Categoria: Prof. Pasquale Cipro Neto

  • Paralímpico ou paraolímpico?

    Tempo de leitura: 3 minutos

    Oi turma!

    Tudo bem?

    Aqui tudo.. Como todos vocês, andei ouvindo esse tal de “paralímpico”
    durante as paraolimpíadas de 2012.. Como a maioria, também pensei: “Que
    é isso? Isso não está certo”… E o termo, tanto a mim quanto a muitos,
    acabou soando estranho. Pois, recebi esse excelente artigo do prof. Eduardo Paes,
    que explica o por que do termo e mostra que, mais uma vez, querem que a
    gente engula termos americanizados que andam invadindo línguas por aí.
    Leiam o artigo e tudo ficará mais claro. Eu, de minha parte, vou
    continuar usando o termo original “paraolímpico”, e se querem ver o por
    que, o texto abaixo já diz tudo..


    Paralímpico? Haja bobagem e submissão!

    Prof. Pasquale Cipro Neto

    O meu querido amigo, vizinho, filho e irmão Márcio Ribeiro me pergunta,
    com o seu falar italianado e com influência do linguajar da Casa Verde,
    bairro paulistano em que passou boa parte da vida: “Ma que história é
    essa de ‘paralímpico’? Emburreci, emburrecemos todos?”. E não foi só o
    Márcio. Vários leitores escreveram diretamente para o jornal ou para mim
    para pedir explicações.

    Não, meu caro Márcio, não emburreceste. Nem tu nem os leitores que se
    manifestaram. E, é bom que se diga logo, a Folha não embarcou nessa
    canoa furadésima, furadissíssima.

    Parece que o Comitê Paralímpico Brasileiro adotou a forma “paralímpico”
    para se aproximar da grafia do nome do comitê internacional
    (“paralympic”). Por sinal, o de Portugal também emprega essa aberração –
    o deles se chama “Comité Paralímpico de Portugal” (com acento agudo
    mesmo em “comité”).

    É bom lembrar que o “par(a)-” da legítima forma portuguesa
    “paraolímpico” vem do grego, em que, de acordo com o “Houaiss”, tem o
    sentido de “junto; ao lado de; ao longo de; para além de”. Na nossa
    língua, ainda de acordo com o “Houaiss”, esse prefixo ocorre com o
    sentido de “proximidade” (“paratireoide”, “parágrafo”), de “oposição”
    (“paradoxo”), de “para além de” (“parapsicologia”), de “distúrbio”
    (“paraplegia”, “paralexia”) ou de “semelhança” (“parastêmone”). Os jogos
    são paraolímpicos porque são disputados à semelhança dos olímpicos.

    Talvez seja desnecessário lembrar que esse “par(a)-” nada tem que ver
    com o “para” de “paraquedas” ou “para-raios”, que é do verbo “parar”
    (não esqueçamos que o infame “Des/Acordo Ortográfico” eliminou o acento
    agudo da forma verbal “para”).

    Pois bem. A formação de “paraolímpico” é semelhante à de termos como
    “gastroenterologista”, “gastroenterite”, “hidroelétrico/a”,
    “socioeconômico”, das quais existem formas variantes, em que se suprime
    a vogal/fonema final do primeiro elemento (mas nunca a vogal/fonema
    inicial do segundo elemento): “gastrenterologia”, “gastrenterite”,
    “hidrelétrico/a”, “socieconômico”. O uso não registra preferência por um
    determinado tipo de processo: se tomarmos a dupla
    “hidroelétrico/hidrelétrico”, por exemplo, veremos que a mais usada sem
    dúvida é a segunda; se tomarmos “socioeconômico/socieconômico”, veremos
    que a vitória é da primeira.

    O fato é que em português poderíamos perfeitamente ter também a forma
    “parolímpico”, mas nunca “paralímpico”, que, pelo jeito, não passa de
    macaquice, explicitação do invencível complexo de vira-lata (como dizia
    o grande Nelson Rodrigues). Pelo que sei, em inglês… Bem, dane-se o
    inglês. Danem-se os Estados Unidos, a Inglaterra e a língua inglesa.

    Alta fonte de uma das nossas mais importantes emissoras de rádio me
    disse que o Comitê Paralímpico Brasileiro fez pressão para que a
    emissora adotasse a bobagem, digo, a forma americanoide, anglicoide ou
    seja lá o que for. A farsa é tão grande que, em algumas emissoras de
    rádio e de TV, os repórteres (que seguem ordens superiores) se esforçam
    para pronunciar a aberração, mas os atletas paraolímpicos logo se
    encarregam de pôr as coisas nos devidos lugares, já que, quando
    entrevistados, dão de ombros para a bobagem recém-pronunciada pelo
    entrevistador e dizem “paraolímpico”, “paraolimpíada/s”.

    Eu gostaria também de trocar duas palavras sobre “brasuca/brazuca” e
    sobre o barulho causado pelo “porque” da presidente Dilma, mas o espaço
    acabou. Trato disso na semana que vem. É isso.

    [Folha de São Paulo]


    Pois.. Divirtam-se agora nos comentários então, e, de preferência, não
    engulam tudo que os ingleses e americanos querem!

    Fernando