mar
24

Olá caros amigos e leitores! Tudo bem?
Pois, comigo tudo.. Já a muito tempo venho com um problema no que diz respeito à acessibilidade e usabilidade, com o qual não consigo me conformar: Hoje os cegos tem acesso total e pleno à informática, nos mais diversos sistemas como linux, windows e mesmo sistemas apple; Mesmo equipamentos como celular, iphone e outros na área da comunicação já tem acessibilidade. Um cego, só para dar um exemplo, hoje em dia compra um iphone e basta dar três toques na tecla “home” e o sistema começa a falar dando acesso por voz a todas as funções, ou o cego pode pedir pra uma pessoa que enxerga ativar o leitor de telas, que também é possível e integrado. Mesmo nos computadores isso é possível, o próprio linux ubuntu por exemplo já vem com fala integrada em vários idiomas.. Mas eu fico pensando: E os instrumentos eletrônicos? Nunca ninguém levantou a questão que, também para eles, (E mais do que tudo), seria necessário incluir opções de acessibilidade?

Vou dar meu próprio exemplo: Tenho um teclado Yamaha, PSRS-900; Faz 5 anos que eu o tenho, e posso garantir que, até hoje, não uso nem 50% das funções dele! Um cego pra usar um teclado, além de decorar as funções (Todas que puder), ainda tem que “adivinhar” em algumas vezes o que aparece na tela e o que vai poder responder (Por exemplos perguntas do tipo se quer salvar o arquivo, se quer alternar sem salvar, etc)..

Então imaginem o seguinte: Empresas como a Yamaha, a Roland e outras que fabricam instrumentos eletrônicos poderiam fazer como fez o pessoal da Apple, ou da distro ubuntu, no caso do linux, e colocar fala integrada nos seus sistemas bem como sistemas de ampliação de telas para visão subnormal. Fazer um teclado especial para visão subnormal ou cegos totais, com sistema de fala e ampliação seria contraproducente, já que ou os cegos teriam que se limitar a comprar somente aquele modelo se quisessem ter acessibilidade, ou aquele modelo teria que ser fabricado exclusivamente pela (E para) a acessibilidade.

Contudo, se essas empresas fizessem como fez a apple, ou o pessoal da distro ubuntu, por exemplo, e colocassem a acessibilidade como pré-requisito básico em seus sistemas, um cego poderia comprar um teclado qualquer em uma loja por exemplo, e além de já sair tocando, fazê-lo já com acessibilidade, dependendo apenas de usar uma pequena combinação de teclas para a ativar.

Então, o que pretendemos com esse artigo e a manifestação que estamos fazendo nas redes sociais é conscientizar essas empresas de que, além de ter um grande volume de gente que usa seus equipamentos e que necessita acessibilidade neles (Como teclados, baterias eletrônicas, gravadores digitais e etc), ainda há uma grande necessidade de acessibilidade para esses equipamentos devido ao grande número de funções que os mesmos possuem e que, nem para todas, o antigo método da “decoreba” funciona.

Finalizo por aqui esse pequeno artigo então na expectativa de que os responsáveis nessas empresas que fabricam esses equipamentos (Como Yamaha, Roland, Zoon e outras) possam dar a devida atenção a nossa causa e que, em breve, eu venha a escrever outro artigo comemorando a solução deste problema e os avanços na acessibilidade também no âmbito dos instrumentos musicais..
Um abraço
Fernando

fev
18

Oi turma!!

Tudo bem?

Pois, aqui tudo.. Como alguns já sabem, me submeti, a exatamente um mês, a uma cirurgia de artrodese lombar, uma cirurgia que consiste em fundir vértebras com uso de vergalhões e parafusos, falando de maneira simplificada. Resolvi escrever esse artigo pra compartilhar minha experiência como um modo de juntar minha informação com as múltiplas que se pode encontrar na net e que são, como já sabemos, das mais variadas.

A experiência com essa cirurgia pode ser diversa, e o grande problema consiste em que muitos que estão realmente ruins jogam sua esperança de melhora toda em cima da cirurgia, ou mesmo uns que não estão efetivamente ruins fazem a cirurgia sem ainda não ser realmente necessário e tem, claro, com isso, a piora da dor.

Como sabemos, artrodese, na medicina, significa fusão, ou seja: Fusão óssea de uma articulação. Contudo, a referida articulação, com a artrodese, deixa de existir. Isso pode ser um dado bastante relevante quando se pensa em fazer uma artrodese, especialmente na coluna. Simplesmente por que a mobilidade vai diminuir, e possivelmente vai haver dor se essa mobilidade for tentada (Nos primeiros tempos), como eu mesmo pude confirmar durante minha experiência com essa cirurgia.

Para compartilhar minha experiência de uma forma passo a passo, então, vou começar por alguns fatos que vieram antes dessa cirurgia:

Em 2009, após diversos problemas e diminuição grave da mobilidade na perna esquerda, e, claro, muita dor, fui submetido a uma cirurgia de hérnia de disco, com o DR. João Ivan Lopes, em Pelotas. Ainda antes dessa cirurgia ele me falou que estava tendo disgaste no disco entre l5 e s1 e que, mais cedo ou mais tarde, eu teria de operar provavelmente pra fazer uma cirurgia que iria “fundir” essas vértebras diminuindo, com isso, a dor. Até chegou a levantar a questão de fazer junto já essa cirurgia mas eu não quis.

Após a cirurgia ele me pediu o exame de densitometria óssea, por que achou meus ossos fracos demais para minha idade. Feito então o exame descobriu-se osteoporose grande na coluna, e também perda no quadril e fêmur. Estava ali, claro, uma das prováveis causas do problema. Com o tempo, claro, somamos a ela algumas outras.

Feita então a cirurgia de hérnia, tive uma recuperação boa e sem grandes problemas. Por 2 anos tive tranquilo, até que em 2011 voltei a sentir dor, de forma leve. Após um exame de rotina o médico em questão falou que eu havia perdido, já, mais ou menos 30% do disco. Voltamos à questão da artrodese, que, mais cedo ou mais tarde eu teria de fazer e estava chegando a hora, aparentemente.

