jul
04

Olá caros leitores! Hoje trago mais um texto do Pedro Cardoso da Costa que, por estar de acordo completamente com minha forma de pensar e pelo tema estar em voga, é o primeiro a ser publicado no meu “retorno” ào blog, mesmo antes dos motivos da minha ausência, que acho não tanto relevantes. Acrescento aos que não defendem a alteração da maioridade penal que procurem entrevistar e mesmo conviver com as famílias das vítimas um pouco, isso valerá melhor que qualquer argumento dos opostos. Vamos ào texto:

Sem idade para crime


Quem assiste às sessões da Câmara dos Deputados tem todo direito de não acreditar na evolução deste país. É de doer perceber o despreparo de quase todos os representantes do povo para enfrentar determinadas matérias com serenidade e domínio. Está sendo assim com a diminuição da maioridade penal.

Na sociedade dois blocos se formaram; os favoráveis e os contrários. No Congresso são vários grupos, a maioria varia entre os quase contra e os quase a favor. É o muro funcionando.

Quem é a favor, basta apresentar o número de atrocidades praticadas por menores e a correlação com penas brandas, com no máximo três anos de internação, quase nunca cumpridos integralmente.

Os contrários têm uma vasta relação de justificativas, que podem ser incluídas no velho e batido clichê de que “quem quer resolver sempre arruma um jeito, quem não quer arruma uma desculpa”.

Alegam, principalmente, que os menores vão para cadeias que são verdadeiras escolas do crime. Dentre estes, está o ministro da Justiça. Numa sociedade mais reativa, esse ministro não ficaria no cargo com um argumento desses.

Bastaria indagar-lhe de quem é a responsabilidade pela construção, pelos “alunos e professores” e funcionamento geral dessas escolas.

Uma prisão digna, com funcionamento adequado é pura e exclusivamente atribuição dos governos. As penitenciárias deveriam se limitar a manter as pessoas reclusas, sem permitir abusos, maus-tratos; onde prevaleça a ordem, que tenham projetos de inclusão social, assistência psicológica e, além de tudo, de segurança para todos. E se de lá saem piores não é pela vontade nem participação da sociedade, a principal prejudicada dessa história.

Quem faz essa defesa, é como se fizesse uma birra com a população. Ou escolhe ficar com um bandido que “só” mate alguns enquanto menor, ou um matador em série após a prisão.

A maioria dos argumentos é desfocada dos verdadeiros responsáveis e causas. Numa discriminação típica de quem tem o preconceito intrínseco, responsabiliza o meio social como o fator determinante de crimes como estupro, sequestro e outros. Essa não é só banal, é uma injusta discriminação social. Todo mundo sabe que a bandidagem mais perniciosa a todos não está nas “comunidades”.

Ainda que fosse isso, as medidas preventivas devem ser implementadas para evitar os crimes. Parece óbvio. Após os crimes, a discussão é se os autores devem ou não ser punidos.

Ainda que distorcido todo o debate, a Câmara dos Deputados aprovou a punição “como adultos” para maiores de 16 anos que cometam crimes hediondos e – olha isso! – assassinatos dolosos. Assassinato doloso não é hediondo? E deixaram como antes a permissão, por exemplo, para continuarem traficando. Parece deliberado para não prejudicar o ramo de atividade criminosa que, segundo eles mesmos e todos os especialistas, mais se utilizam de menores como porta de entrada para os demais crimes.

Esse Congresso é ou não é de doer?

Quem comete crime não deve ser punido “como adulto”; deve ser punido “como criminoso”.

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP


E então? Aguardamos vocês nos comentários, inclusive os que são contra pois nossa moderação costuma ser imparcial. Só não somos quanto à ofenças pessoais e palavras de baixo calão, portanto, vamos discutir e cumprimentos a todos!

mar
02

O causo das escrituras

Pois é, bagualada!! A milhares e milhões de tempos que estou pra postar isso aqui e não fiz… É claro que alguns leitores vão querer minha cabeça, mas outros vão rir a valer, então… Vamos ao causo!

