOX.

    Voltar ao topo

    O problema da falta de programadores

    Tem bastante gente que usa o DOSVOX. Também tem muita gente que conhece Pascal. O grupo de pessoas que conhece as duas coisas e ainda sabe quais rotinas chamar para o programa falar, ler o teclado e funcionar dentro do ambiente DOSVOX já é bem menor,aaa.

    O próprio site do projeto possui documentação para programadores, mas boa parte desse conhecimento acabou ficando espalhada entre apostilas antigas, códigos-fonte e programadores que trabalham com o sistema há muitos anos.

    Por isso, a proposta desta apostila não é apenas ensinar uma linguagem. É criar uma ponte para que novos programadores possam entender o estilo do DOSVOX, estudar programas existentes e, quem sabe, criar novos utilitários, jogos e ferramentas acessíveis.

    Afinal, programa também envelhece. E, quando ninguém mais sabe mexer nele, qualquer pequeno erro começa a parecer uma assombração saída de um computador de 2001,aaa.

    Voltar ao topo

    O que há na apostila

    A apostila começa contando um pouco da história do Pascal e do Delphi e apresenta essas ferramentas nos dias atuais. Depois, traz um curso de lógica de programação, começando pelo tradicional “Olá, mundo!” e avançando por condições, repetições, vetores, matrizes, funções, procedimentos, arquivos, unidades e outros recursos.

    Também há capítulos sobre Object Pascal, Delphi, Free Pascal e Lazarus, além de orientações para compilar programas usando diferentes ambientes.

    Na parte dedicada ao DOSVOX entram as rotinas de voz, leitura do teclado, menus, arquivos de configuração, sons, mensagens, organização dos programas e vários exemplos comentados.

    A intenção não é que a pessoa apenas leia e guarde a apostila numa pasta esquecida. É para abrir o compilador, errar alguns pontos e vírgulas, ouvir o compilador reclamar e começar a criar,aaa.

    Voltar ao topo

    O projeto final Aventuravox

    Para reunir os conhecimentos apresentados, a apostila termina com o projeto Aventuravox, uma pequena aventura textual criada especialmente para o material.

    As mensagens da história são faladas pela síntese de voz, enquanto arquivos WAV podem ser usados para representar portas, passos, mecanismos e outras ocorrências do jogo.

    Além de servir como diversão, o projeto mostra na prática como criar menus navegáveis pelo teclado, controlar o andamento de uma história, salvar o ponto em que o jogador parou, ler configurações do DOSVOX e organizar os sons externos.

    E, claro, ele foi pensado como exemplo didático, sem tentar copiar o Colossal, o Piratvox, a Fuga de San Quentin ou qualquer outro clássico da jogatina falante.

    Voltar ao topo

    Links para download

    Preparei duas formas de baixar o material:

    Voltar ao topo

    Fontes e páginas relacionadas

    Voltar ao topo

    Espero que este material ajude quem deseja dar os primeiros passos na programação e também quem já programa, mas nunca se aventurou pelas rotinas do DOSVOX.

    Se a apostila conseguir incentivar pelo menos mais uma pessoa a criar um programa novo para o sistema, o trabalho já terá valido a pena. O DOSVOX tem história, tem usuários e ainda pode ganhar muita coisa nova. Para isso, precisa continuar tendo gente disposta a estudar, programar e manter essa máquina falando!

    Um abraço, turma, e até a próxima nessa coisa aqui!!!

    Fernando

  • Adoção responsável: o amor é enorme, mas o compromisso também

    Tempo de leitura: 14 minutos

    Ooi turma, leitores dessa coisa aqui!!!

    Hoje o assunto veio por sugestão da minha mãe, a Alice: adoção responsável de animais de estimação. Ela me deu a ideia e eu fiquei pensando em como a conversa costuma começar pelo lado mais fácil. A gente vê uma foto, conhece um cachorro abanando o rabo ou um gato que resolve escolher nosso colo e pensa: “Pronto, é esse!”. Aí o bichinho chega em casa, e junto com ele vêm os potes, o pelo, as despesas, os horários e uma criatura que depende da gente de verdade.

    Antes que alguém entenda errado: eu adoro a ideia de dar um lar a um animal. Justamente por gostar deles, acho que a pergunta mais importante não é “que fofinho, posso levar?”, mas “consigo cuidar dele também quando não estiver tudo fofinho?”. Vamos conversar principalmente sobre cães e gatos, mas também dar uma espiada nos peixes, coelhos, hamsters e aves. Porque tamanho pequeno, silêncio ou capacidade de xingar em italiano ou espanhol não dispensam ninguém de responsabilidade, aaa.