Contudo, consegui prorrogar até fim de 2012, quando voltei a sentir, de fato, dores fortes não só na coluna como nas pernas, especialmente esquerda. Então voltei ao DR. João Ivan, e decidimos que, de fato, já estava na hora de tentar a artrodese, por que a tendência, doravante, era somente piorar e não melhorar.

Fiz então a cirurgia, no dia 19/1/2013. Confesso que estava deveras nervoso, especialmente por que, como costumo fazer, busquei na internet informações sobre essa cirurgia e elas eram tão diversas que não havia um parâmetro onde eu pudesse me fixar. Teve alguns dizendo que tiveram um resultado ótimo já desde os primeiros dias; Outros dizendo que os primeiros meses foram uma tortura mas depois melhoraram, outros dizendo que ficaram na mesma, e claro, alguns dizendo mesmo que fizeram a cirurgia e se arrependeram! Como não ficar nervoso numa situação dessas?

Contudo, como quase sempre acontece, me armei de coragem (Que eu nem sei de onde tirei tendo em conta as mais diversas referências), e fui lá e fiz a cirurgia.

Como descrever o pós operatório? Não foi jamais um mar de rosas, mas também não tão horrível quanto poderia ter sido. Eu não sabia que iria ter de colocar sonda na urina: Que coisa chata e desagradável aquilo! E pra tirar então: Não dói, mas arde e incomoda pra caramba… Mas, resumindo a questão: No primeiro dia tive abaixo de morfina e dolantina, e devo dizer que sempre que passava um pouco dos efeitos desses remédios a reação que vinha (Me refiro à dor) não era nada interessante. Soma-se a isso a questão chata e desconfortável de não poder se virar na cama, tendo de ficar de barriga pra cima (Posição na qual eu literalmente nunca consigo dormir). O DR. João Ivan tinha deixado prescrito um medicamento pra me auxiliar no sono se eu pedisse, o qual eu não pedi por que tenho apineia, e pensei: Apineia+remédio pra dormir+barriga pra cima= Uma combinação não muito recomendável… Então, preferi o cansaço e o atraso no sono. Felizmente no outro dia de manhã quando o DR. João Ivan foi me fazer o curativo já autorizou que eu virasse de lado, o que, claro, me botou pra dormir tranquilamente por muitas horas e de forma natural e sem riscos.

Devo dizer que, tanto naquele dia quanto nos primeiros (Especialmente primeira semana), coisas simples como por exemplo se virar na cama se tornam um pouco mais complicadas e se não fossem feitas com apoio dos braços, por exemplo, dói, e o suficiente pra desanimar um pouco. Contudo, nada tem a ver, mesmo nesse estado crítico de pós operatório, com a dor de antes da cirurgia.

Já no terceiro dia, (Dia 21), de tarde, me levantei da cama, não sem algum esforço e também não vou dizer que sem dor, mas o fiz. Já deu até pra tomar um mate com a mãe e a namorada e fiquei mais ou menos uma hora entre de pé e sentado.

Depois, claro, voltei prà cama e só voltei a levantar no outro dia, pra ir pra casa. Devo dizer, que nesse referido dia quase não levantei, por causa da dor, mas no fim consegui, e então pude sair do hospital.

Fiquei os primeiros 4 dias na casa da mãe da minha namorada e então depois fomos pra nossa casa. Mas já no dia seguinte (dia 23) já pude dar algumas caminhadas e ajudar minha mãe a resolver uns problemas computadorísticos, embora tenha quase tido eu um problema por exagerar com o tempo de pé e etc.. Mas tudo bem. Após a primeira semana eu já conseguia ficar bem mais tempo sentado ou de pé, e na segunda semana, tirei os pontos. E devo dizer que essa parte também é bem desagradável: Como levar 22 picadas de agulha duma vez só, uma atrás da outra.. Mas tudo bem: Feita a retirada dos pontos até aproveitei, com alguns cuidados, pra dar uns passeios no centro com a mãe e a Denise. Já voltei pra casa de ônibus e procurei, desde então, agir o mais normal possível, retornando, dentro do permitido, à minhas atividades normais. Hoje estou quase completamente sem dor, (Exceto se faço algum esforço maior), e quase me arrependi de ter cancelado o semestre na facul. Só não estou “completamente” arrependido por que ainda, se cometo algum exagero, tenho um pouco de dor.. Mas não é nada que mesmo um paracetamol 750 e um pouco de repouso não resolvam.

Então, resumindo, o que tenho a dizer sobre essa cirurgia? Nos primeiros dias tu te arrepende, e quase xinga a mãe do cara que inventou ela, mas eu, no meu caso, pelo menos até agora estou tendo uma recuperação excelente, o que fez valer apena o sacrifício. Contudo, relatos como o meu e alguns outros que li, de uma recuperação excelente, são poucos; E deixo um recado à aqueles que estão pensando em fazer essa cirurgia: Pense bem, e avalie bem com seu médico se a possibilidade de melhora é suficiente pra valer o sacrifício do operatório/pós operatório, e mesmo os riscos que nessa (Bem como em qualquer cirurgia que envolve implantes) tem. Feito isso, se achar que vale apena realmente e se você verdadeiramente sente dor a ponto de achar que vale o risco, opere, e, claro, espero que tenha a mesma sorte que eu, e que pegue um bom médico e uma boa equipe pra lhe operar e cuidar do pós operatório. Feito isso, e dado o meu depoimento e recado, deixo a vocês dois links pra olharem, não só pra entenderem o que vai acontecer se fizerem essa cirurgia, como pra não decidirem entrar nessa levianamente:
Vídeo: Mostrando uma cirurgia de artrodese lombar: http://www.youtube.com/watch?v=5SqonUeHS-8
Artigo sobre artrodese lombar no site Dores crônicas: http://dorescronicas.com.br/cirurgia-de-artrodese-lombar-o-que-fazer/

Devo dizer que depois que li esse artigo fiquei um pouco assustado e quase desisti da cirurgia (Isso foi um dia antes de internar); Mas o que o autor do artigo fala é mais ou menos o que estou falando de forma resumida: Não entrem nessa levianamente. A cirurgia pode ser muito positiva, mas deve-se avaliar se realmente é necessário fazer. Eu mesmo não resolvi todos os meus problemas com ela: Ainda tenho dor nas costas, provocada por um problema na região dorsal, mas receio ainda não valer apena operar nesse caso e também não é algo que não se possa suportar.

