Cidades Pobres X Prefeitos Ricos

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Oi, turma!!

Pois… Tirando o atraso, aqui vai mais um texto de Pedro Cardoso da Costa, sobre certos governantes que, quando “assumem o poder”, têm determinado padrão financeiro e, quando o deixam, por alguma “razão esquisita”, estão três ou quatro vezes mais ricos do que eram antes…

Vamos ao texto, e deixo os comentários por conta de vocês…


Cidade pobre x prefeito rico

Há dez anos, escrevi um texto em defesa do voto facultativo. Uma década depois, quase ninguém o defendeu publicamente. O contrassenso é que quase todos atribuem às reformas a solução de todas as mazelas políticas.

As eleições continuam sendo realizadas a cada dois anos. Uma delas serve de trampolim para o político da vez na eleição seguinte. O cidadão continua pagando pela propaganda política gratuita no rádio e na televisão, por meio da compensação de impostos.

A partir de determinado período desse ano, todos se encherão, mais uma vez, de mensagens chatas e sem conteúdo algum, produzidas por pretensos candidatos que, além de nem saberem falar corretamente, repetirão exaustivamente os velhos clichês e as promessas bestiais de sempre.

Os candidatos apresentarão suas declarações de bens e rendimentos juntamente com os respectivos pedidos de registro. Os eleitos, depois de quatro anos, duplicarão ou quadruplicarão seus bens sem exercer nenhuma outra atividade, apenas com o salário de prefeito.

Alguns, praticamente sem nenhum bem na apresentação do registro, tornar-se-ão fazendeiros, donos de emissoras de rádio e de agências de revenda de automóveis de luxo. Essa ascensão é corriqueira, pública, notória e generalizada.

Nas campanhas, prometerão tudo a todos, porque os eleitores votam nos candidatos que prometem mais. Trata-se de um círculo vicioso. Sem promessas fantasiosas, o candidato não se elege. Como promete tudo a todos, depois de eleito não tem como cumprir. Daí, os eleitores não contemplados são os primeiros a malhar o político que elegeram.

De início, os prefeitos colocarão nos postos de direção e trarão para perto os servidores bajuladores, mesmo sem nenhuma competência. Mandarão para muito longe funcionários excepcionais apenas por terem sido seus adversários políticos.

Eis a principal ação de todos os prefeitos, especialmente daqueles de cidades pequenas.

Nas cidades do Nordeste, a grande realização de cada prefeito é trazer, a preço de ouro, uma banda famosa de forró para animar o São João de sua cidade.

Por causa das despesas com essas bandas, hospitais ficam sem esparadrapo; aulas são ministradas em currais de gado; alunos são transportados em ônibus que são verdadeiras espeluncas; e a merenda escolar permanece no imaginário de alguns.

A mudança de prioridades virá quando as pessoas perceberem que essas situações não ocorrem por fatalidade e quando as autoridades, especialmente o Ministério Público, intervierem para exigir a responsabilização criminal dos prefeitos por omissão, quando pessoas morrerem por falta de remédios, equipamentos adequados e médicos, em razão de eles priorizarem festas em detrimento da saúde.

A mudança mais perceptível ocorre no patrimônio do prefeito eleito, que logo compra carrões, muitos deles importados.

A cada ano, sua riqueza se amplia a ponto de já não caber no próprio município e se expande para outros.

Até agora, mesmo com tantos órgãos oficiais de fiscalização, não se tem notícia de nenhum condenado por enriquecimento sem causa e obrigado a devolver o dinheiro ao erário público.

Os mais renomados, como Orestes Quércia e Newton Cardoso, tornam-se capa da revista Veja.

Os prefeitos de cidades pequenas e paupérrimas guardam reservas para se tornarem deputados, quando reabrem as portas de suas residências aos seus munícipes.

Os eleitores guardam os votos para vendê-los literalmente ou trocá-los por outras promessas na eleição seguinte.

E viva o povo brasileiro!

Pedro Cardoso da Costa
Interlagos/SP
Bel. em Direito


E então?

Detalhe: estou tentando conseguir com o autor o texto que fala sobre o voto facultativo. Seria um assunto interessante para a gente discutir por aqui. Assim que o conseguir, trago o texto para cá…

Abração e aguardo os comentários! Deixo para apresentar minha opinião sobre o assunto assim que eles vierem…

Fernando

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Comentários

Uma resposta para “Cidades Pobres X Prefeitos Ricos”

  1. Avatar de Ezequiel
    Ezequiel

    É a verdadeira panela política, sabe? E os eleitores continuam com
    aquela velha frase: “daqui a quatro anos te dou o troco!” E nunca dá…
    se dá, é de forma triste, por que elege sempre um pior, e que não tem
    experiência. Pedro falou a verdade sobre o povo, que só prestam para
    cair nas promessas dos políticos, e quando um candidato entra na sua
    casa…. aí começa a pedir: “Senhora, bom dia, ou boa tarde! Me consiga
    um pouco de café? Suas crianças são todas lindas… e vou colocar todas
    na escolinha.” Passou campanha, passou promessas.
    Assim vai: do político para o povo, do povo para o político, e ficamos
    a perguntar: que dia isso vai mudar? Onde vamos parar? Nosso povo
    precisa acordar, avaliar, investigar sem medo, a vida daquele
    candidato! Onde este sujeito participou de algum projeto social? Onde?
    É isso que o povo tem que ver, olhar, abri os olhos, e prestar atenção
    naquele prefeito, vereador, (senador e presidente nem tanto), mais
    vereador (estamos em ano de eleição), e não abri! Eu além de nunca ter
    recebido político aqui, também se chegar: “Não posso te atender; vou
    sair.”

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