    Índice

    O compromisso dura muitos anos

    Adotar um cachorro ou um gato é assumir uma responsabilidade que pode atravessar uma boa parte da nossa vida. Muitos vivem mais de 15 anos. Isso varia conforme a espécie, o porte, a saúde e os cuidados, claro, mas pense no tamanho desse período: o filhote que chega hoje pode estar ao seu lado depois de mudanças de emprego, de casa, de cidade, de rotina e de composição da família.

    Eu comparo, no tamanho do compromisso, a ter uma criança pequena ou até um bebê durante muito tempo. Não porque cão e gato sejam crianças humanas: cada espécie tem suas necessidades. A comparação serve para lembrar que eles não vão abrir o aplicativo do banco, marcar a própria consulta e comprar ração quando acabar. Até velhinhos, continuam dependendo de alguém. E, na velhice, podem precisar ainda mais de ajuda.

    Também não dá para adotar pensando só na fase de filhote. Filhotes aprendem, fazem bagunça, mordem o que não devem e exigem paciência. Adultos têm personalidade, rotina e talvez alguma história difícil. Idosos podem precisar de remédios, adaptações e consultas mais frequentes. O compromisso é com o animal inteiro, em todas as fases, inclusive nas menos fotogênicas, digamos assim…

    Voltar ao índice

    A Ayla, a Pitoka e o Fofão

    Se eu insisto tanto na parte dos muitos anos, é porque vivi isso de perto. A Ayla viveu 17 anos e 4 dias; a Pitoka, 17 anos e 7 meses. As duas eram completamente diferentes. A Ayla, por ser poodle, às vezes parecia um bichinho de pelúcia. Só que o bichinho de pelúcia tinha uma brabeza que vou te contar, aaa! Uma vez eu e a mãe estávamos provocando ela de brincadeira e, sei lá por quê, ela escolheu morder o meu queixo. Tenho a marca até hoje. E tem o Fofão, que agora está velhinho. Eu digo que foi ele que me comprou, e não eu que comprei ele: apareceu naquela gaiolinha com aquele monte de pelo, dois orelhões, um rabão e ainda me deu uma mordida. Pronto, estava comprado, aaa. Cada um com seu jeito, suas histórias e muitos anos de vida compartilhada.

    E, em matéria de cachorro, sou cachorreiro de carteirinha! Junto com a Ayla e a Pitoka, tínhamos a Fofa, que “herdamos” da minha avó e era um grude com a Aninha. Até 2025, também tínhamos uma gatinha que viveu 15 anos. Eu a chamava de “Almofada” porque, além de gordona, era peludona… aaa!

    Durante a infância, também tive outros “bebês peludos”: a Tuti, a Sasha, que era filha da Tuti, e, antes delas, a Shana. Nós éramos crianças e, quando brincávamos de esconde-esconde, a Shana entrava na brincadeira pra valer. Ela sabia se esconder e também ser a “pegadora”: esperava todo mundo gritar “deu!” e saía procurando um por um, aaa…

    Voltar ao índice

    A “fábrica de pets”: minha opinião

    Eu entendo que há gente que vive da criação de animais; o próprio Fofão entrou na minha vida por uma compra, como acabei de contar. Mas, quando penso na produção de filhotes como se fosse uma fábrica, fico desconfortável. Com tantos bichos sem dono, esperando alguém que cuide deles, é difícil para mim concordar com a ideia de produzir cada vez mais animais para vender. Essa é minha opinião pessoal, não um julgamento de quem já comprou um pet. Só acho justo que, antes de procurar um filhote à venda, a gente conheça os animais disponíveis para adoção e pense no que está acontecendo com os que ainda esperam um lar.