Termino esse artigo agradecendo às pessoas que doaram sangue para eu poder fazer a cirurgia, bem como a aquelas que ajudaram a divulgar no facebook/twitter. Em apenas 2 dias conseguimos os 5 doadores que eu precisava!!

E, agora, fico por aqui esperando que todos que leiam esse artigo tenham a mesma sorte que estou tendo e que meu depoimento, somado ao material que postei junto com ele, sirvam também de acréscimo às orientações que muitos que vão fazer essa cirurgia ainda precisam.

Leiam bastante, pensem bastante e avaliem bem com o médico.. Feito isso, boa sorte e bola pra frente!!!
Um abraço
Fernando

set
21

Três dias para ver

Olá caros leitores!

Estava aqui, aproveitando as horas que precedem a viagem de volta para Porto Alegre, e, posteriormente, Novo Hamburgo e Pelotas, e, vasculhando os textos do bom e velho dosvox encontrei esse, que me impressionou bastante, não só pela forma como é escrito e por eu conhecer bastante a história de Helen Keller, que o escreveu, como também por eu já, mais de uma vez, ter pensado coisas assim com respeito a meu problema de visão. Muitas dessas coisas que ela falou que faria eu também faria, contudo, em outro post, partindo desse, no futuro direi as que eu faria. Mas deixo isso para os próximos, e vamos ao texto:


O que você olharia se tivesse apenas três dias de visão? Helen Keller, cega e surda desde bebê, dá a sua resposta neste belo ensaio, publicado no Reader’s Digest (Seleções)
Várias vezes pensei que seria uma benção se todo ser humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias no princípio da vida adulta. As trevas o fariam apreciar mais a visão e o silêncio lhe ensinaria as alegrias do som.
De vez em quando testo meus amigos que enxergam para descobrir o que eles vêem. Há pouco tempo perguntei a uma amiga que voltava de um longo passeio pelo bosque o que ela observara. “Nada de especial”, foi à resposta.
Como é possível, pensei, caminhar durante uma hora pelos bosques e não ver nada digno de nota? Eu, que não posso ver, apenas pelo tacto encontro centenas de objetos que me interessam. Sinto a delicada simetria de uma folha. Passo as mãos pela casca lisa de uma bétula ou pelo tronco áspero de um pinheiro.
Na primavera, toco os galhos das árvores na esperança de encontrar um botão, o primeiro sinal da natureza despertando após o sono do inverno. Por vezes, quando tenho muita sorte, pouso suavemente a mão numa arvorezinha e sinto o palpitar feliz de um pássaro cantando. Às vezes meu coração anseia por ver tudo isso. Se consigo ter tanto prazer com um simples toque, quanta beleza poderia ser revelada pela visão! E imaginei o que mais gostaria de ver se pudesse enxergar, digamos por apenas três dias.
Eu dividiria esse período em três partes. No primeiro dia gostaria de ver as pessoas cuja bondade e companhias fizeram minha vida valer a pena. Não sei o que é olhar dentro do coração de um amigo pelas “janelas da alma”, os olhos. Só consigo “ver” as linhas de um rosto por meio das pontas dos dedos. Posso perceber o riso, a tristeza e muitas outras emoções. Conheço meus amigos pelo que toco em seus rostos. Como deve ser mais fácil e muito mais satisfatório para você, que pode ver, perceber num instante as qualidades essenciais de outra pessoa ao observar as sutilezas de sua expressão, o tremor de um músculo, a agitação das mãos. Mas será que já lhe ocorreu usar a visão para perscrutar a natureza íntima de um amigo? Será que a maioria de vocês que enxergam não se limita a ver por alto as feições externas de uma fisionomia e se dar por satisfeita?
Por exemplo, você seria capaz de descrever com precisão o rosto de cinco bons amigos? Como experiência, perguntei a alguns maridos qual a exata cor dos olhos de suas mulheres e muitos deles confessaram, encabulados, que não sabiam.
Ah, tudo que eu veria se tivesse o dom da visão por apenas três dias! O primeiro dia seria muito ocupado. Eu reuniria todos os meus amigos queridos e olharia seus rostos por muito tempo, imprimindo em minha mente as provas exteriores da beleza que existe dentro deles. Também fixaria os olhos no rosto de um bebê, para poder ter a visão da beleza ansiosa e inocente que precede a consciência individual dos conflitos que a vida apresenta. Gostaria de ver os livros que já foram lidos para mim e que me revelaram os meandros mais profundos da vida humana. E gostaria de olhar nos olhos fiéis e confiantes de meus cães, o pequeno scottie terrier e o vigoroso dinamarquês.
À tarde daria um longo passeio pela floresta, intoxicando meus olhos com belezas da natureza. E rezaria pela glória de um pôr-do-sol colorido. Creio que nessa noite não conseguiria dormir.
No dia seguinte eu me levantaria ao amanhecer para assistir ao empolgante milagre da noite se transformando em dia. Contemplaria assombrado o magnífico panorama de luz com que o Sol desperta a Terra adormecida.
Esse dia eu dedicaria a uma breve visão do mundo, passado e presente. Como gostaria de ver o desfile do progresso do homem, visitaria os museus. Ali meus olhos veriam a história condensada da Terra — os animais e as raças dos homens em seu ambiente natural; gigantescas carcaças de dinossauros e mastodontes que vagavam pelo planeta antes da chegada do homem, que, com sua baixa estatura e seu cérebro poderoso, dominaria o reino animal.
Minha parada seguinte seria o Museu de Artes. Conheço bem, pelas minhas mãos, os deuses e as deusas esculpidos da antiga terra do Nilo. Já senti pelo tacto as cópias dos frisos do Paternon e a beleza rítmica do ataque dos guerreiros atenienses. As feições nodosas e barbadas de Homero me são caras, pois também ele conheceu a cegueira.
Assim, nesse meu segundo dia, tentaria sondar a alma do homem por meio de sua arte. Veria então o que conheci pelo tacto. Mais maravilhoso ainda, todo o magnífico mundo da pintura me seria apresentado. Mas eu poderia ter apenas uma impressão superficial. Dizem os pintores que, para se apreciar a arte, real e profundamente, é preciso educar o olhar. É preciso, pela experiência, avaliar o mérito das linhas, da composição, da forma e da cor. Se eu tivesse a visão, ficaria muito feliz por me entregar a um estudo tão fascinante.
À noite de meu segundo dia seria passada no teatro ou no cinema. Como gostaria de ver a figura fascinante de Hamlet ou o tempestuoso Falstaff no colorido cenário elisabetano! Não posso desfrutar da beleza do movimento rítmico senão numa esfera restrita ao toque de minhas mãos. Só posso imaginar vagamente a graça de uma bailarina, como Pavlova, embora conheça algo do prazer do ritmo, pois muitas vezes sinto o compasso da música vibrando através do piso.
Imagino que o movimento cadenciado seja um dos espetáculos mais agradáveis do mundo. Entendi algo sobre isso, deslizando os dedos pelas linhas de um mármore esculpido; se essa graça estática pode ser tão encantadora, deve ser mesmo muito mais forte a emoção de ver a graça em movimento.
Na manhã seguinte, ávida por conhecer novos deleites, novas revelações de beleza, mais uma vez receberia a aurora. Hoje, o terceiro dia, passarei no mundo do trabalho, nos ambientes dos homens que tratam do negócio da vida. A cidade é o meu destino.
Primeiro, paro numa esquina movimentada, apenas olhando para as pessoas, tentando, por sua aparência, entender algo sobre seu dia-a-dia. Vejo sorrisos e fico feliz. Vejo uma séria determinação e me orgulho. Vejo o sofrimento e me compadeço.
Caminhando pela 5ª Avenida, em Nova York, deixo meu olhar vagar, sem se fixar em nenhum objeto em especial, vendo apenas um caleidoscópio fervilhando de cores. Tenho certeza de que o colorido dos vestidos das mulheres movendo-se na multidão deve ser uma cena espetacular, da qual eu nunca me cansaria. Mas talvez, se pudesse enxergar, eu seria como a maioria das mulheres – interessadas demais na moda para dar atenção ao esplendor das cores em meio à massa.
Da 5ª Avenida dou um giro pela cidade – vou aos bairros pobres, às fábricas, aos parques onde as crianças brincam. Viajo pelo mundo visitando os bairros estrangeiros. E meus olhos estão sempre bem abertos tanto para as cenas de felicidade quanto para as de tristeza, de modo que eu possa descobrir como as pessoas vivem e trabalham, e compreendê-las melhor.
Meu terceiro dia de visão está chegando ao fim. Talvez haja muitas atividades a que devesse dedicar as poucas horas restantes, mas acho que na noite desse último dia vou voltar depressa a um teatro e ver uma peça cômica, para poder apreciar as implicações da comédia no espírito humano.
À meia-noite, uma escuridão permanente outra vez se cerraria sobre mim. Claro, nesses três curtos dias eu não teria visto tudo que queria ver. Só quando as trevas descessem de novo é que me daria conta do quanto eu deixei de apreciar.
Talvez este resumo não se adapte ao programa que você faria se soubesse que estava prestes a perder a visão. Mas sei que, se encarasse esse destino, usaria seus olhos como nunca usara antes. Tudo quanto visse lhe pareceria novo. Seus olhos tocariam e abraçariam cada objeto que surgisse em seu campo visual.
Então, finalmente, você veria de verdade, e um novo mundo de beleza se abriria para você.
Eu, que sou cega, posso dar uma sugestão àqueles que vêem: usem seus olhos como se amanhã fossem perder a visão. E o mesmo se aplica aos outros sentidos.
Ouça a música das vozes, o canto dos pássaros, os possantes acordes de uma orquestra, como se amanhã fossem ficar surdos. Toquem cada objeto como se amanhã perdessem o tacto. Sintam o perfume das flores, saboreiem cada bocado, como se amanhã não mais sentissem aromas nem gostos. Usem ao máximo todos os sentidos; goze de todas as facetas do prazer e da beleza que o mundo lhes revela pelos vários meios de contacto fornecidos pela natureza. Mas, de todos os sentidos, estou certa de que a visão deve ser o mais delicioso.


E então? Deixo vocês se divertirem com os comentários, nessa coisa aqui, e a gente vai se falando.
Um abraço
Fernando

set
21

Oi turma!
Tudo bem?

Pois.. Alguns já devem ter se perguntado: esse cara sumiu de novo? Vem, posta uma meia dúzia de coisas e depois vai embora por lá sei eu quanto tempo? Não, nada disso…

Como alguns sabem, eu e o Diniz daríamos um mini-curso de rádioweb no CONADI2012, em 20/12/2012. Na última hora, por motivo de saúde, o Diniz não pode participar da ministração do curso, e tive que substituí-lo, encima da hora, pelo Luidi que se mostrou, naturalmente, uma ótima escolha, como eu já imaginava e comprovei na prática.

Então: Na segunda passei o dia arrumando o que havia ficado por arrumar e na terça, parti para São José dos Campos, SP, de avião até Guarulhos, e de carro até São José.