    E pra facilitar essa procura, reuni alguns lugares onde dá para conhecer cães e gatos à espera de uma família. Comece pelos portais que permitem buscar por cidade; depois, se houver um projeto perto de você, vale conversar diretamente com ele. A disponibilidade dos animais e as regras de adoção mudam, então confira as informações com quem está cuidando do bichinho:

    • Adotar.com.br — anúncios de cães e gatos de várias cidades do Brasil, com busca por localização.
    • Adote Petz — reúne animais de ONGs e protetores parceiros em diferentes regiões do país.
    • Projeto Bicho de Rua — o site que eu lembrava; divulga animais para adoção no Rio Grande do Sul. O endereço atual é bichoderua.org.br.
    • Me Adota — plataforma da Prefeitura de Porto Alegre (RS) para cães e gatos acolhidos pelo município.
    • Gatos da Corte — adoção de gatos em Novo Hamburgo (RS).
    • Rede de Proteção Animal de Curitiba — cães e gatos do serviço municipal, de ONGs e de protetores da cidade (PR).
    • AdotaBH — animais anunciados pela Prefeitura, por organizações e por protetores em Belo Horizonte (MG).
    • Adoção de Animais do IVISA-Rio — orientações para adotar cães e gatos acolhidos pelo município do Rio de Janeiro (RJ).
    • Adota Pet Recife — perfis de cães e gatos disponíveis na plataforma da Prefeitura do Recife (PE).
    • Centro Municipal de Adoção de Cães e Gatos — informações da Prefeitura de São Paulo (SP).
    • Adote um Gatinho — gatos resgatados na Grande São Paulo (SP).
    • Instituto Ampara Animal — conheça os cães e gatos divulgados pela instituição e suas orientações para adoção.

    Voltar ao índice

    Antes de levar o bichinho para casa

    A primeira conversa precisa acontecer com quem mora com você. Todo mundo aceita conviver com o animal? Há alergias, restrições do imóvel, outros bichos ou crianças pequenas? Quem vai alimentar, limpar, passear, levar ao veterinário e cuidar quando você não puder? A promessa “a criança vai fazer tudo” costuma durar menos que o pacote de ração. Criança pode ajudar e aprender; a responsabilidade final é dos adultos.

    Depois vem a pergunta sobre o espaço. Um cão grande e ativo pode precisar de uma rotina bem diferente da de um cão mais tranquilo. Gato não é objeto de decoração para ficar largado num canto: precisa de ambiente seguro, lugares para explorar, brincar, descansar e se esconder. Para cães e gatos, portões, janelas e sacadas também merecem atenção. No caso dos gatos, telas e barreiras que impeçam fugas e quedas são especialmente importantes. Aquele “ele só vai dar uma voltinha” pode acabar em briga, atropelamento ou desaparecimento.

    Converse com o abrigo, protetor ou responsável pela adoção sobre idade, porte provável, temperamento, histórico de saúde, vacinas, castração e adaptação. Não existe garantia de que o animal será exatamente como imaginamos depois de se acomodar na casa nova. Ele também está conhecendo gente, cheiros, barulhos e regras. Tempo e paciência entram no pacote.

    E presente surpresa? Melhor não. Um bicho não é um embrulho para entregar a alguém que não participou da decisão. Uma adoção feliz começa com a concordância de quem vai cuidar dele.

    Voltar ao índice

    A conta não termina na primeira sacola de ração

    Adoção pode não ter preço de compra, mas manutenção tem custo. Todo mês aparecem ração adequada, areia sanitária no caso dos gatos, produtos de higiene e, às vezes, medicamentos de uso contínuo. Em outros momentos chegam vacinas, consulta, exames, prevenção de parasitas, castração quando indicada, banho ou tosa quando necessários, brinquedos, coleira, caixa de transporte e consertos daquela coisa que o filhote resolveu transformar em arte moderna.

    O tamanho do cachorro muda a quantidade de comida; necessidades de saúde mudam os gastos; a idade também. E emergência veterinária não costuma esperar o orçamento melhorar. Não vou inventar um valor mensal universal porque ele seria enganoso: preços variam conforme a cidade, o animal, o alimento e os serviços disponíveis. O jeito mais honesto é pesquisar os custos na sua região antes de adotar e tentar manter uma reserva para imprevistos.

    Isso não quer dizer que só gente rica possa amar animais. Quer dizer que amor precisa vir acompanhado de planejamento. Em algumas cidades há campanhas públicas de vacinação e castração e serviços a preços sociais; vale pesquisar o que existe onde você mora. Mesmo assim, alguém precisa organizar o transporte, os horários e o acompanhamento. A ração não aparece sozinha no pote por força do pensamento, infelizmente.

    Voltar ao índice

    Comida de gente não é cardápio de pet

    “Mas ele me olhou com aquela cara enquanto eu comia!” Eu sei. Eles fazem um curso avançado de expressão pidona. Só que nem tudo que está no nosso prato é seguro para cães e gatos. Chocolate, cebola, alho e álcool podem trazer problemas graves. Para os cães, uvas, passas e xilitol também são perigosos. Xilitol é um adoçante que pode estar em alguns chicletes, balas e outros produtos “sem açúcar”. Ossos e restos temperados também oferecem riscos. E dar sempre “só um pedacinho” muda a dieta, pode provocar mal-estar e ainda ensina o pet a fiscalizar cada refeição da casa, aaaa…

    O alimento precisa ser adequado à espécie, à idade e às condições de saúde do animal. Cão não é gato, filhote não é idoso, e uma dieta para um bicho com doença renal ou outra condição exige orientação própria. Se você quiser oferecer alimentação caseira como dieta principal, monte o plano com um médico-veterinário capacitado em nutrição: improvisar a partir do que sobrou da janta não equivale a uma alimentação equilibrada.

    Água limpa e disponível também faz parte do básico. Se o pet ingerir algo suspeito, procure orientação veterinária logo e informe o que ele comeu e, se souber, a quantidade. Nada de esperar a internet decidir se “foi só um pouquinho”.

    Voltar ao índice

    Vacinas, doenças e veterinário

    O veterinário não deve entrar na história apenas quando o animal já está mal. Uma avaliação logo após a adoção ajuda a conhecer a saúde dele e a planejar vacinação, controle de vermes, pulgas e carrapatos, cuidados dentários e, quando couber, a castração. O calendário não é um papel igual para todos: idade, histórico, ambiente e estado de saúde influenciam as recomendações. Guarde a carteirinha e siga o esquema orientado pelo profissional, incluindo a proteção contra a raiva conforme a orientação local.

    Existem doenças infecciosas que podem ser muito sérias, além de problemas de pele, ouvido, dentes, intestino e vias urinárias. Mais tarde podem aparecer artrite, doença renal, diabetes, tumores e outras condições que pedem exames e tratamento. Alguns animais passarão a vida com poucos sustos; outros precisarão de acompanhamento frequente. Adoção responsável é estar presente nos dois cenários.

    Repare em mudanças de apetite, sede, comportamento, respiração, urina, fezes ou disposição. Animal que se esconde, para de comer ou parece sentir dor merece atenção. E remédio de gente, mesmo aquele que você tem em casa e usa sem problema, não é receita para cachorro ou gato. A dose e a segurança são outras: tratamento é assunto de veterinário.

    Vale conversar também sobre castração e prevenção de ninhadas indesejadas. A decisão sobre momento e procedimento é individual, feita com orientação profissional. O importante é não descobrir, no susto, que agora você é responsável por uma família inteira de filhotes.

    Voltar ao índice

    Banho, tosa, higiene e o trabalho de todo dia

    Tem a parte que não fica tão bonita na foto: lavar potes, trocar água, recolher cocô, limpar xixi, higienizar a caixa de areia, cuidar da cama, escovar pelos quando necessário e observar pele, unhas, orelhas e dentes. Dependendo do tipo de pelagem, um cão pode precisar de escovação frequente, banho e tosa com regularidade. A frequência de banhos e a necessidade de tosa variam; banho demais ou corte inadequado também podem fazer mal. Pergunte ao veterinário e a um profissional de banho e tosa de confiança o que faz sentido para aquele animal.

    Gatos saudáveis geralmente cuidam bem da própria limpeza e não precisam de banho rotineiro. Isso não dispensa escovação, caixa de areia limpa e atenção a alguma dificuldade para se limpar, especialmente na velhice ou em caso de doença. Tentar dar banho em gato por esporte pode render uma história interessante, mas provavelmente não a história que você gostaria de viver, aaa.

    E há uma diferença entre ter a casa arrumada e fingir que um ser vivo não deixa vestígios. Pelo aparece, areia se espalha, brinquedo surge debaixo do pé. Dá para organizar a rotina e reduzir a bagunça; não dá para exigir que o pet funcione como um bichinho de pelúcia com botão de desligar.

    Voltar ao índice

    Cachorros: passeio não é só a voltinha do xixi

    Para muitos cães, passear é exercício, oportunidade de farejar, conhecer o ambiente e gastar energia. Aquela descida de dois minutos para fazer as necessidades resolve uma necessidade, mas não substitui uma rotina adequada de atividade e interação. Quanto e como passear depende da idade, do porte, da saúde e do temperamento. Um filhote em fase de vacinação, um cão idoso e um atleta de quatro patas não devem receber a mesma programação.