Meu voo partiu na terça, a uma da tarde, e imaginem que para isso acontecer eu tive que ir pro aeroporto as 9 da manhã, por que de Novo Hamburgo até Porto é mais ou menos uma hora, correndo tudo bem. Esqueci de acrescentar que partimos abaixo de chuva, ainda bem que minha mãe foi comigo até lá, senão as coisas iriam se complicar um pouquinho…

Pois bem: Consegui chegar no aeroporto por volta das 10:30, com chuva e tudo, e claro, imaginem a combinação: cego+bengala+mala+mochila+bolsa+pochete+chuva? =Confusão total, claro, mas tudo bem… Faz parte da carga de acontecimentos não previstos que, claro, como não poderia deixar de ser, são bastante divertidos… Então: Cheguei no aeroporto e fiz o check in, já me livrando dessa parte, e fomos numa lanchonete, por que claro: eu não iria almoçar e sabe-se lá que horas iria chegar em São José.. Pois: Apenas uma taça de café e um pãozinho com batata, 10 reais! Como sempre o absurdo dos preços dos lanches no aeroporto que infelizmente as vezes a gente tem que pagar. Mas tudo bem: Dei um paliativo pro estômago e enrolei até o meio-dia, quando seria a hora do embarque. Fui prà sala de embarque já contando que em alguns minutos iria pro avião e fui enrolado mais um pouquinho, indo embarcar no último grupo já por volta de 10 prà uma. Isso que, claro, eles disseram que meu embarque era prioridade, imaginem se não fosse.. Talvez eu perderia o avião…Aaa…

Como já falei, cheguei aqui por volta de 14:40, e fiquei esperando o motorista, que veio pouco depois. Fui pro hotel e tenho que dizer que fiquei muito bem acomodado.. Imaginem a seguinte combinação: Chuveiro a gás, barzinho cheio de coisas interessantes, ar condicionado, e.. 4 telefones num mesmo quarto, inclusive um telefone no banheiro, do lado do vaso (Só nem quero pensar na utilidade que se possa dar a ele)… Em fim: Foi o melhor hotel que já fiquei até hoje. Rango 24 horas, podendo pedir o que quiser no quarto que eles mandam, pensão completa (Ou seja: café, almoço e janta), e claro, uma cama confortável e uma escrivaninha boa pra meter o notebook, além de internet sem fio que as vezes não funciona, mas quando funciona é boa.

Na quarta de manhã fui para o evento e lá fiquei pela manhã inteira, assisti a plenária “Relatório mundial sobre a deficiência: recomendações para políticas públicas” e também a terceira mesa que foi sobre novas tecnologias de comunicação.

Almocei e retornei ao hotel pela tarde, para esperar o Luidi, claro, precisávamos combinar as “coordenadas” da palestra de quinta e claro, nem sempre é só isso que acontece, sempre rola algumas bagunças no meio. Nos programamos de sair com uns amigos e assim foi. Claro que “cego que não enxerga” tem sempre que fazer umas trapalhadas, como alguns puderam ver em meu Twitter, mas foi divertido. Eu e o Luidi, depois que retornamos, ficamos até mais de 3 da manhã conversando, combinando questões sobre o mini curso e claro, falando um pouco de besteiras também como não poderia deixar de ser.

No outro dia saímos ao meio-dia e fomos para o local do evento já pra deixar tudo pronto na sala do curso, e então depois fomos almoçar. Depois do almoço tivemos quase uma hora de intervalo até a hora do curso pra relaxar ou ficar mais nervoso ainda, cada um escolheria sua opção… Eu escolhi a minha entre essas duas, como não poderia deixar de ser. Na palestra falamos sobre produção de áudio, automação, história das webradios e um pouco sobre transmissão. Duas horas é de fato pouco tempo pra falar sobre um tema com tantas ramificações e de tal complexidade, mas suponho que a gente tenha conseguido atingir nossos objetivos. De fato, um curso só sobre zararadio, que é um dos programas que usamos para automação, pra ser a contento teria que ter 3 ou 4 aulas, então imaginem falar sobre automação, produção, história e transmissão de uma webradio em duas horas… A sorte é que temos uma apostila pra distribuir pros interessados, e claro, nossos contatos.

Pra terminar essas minhas façanhas São Paulísticas, voltei pro hotel por volta das 17:30 e claro, mais morto do que vivo, fui dormir um pouco que acabou sendo um “muito”, acordando só por volta da meia-noite e meia quando claro, resolvi pedir a janta. Sim, jantei passado da meia-noite! E depois fui tomar uma ducha que claro, em hotel tem que ser de mais de uma hora, e agora to aqui, escrevendo pra vocês, leitores dessa coisa aqui…

Amanhã, vou pro congresso de manhã e pego o carro que vai me levar pro aeroporto as 11, e o avião as 14:00. Chego em Porto Alegre por volta das 16:00 e em Novo Hamburgo por volta das 17:30, correndo tudo bem. Amanhã então, volto aqui, pra compartilhar mais algumas experiências e claro, em breve escreverei também um artigo (Inspirado em algo que ouvi por aqui), sobre um termo que ouço com muita frequência: “Portador de deficiência”… Não vou adiantar nada agora pra não estragar a leitura futura de vocês.

Fico por aqui então, e nos vemos em breve com mais novidades. Um grande abraço!
Fernando

set
17

Oi pessoal, tudo bem?