    E cachorro também tem seus talentos domésticos, aaa. Tem o que “lê” as cartas e “paga” as contas antes de você: a correspondência entra por baixo da porta e sai em confete. A Ayla, quando chegava alguma coisa pelo vão da porta, preferia “devolver com as patinhas”; o Toquinho já escolhe o método da trituradora, aaa. Há ainda aquela mijada no sofá que a gente só descobre quando senta e a segunda campainha da casa: a Ayla também cumpria esse papel, e o Toquinho segue a tradição, latindo tão alto quando alguém chama que mal dá para ouvir o interfone. A gente ri contando depois, mas na hora tem limpeza, susto e o trabalho de ensinar outro jeito.

    Educação também dá trabalho. Ensinar com paciência onde fazer as necessidades, como ficar sozinho, como se comportar perto de pessoas e de outros animais leva tempo. Se houver medo intenso, agressividade ou sofrimento quando a família sai, procure orientação qualificada. Gritar ou abandonar o cão porque ele não nasceu sabendo as regras da casa não resolve.

    Na rua, use guia e equipamento adequado e recolha as fezes. Em casa, garanta segurança, água, abrigo e contato com a família. Cachorro que vive esquecido no pátio, sem passeio e sem interação, não recebeu uma vida boa só porque ganhou um endereço. Pior ainda é deixá-lo amarrado a uma cordinha de um metro, sem espaço para explorar ou brincar. Se não há como cuidar dele direito, é melhor procurar um novo lar responsável do que obrigá-lo a viver assim.

    Voltar ao índice

    Gatos: independentes, mas nem tanto

    O gato pode passar parte do dia dormindo como se fosse proprietário do imóvel e nós, os inquilinos. Ainda assim, precisa de cuidado e companhia. Brinquedos, arranhadores, locais altos e esconderijos ajudam a deixar a casa interessante. O tempo de interação deve respeitar o jeito dele: há gatos de colo e gatos que preferem negociar o carinho em horário comercial.

    Caixa de areia limpa é assunto sério. Uma recomendação prática do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul (CRMV-RS) é ter uma caixa por gato e mais uma, em locais adequados. Também é importante manter água fresca, comida apropriada, ambiente protegido contra fugas e quedas e plantas tóxicas fora do alcance. O lírio, por exemplo, é perigoso para gatos. Se ele mudar de hábito e deixar de usar a caixa, não conclua automaticamente que é “pirraça”: pode haver estresse ou problema de saúde.

    Quem pensa que gato dá menos trabalho só porque não precisa sair para passear pode ser surpreendido às três da manhã por uma maratona no corredor, um vaso no chão, um pedido urgente de atenção ou o barulho de alguma coisa despencando lá de cima. A minha “Almofada” aprontava dessas quando era novinha; depois de velha resolveu fazer jus ao apelido, aaa. É outro tipo de rotina, não ausência de rotina.

    Voltar ao índice

    Peixes, coelhos, hamsters e aves: pequenos ou discretos também dão trabalho

    Peixes: o aquarião é lindo, mas dá um trabalhão

    Um aquário bonito não nasce pronto no dia em que você compra os peixes. É preciso escolher espécies compatíveis, tamanho adequado, filtro, temperatura quando necessária e alimentação certa. Antes de receber os animais, o aquário precisa passar por um processo de estabilização biológica. Depois vêm os testes da água, as trocas parciais e a manutenção dos equipamentos. Água transparente não garante água segura. Um peixe não reclama em voz alta quando a qualidade da água piora; por isso cabe a nós observar e medir.

    Também não adianta imaginar que um potinho pequeno é a versão econômica de um lar. Dependendo da espécie, ele pode ser inadequado para o espaço, a filtragem e a estabilidade da água. O aquarião é bonito, sim. E, se você cuidar direito, vai merecer até aplauso da plateia subaquática, aaa.

    Coelhos: fofura, feno e fios em perigo

    Coelho é fofo, mas precisa de espaço para correr, abrigo seguro, água, feno disponível, alimentação apropriada, limpeza e acompanhamento veterinário. Vive anos, pode precisar de companhia de outro coelho compatível e gosta de explorar, cavar e roer. Cabos, móveis e objetos ao alcance podem virar projeto de reforma não autorizado. Dá para preparar o ambiente e reduzir a bagunça; prendê-lo o tempo inteiro numa gaiola pequena não é solução.