Pois.. Eu tinha prometido escrever o artigo sobre um certo livro do Dan Brown como próximo post, mas nem sempre as coisas correm como a gente planeja.
Ademais, tem coisas que acontecem na vida da gente que não podem ser negligenciadas principalmente quando a gente pertence a uma classe na qual uma palavra dirigida a nós não se torna apenas uma ofensa pessoal e sim a demonstração clara e aberta de um preconceito estúpido e desnecessário dirigido a ela, ainda mais, como falei num certo post anterior, com toda a informação e comunicação que se tem hoje em dia. O curioso, como também mencionei no tal post, é que essas coisas acontecem aqui, em Novo Hamburgo, perto da capital, mas não me lembro de ter histórias como essa pra contar na minha cidade, Pelotas.
De qualquer forma, a obrigação da gente nesses casos é, de alguma forma, tentar esclarecer e nisso, mesmo com a quantidade de informação que já se tem disponível, falar nunca é demais. Vamos ao fato: Hoje fui na igreja com minha mãe, e logo na entrada, (Claro que diante de pessoas que não me conheciam, mas isso pouca diferença deveria fazer), após as apresentações ouvi uma pessoa comentar: “Que engraçadinho ele…”
Hora: Não é a primeira vez que ouço esse tipo de coisa e creio que todos os meus colegas e amigos dvs, leitores dessa coisa aqui, vão confirmar também já ter passado por experiências semelhantes, algumas eu mesmo já tendo ouvido contar. Contudo, imaginem o seguinte: Não querendo me gabar, mas a informação se faz necessária no contesto: Eu, graduando de música na ufpel, produtor de áudio desde 1998 e tendo já feito vários cursos incluindo programação, rádio e outros e podendo me engajar em diversas áreas do mercado de trabalho, se fosse procurar um emprego sem fazer concurso hoje em dia pouco iria conseguir, como aconteceu com muitos amigos meus inclusive que, ainda bem mais graduados que eu tem que aceitar qualquer emprego por que só as vagas nos empregos mais (Básicos ou baixos)? São ofertadas aos deficientes. A gente aguentaria isso se não fossem os preconceitos estúpidos que levam uma pessoa que chegou em ti e ta pela primeira vez falando contigo dizer: Que engraçadinho ele!…
Por que digo isso? Simples: Essa idiotice de dizer coisas como “que engraçadinho, que bonitinho e etc”, e aqui peço que desculpem o termo mesmo mas infelizmente não consigo pensar em outro melhor, além de moralmente destruir a pessoa que ouve, colocando-a numa condição de criança ou mesmo incapaz, ainda é um absurdo a aquilo que a pessoa, com a deficiência que tem, representa: Sabemos hoje que mesmo algumas pessoas com deficiência mental, podem constituir familia, ter um emprego, em fim: ser tratadas como um igual pelo resto da sociedade. Ver um deficiente visual pela primeira vez e se referir a ele como “engraçadinho” é o absurdo dos absurdos, não só por ser uma atitude tomada sem conhecimento de causa, como por ser um preconceito estúpido e desnecessário, e ainda mais: Jamais pode ser justificado com coisas como “falta de informação”. Amigos e leitores, não estamos mais no século passado, onde, embora ainda absurdas, essas coisas eram compreensíveis: Estamos num tempo com uma quantidade de leis, informação e comunicação que faz com que algo como isso seja no mínimo grosseiro com a pessoa que ouve esse tipo de coisa.
Finalmente, deixo um recadinho a meus leitores: Em breve, até o termo “deficiência” vai cair em desuso. Se já isso está quase acontecendo, tomara que olhar para um cego e dizer coisas como “Que engraçadinho” seja um dia motivo de chacota. A informação está aí: No rádio, na TV, na internet… Apenas não a ouve, vê ou lê quem não quer.
Um abraço..
Fernando

set
10

Oi turma!
É curioso… Historinhas como essa que relato hoje já aconteceram com diversos amigos meus, mas a gente pensa que com o tempo, a informação e as leis, as coisas mudam.. Mas que nada!
Bom, vamos começar do começo, relatando o fato, e deixar os comentários e as “comparações” para depois:
Foi hoje pela manhã que o fato se deu: Fui num dentista, fazer uma revisão de rotina, acompanhado pela minha mãe. Não sei se por costume ou o que, mas normalmente que ando com ela (ou com alguém que enxerga), não uso a bengala, e quando ando com a mãe nem fico com a bengala aberta na mão. Então: Cheguei no consultório do dentista e já estava na minha hora: Tive de entrar correndo prà consulta, e, quando estava entrando minha mãe disse: Vou ali acertar o estacionamento e já volto. Pois..
Cumprimentei o dentista e ele perguntou para minha mãe qual era o motivo pelo qual eu estava lá. Minha mãe disse que eu explicaria e ela iria sair e ele, com aquela voz de quase desespero, disse: “Não, mas acho que a senhora tem que ficar junto!”… Dessa vez, claro, fui eu que respondi educadamente: Não, não se faz necessário. Despedi a minha mãe e quando ele perguntou novamente por que eu estava lá, respondi que era uma consulta somente de rotina. No decorrer da consulta ele, de início, ainda me tratou diferente, mas claro que eu corrigi isso através de diálogos no qual a própria postura da gente mostra nossa verdadeira condição. A partir de então ele me tratou como um igual, claro. Mas, no meio da consulta, eu que já aprendi a não deixar pra depois o que incomoda, perguntei diretamente por que ele havia falado com minha mãe e não diretamente comigo… A resposta foi que não havia ficado claro, quando ele me viu, qual a deficiência que eu tinha. Agora eu pergunto: Deficiência tem cara? Jamais ouvi uma desculpa tão inteligente e bem colocada.. Claro que, na hora, eu não discuti com ele por que seria improdutivo, mas parando pra pensar não pude deixar de trazer essa experiência pra cá.
Naturalmente que reconheço a minha parte da culpa: eu tava andando segurando no braço da minha mãe e sem bengala. Contudo minha deficiência visual é evidente e se ele foi capaz de notar que eu tinha uma deficiência, como não se deu conta que era visual então? Ademais, se eu tivesse algum tipo de deficiência mental que não pudesse ficar sozinho, minha mãe naturalmente não me deixaria sozinho, não é?
A questão é: Hoje temos comunicação, informação, leis e também diversos deficientes visuais inseridos no mercado de trabalho. Curiosamente, e isso eu já mencionei de relance no início do artigo, tenho de fazer um comparativo aqui: Eu moro em Pelotas, que é uma cidade do interior… Ta certo que moro sozinho lá e isso muda um pouco a realidade, mas.. Lá, que é uma cidade do interior, eu não me lembro de ter acontecido esse tipo de coisa comigo! Nunca fui tratado de forma diferente; Sempre como um adulto, em fim, como igual. Aqui, em Novo Hamburgo e São Leopoldo, que são cidades próximas da capital e supostamente com mais acesso à informação e tudo o mais, essa não foi a primeira e nem vai ser a última vez que esse tipo de coisa vai acontecer… E eu pergunto: Onde está o principal fator que leva as pessoas a fazerem esse tipo de coisa? Não pode estar na falta de informação, nem tão pouco na minha postura cujo problema foi somente a ausência da bengala… Onde então?
Fica a pergunta para aqueles que quiserem dialogar através dos comentários dessa coisa aqui. Mas parece que, em alguns aspectos, pelo menos pela minha experiência, algumas cidades do interior estão bem mais informadas e preparadas que as capitais ou cidades próximas..
Era isso.. Um abraço e aguardo os comments!
Fernando

set
10

Oi turma!

Tudo bem?

Aqui tudo.. Como todos vocês, andei ouvindo esse tal de “paralímpico”
durante as paraolimpíadas de 2012.. Como a maioria, também pensei: “Que
é isso? Isso não está certo”… E o termo, tanto a mim quanto a muitos,
acabou soando estranho. Pois, recebi esse excelente artigo do prof. Eduardo Paes,
que explica o por que do termo e mostra que, mais uma vez, querem que a
gente engula termos americanizados que andam invadindo línguas por aí.
Leiam o artigo e tudo ficará mais claro. Eu, de minha parte, vou
continuar usando o termo original “paraolímpico”, e se querem ver o por
que, o texto abaixo já diz tudo..


Paralímpico? Haja bobagem e submissão!

Prof. Pasquale Cipro Neto

O meu querido amigo, vizinho, filho e irmão Márcio Ribeiro me pergunta,
com o seu falar italianado e com influência do linguajar da Casa Verde,
bairro paulistano em que passou boa parte da vida: “Ma que história é
essa de ‘paralímpico’? Emburreci, emburrecemos todos?”. E não foi só o
Márcio. Vários leitores escreveram diretamente para o jornal ou para mim
para pedir explicações.

Não, meu caro Márcio, não emburreceste. Nem tu nem os leitores que se
manifestaram. E, é bom que se diga logo, a Folha não embarcou nessa
canoa furadésima, furadissíssima.

Parece que o Comitê Paralímpico Brasileiro adotou a forma “paralímpico”
para se aproximar da grafia do nome do comitê internacional
(“paralympic”). Por sinal, o de Portugal também emprega essa aberração –
o deles se chama “Comité Paralímpico de Portugal” (com acento agudo
mesmo em “comité”).

É bom lembrar que o “par(a)-” da legítima forma portuguesa
“paraolímpico” vem do grego, em que, de acordo com o “Houaiss”, tem o
sentido de “junto; ao lado de; ao longo de; para além de”. Na nossa
língua, ainda de acordo com o “Houaiss”, esse prefixo ocorre com o
sentido de “proximidade” (“paratireoide”, “parágrafo”), de “oposição”
(“paradoxo”), de “para além de” (“parapsicologia”), de “distúrbio”
(“paraplegia”, “paralexia”) ou de “semelhança” (“parastêmone”). Os jogos
são paraolímpicos porque são disputados à semelhança dos olímpicos.

Talvez seja desnecessário lembrar que esse “par(a)-” nada tem que ver
com o “para” de “paraquedas” ou “para-raios”, que é do verbo “parar”
(não esqueçamos que o infame “Des/Acordo Ortográfico” eliminou o acento
agudo da forma verbal “para”).

Pois bem. A formação de “paraolímpico” é semelhante à de termos como
“gastroenterologista”, “gastroenterite”, “hidroelétrico/a”,
“socioeconômico”, das quais existem formas variantes, em que se suprime
a vogal/fonema final do primeiro elemento (mas nunca a vogal/fonema
inicial do segundo elemento): “gastrenterologia”, “gastrenterite”,
“hidrelétrico/a”, “socieconômico”. O uso não registra preferência por um
determinado tipo de processo: se tomarmos a dupla
“hidroelétrico/hidrelétrico”, por exemplo, veremos que a mais usada sem
dúvida é a segunda; se tomarmos “socioeconômico/socieconômico”, veremos
que a vitória é da primeira.

O fato é que em português poderíamos perfeitamente ter também a forma
“parolímpico”, mas nunca “paralímpico”, que, pelo jeito, não passa de
macaquice, explicitação do invencível complexo de vira-lata (como dizia
o grande Nelson Rodrigues). Pelo que sei, em inglês… Bem, dane-se o
inglês. Danem-se os Estados Unidos, a Inglaterra e a língua inglesa.

Alta fonte de uma das nossas mais importantes emissoras de rádio me
disse que o Comitê Paralímpico Brasileiro fez pressão para que a
emissora adotasse a bobagem, digo, a forma americanoide, anglicoide ou
seja lá o que for. A farsa é tão grande que, em algumas emissoras de
rádio e de TV, os repórteres (que seguem ordens superiores) se esforçam
para pronunciar a aberração, mas os atletas paraolímpicos logo se
encarregam de pôr as coisas nos devidos lugares, já que, quando
entrevistados, dão de ombros para a bobagem recém-pronunciada pelo
entrevistador e dizem “paraolímpico”, “paraolimpíada/s”.

Eu gostaria também de trocar duas palavras sobre “brasuca/brazuca” e
sobre o barulho causado pelo “porque” da presidente Dilma, mas o espaço
acabou. Trato disso na semana que vem. É isso.

[Folha de São Paulo]


Pois.. Divirtam-se agora nos comentários então, e, de preferência, não
engulam tudo que os ingleses e americanos querem!

Fernando

set
10

Oi turma!!

Pois.. Quem não sente saudades dos textos do Pedro Cardoso da Costa
nessa coisa aqui? Pois.. foi culpa minha que eles não apareceram mais:
Eu sumi, e eles sumiram também, mas cá estamos nós (Eu e os textos) de
volta.. E o texto que hoje trago o título já diz tudo, vou deixar que
vocês, nos comentários, se divirtam e eu respondo…


Leite por voto

Não resta dúvida de que a sociedade brasileira está saturada já há muito
tempo desse modelo de campanhas eleitorais de promessas vazias, de mundos e
fundos, que todos sabem que não serão cumpridas e que todos esquecem
rapidamente. Mas existe um vício de dupla mão: se o candidato não promete e
mostra projetos realizáveis apenas, não será eleito, se faz as promessas
mirabolantes sabendo que não cumprirá. Já o eleitor vota nos gurus para,
depois de consolidados nos postos, alegar que fora enganado pelas
promessas.