    Hamsters: a gaiolinha não faz o serviço sozinha

    Esse pequeno especialista em escapar exige mais que uma gaiolinha qualquer. Precisa de recinto seguro e adequado à espécie, material para cavar, esconderijos, alimentação, água, limpeza e observação da saúde. Algumas espécies vivem melhor sozinhas; não dá para juntar dois por achar que ficarão “amiguinhos”. E, se um escapar, começa a operação de busca embaixo de móveis, atrás de caixas e, provavelmente, no único cantinho da casa que você não lembrava que existia.

    Papagaios e outras aves: conversa longa, compromisso mais longo ainda

    Uma ave pode ser divertida e inteligente. Imaginar um papagaio aprendendo a xingar em espanhol ou italiano rende piada, mas cuidar dele exige bem mais que ensinar palavras. Aves precisam de alimentação própria, espaço adequado, atividades, interação e atendimento de profissional que conheça a espécie. Algumas vivem muitas décadas; certos papagaios e araras podem chegar perto dos 70 anos. Nesse caso, vale pensar até em quem cuidará do animal se o tutor não puder mais fazê-lo.

    Há também a questão da origem legal. Para uma ave silvestre brasileira, não é aceitável capturar um animal da natureza ou comprá-lo sem procedência. Verifique se a espécie pode ser mantida legalmente, se o criadouro ou vendedor é autorizado, quais documentos de origem e identificação acompanham a ave e quais regras ou autorizações se aplicam ao seu caso. O órgão ambiental do seu estado e o Ibama podem orientar sobre isso. “Depois eu vejo a licença” não é um bom plano para você nem para o bicho.

    Voltar ao índice

    E quando a vida complica?

    Perda de emprego, doença, separação, mudança, viagem: ninguém tem como prever tudo. Por isso é bom pensar desde já em uma rede de apoio. Quem poderia cuidar do animal por alguns dias se você fosse internado? Existe alguém de confiança para ajudar numa viagem? O que faria se uma despesa veterinária surgisse de repente? Planejar essas situações não atrai azar; só evita que o pet seja o último a ser lembrado numa emergência.

    Se um dia você realmente não puder continuar com ele, procure ajuda de pessoas próximas, protetores, abrigo ou rede responsável de adoção para encontrar um novo lar seguro. Não o deixe na rua, não o abandone numa caixa diante de uma clínica e não passe o problema adiante sem verificar quem vai recebê-lo. Abandono é cruel e pode configurar crime. O animal não entende boleto, mudança de endereço nem crise familiar; entende que dependia de você.

    Voltar ao índice

    Perguntas para fazer antes de adotar

    1. Consigo assumir esse animal por muitos anos, inclusive quando ele envelhecer?
    2. Tenho tempo diário para alimentar, limpar, brincar, passear quando for preciso e observar a saúde dele?
    3. Pesquisei o custo real da alimentação, dos cuidados de rotina e de uma emergência na minha cidade?
    4. Minha casa está segura e adequada para a espécie e para o porte do animal?
    5. As pessoas que moram comigo participaram da decisão?
    6. Se eu viajar, adoecer ou mudar minha rotina, quem poderá ajudar?
    7. Estou disposto a conhecer o animal que ele é, em vez de cobrar que corresponda à fantasia que fiz dele?

    Se algumas respostas ainda forem “não sei”, tudo bem esperar, pesquisar e se preparar. Adiar uma adoção pode ser um gesto de cuidado. Você também pode ajudar animais e projetos de proteção de outras formas, sem prometer uma convivência para a qual ainda não tem condições.

    Voltar ao índice

    Conclusão: amor se demonstra na terça-feira comum

    Adotar pode ser uma das decisões mais bonitas da vida. Um animal vira companhia, muda a rotina, faz graça, bagunça a casa e, sem pedir licença, ocupa um espaço enorme no coração. Mas a prova do compromisso não acontece só no dia da foto da adoção. Ela aparece numa terça-feira qualquer, quando a ração acabou, está chovendo, o cachorro precisa sair, o gato precisa de consulta e o aquário exige atenção.

    Então, se você está pensando em adotar, torço para que dê certo. Escolha com calma, pergunte, prepare a casa e faça as contas. O bichinho não precisa de uma família perfeita; precisa de uma família que não desapareça quando a vida deixar de ser fácil.

    Obrigado pela sugestão, mãe! E, pra vocês que chegaram até aqui, um abraço. Até a próxima nessa coisa aqui!!!

    Fernando

    Voltar ao índice

    Fontes para saber mais

    As orientações abaixo serviram de base para os cuidados gerais mencionados no texto. Vacinas, alimentação, higiene e tratamentos específicos devem ser definidos com um médico-veterinário que conheça o animal.

    Voltar ao índice