Se não me falha a memória de cidadão, a atual presidenta da República
prometeu a construção de dois milhões de moradias no seu mandato. No fim
desse ano já transcorreu metade dele e não se tem notícia se um milhão já
foi entregue. Em sã consciência, quem votou com base nessa promessa, não se
deu conta da sua inviabilidade porque não quis.

Apesar de o histórico ser antigo entre o “tudo que será feito” e o quase
nada realizado, o eleitor continua com esse fingimento de se fazer enganar.
Antes, as críticas eram atribuídas às compras diretas em rincões do Brasil.
Algumas condutas tornaram-se clichês que hoje se virariam verdadeiros memes
na internet. O mais destacado seria a tal da dentadura em duas metades, uma
antes e outra depois da eleição. O par de sapatos entregue nas mesmas
condições seria outro, pé direito para garantia, pé esquerdo depois de
confirmado o voto.

Existe um inconsciente coletivo em todo o país de que somos uns pobres
coitados, vítimas eternas dos políticos, gestores, e até dos pretendentes a
esses cargos. Compra e venda de votos todos têm um conhecimento empírico
dessa prática. Como tudo que é ilegal, ninguém passa recibo, e quando
entrega não vem com a indicação da mercadoria correta. Negócios de compra
e venda no andar de cima são mais velados, porém de resultados mais
concretos. Nos meios políticos, essa negociação recebe o nome de apoio, de
base aliada, de governabilidade. É aceita como legal e legitimamente por
todos.

Não resta dúvida de que as pessoas precisam se apresentar ao público em
geral, nem todos são conhecidos o suficiente para se eleger a algum cargo.
Mas o modelo de campanhas está por demais saturado. A maioria defende
causas genéricas e redundantes, porque ninguém em sã consciência seria
contra, mas poucos têm alguma ideia inovadora. Sou João da Silva lutarei
pela “pela educação de qualidade”; sou Zé da Perua, defenderei as causas
dos perueiros. Assim se dissemina a cultura de falar bobagens com base na
nas pesquisas de que elas alcançam público e votos. Poderiam ao menos
colocar alguma informação de interesse geral nos baners, nas bandeirolas,
nos pronunciamentos no rádio e na televisão. Reforçar a necessidade do
exame de toque, da consulta ginecológica, aos pais para levarem as crianças
ao dentista, além de tantas outras.

Como os exageros estão presentes em todas as ações humanas, algumas
campanhas são recheadas de abusos linguísticos, do poder econômico e
algumas chegam ao cometimento de eventuais crimes, amparadas sempre no
binômio necessidade do eleitor e poder econômico do candidato. Meu amigo
Glauco Rodrigues da Conceição, morador de Caieiras, Grande São Paulo, tem
especial aversão às campanhas eleitorais envoltas na exploração de crianças
e repassa toda notícia de que tenha conhecimento. As mais recentes foram
comentários de moradores da vizinha Franco da Rocha de que o atual vice e
candidato a prefeito estaria se utilizando de um programa de entrega de
leite para angariar votos, conduta semelhante à ocorrida na capital, onde
santinhos de candidatos teriam sido entregues junto às caixas de leite em
pó.

Certo mesmo é que as campanhas nesse padrão existem pela mesma razão que as
baixarias na televisão: muita gente aceita e dá retorno. Assim como só o
traficante é execrado – eles são crias dos usuários, também só existe o
explorador e comprador de voto porque tem uma vasta clientela faminta de
benesses e favores. Apesar desse argumento para pôr pingo nos is, estou
com o Glauco, porque isso não retira a legitimidade do combate permanente.
Da mesma maneira que se combate a morte mesmo com a certeza da derrota.

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP


Um abraço!

Fernando

ago
27

Oi turma!

Tudo bem?

Aqui tudo.. Venho hoje com uma novidade que, como “gaiteiro” e
apaixonado por acordeon (além de conhecer muitos que também gostam),
fico muito feliz em finalmente poder trazer:

Quem não lembra dos acordeões Todeschini? Os melhores acordeões que já
houveram no Brasil, e, ainda hoje, mesmo já com alguns tendo seus 40 ou 50
anos, são os mais procurados pra quem deseja fazer um trabalho sério no
ramo?

Pois.. recebi por acaso, num método que eu poderia categorizar de spam,
a informação de que eles estão de volta! Confesso que foi o melhor spam
que jamais eu recebi na minha vida,aaa… O e-mail em questão falava dos
“novos acordeões Todeschini”, e eu como um bom curioso e apaixonado pelo
ramo fui fuçar no site e escrevi também para o e-mail de contato deles,
recebendo resposta quase que de imediato. Não posso agora dar
informações sobre a qualidade dos respectivos acordeões, nem fazer um
comparativo, mas estou planejando uma visita à fábrica assim que
possível e prometo trazer uma gravação e mais informações sobre esses
novos acordeões, assim que as tiver.

Por agora, deixo a vocês o site do fabricante, onde podemos ver
informações e mesmo conhecer a história, desde os tempos da velha
Todeschini até agora.. Tomara que eu consiga logo fazer a tal visita,
mas fica a informação para os que, como eu, gostavam da marca e adoram o
instrumento..

O site é:
www.acordeontodeschini.com.br

Um abraço e espero que, como eu, gostem da novidade!

Fernando

jun
21

Oi turminha!

Tudo bom?

Aqui tudo.. Finalmente essa coisa aqui começa a ter atualizações
periódicas.. Quanto tempo será que vai durar? É o que eu mesmo me
pergunto.. Mas não se preocupem: Eu sempre apareço, sumo, reapareço,
etc, etc e etc…

Bom, depois de quase 5 meses sem orkut e uma curiosidade quase
interminável de fuçar o orkut dos outros que foi aumentando com a “crise
de abstinência orkutística”, somado ao fato de que eu também sentia
necessidade de que fuçassem no meu orkut também, e de postar aquelas
fotos lá, e coisa e tal, bom, vortei!! Retornei e estou de vorta bem
vortado! E quem quiser ir fuçar lá, ou mesmo me adicionar, o link do meu
perfil é:

http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=1084937381958433985&rl=t

Me adicionem e vejo vocês lá!!

Um abraço

Fernando