O causo das escrituras

Este texto anônimo, foi encontrado escrito a ponta de faca no balcão de um bolicho, hoje Tapera-RS, no Passo do Elesbão, ‘Quinto Distrito deCacequi’: O causo das escrituras

Pois não sei se já les contei o causo das Escrituras Sagradas.  Se não les contei, les conto agora. A história essa é meio comprida, mas vale a pena contá por causa dos revertério.De Adão e Eva acho que não é perciso contá os causo, porque todo mundo sabe  que os dois foram corrido do Paraíso por tomá banho pelado numa sanga.Naqueles tempo, esse mundaréu todo era um pasto só sem dono, onde não tinha nem dele nem meu. O primeiro índio a botá cerca de arame foi um tal de Abel.

Mas nem chegou a estendê o primeiro fio porque levou um pontaço no peito do irmão dele, um tal de Caim, que tava meio desconforme com a divisão. O Caim, entonces, ameaçado de processo feio, se bandeou pro Uruguay. Deixou o filho dele, um tal de Noé, tomando conta da
estância. A estância essa ficava nas barranca de uma corredera e o Noé, uns ano despois, pegou uma enchente  muito feia pela frente. Cosa munto séria. Caiu água uma barbaridade. Caiu tanta água que tinha até índio pescando jundiá em cima de cerro. O Noé entonces botou as criação em cima de uma balsa e se largou nas correnteza, o índio velho.  A enchente era tão braba que quando o Noé se deu conta abalsa tava atolado num banhado chamado Dilúvio.

Foi aí que um tal de Moisés varou aquela água toda com vinte junta de boi e tirou a balsa do atoleiro. Bueno, aí com aquele desporpósito, as família ficaram amiga.

A filha mais velha do Noé se casou-se com o filho mais novo do Moisés e os dois foram morá numa estância muito linda, chamada estância da Babilônica. Bueno, tavam as família ali, tomando mate no galpão, quando se chegou um correntino chamado Golias, com mais uns trinta castelhano do lado dele. Abriram a
cordeona e quiseram obrigá as prenda a dança uma milonga. Foi quando os velho, que eram de muito respeito, se queimaram e deu-se o entrevero. Peleia braba, seu.

O correntino Golias, na voz de vamos, já se foi e degolou de um talho só o Noé e o velho Moisés. E já tava largando planchaço em cima do mulherio quando um piazito carretero, de seus dez ano e pico, chamado Davi, largou um bodocaço no meio da testa do infeliz que não teve nem graça. Foi me acudam e tou morto. Aí a indiada toda se animou e degolaram os castelhano. Dois que tinham desrespeitado as prenda foram degolado com o lado cego do facão.

Foi uma sanguera danada. Tanto que até hoje aquele capão é chamadode Mar Vermelho.  Mas entonces foi nomeado delegado um tal de major Salomão. Homem de cabelo nas venta, o major Salomão.  Nem les conto!

Um dia o índio tava sesteando quando duas velha se bateram em cima dum guri de seus seis ano que tava vendendo pastel. O major Salomão, muito chegado ao piazito, passou a mão no facão e de um taio só cortou as velha em dois. Esse é o muito falado causo do Perjuízo de Salomão que contam por aí. Mas, por essas estimativas, o major Salomão, o que tinha de brabo tinha de mulherengo. Eta índio bueno, seu. Onde boleava a perna, já deixava filho feito. E como vivia boleando a perna, teve filho que Deus nos livre. E tudo com a cara dele, que era pra não havê discordância.

Só que quando Deus nosso Senhor quer, até égua véia nega estribo. Logo a filha das predileção do major Salomão, a tal de Maria Madalena, fugiu da estância e foi sê china de bolicho. Uma vergonhera pra família. Mas ela puxou a mãe, que era uma paraguaia meio gaudéria que nunca tomo jeito na vida. O pobre do major Salomão se matou-se de sentimento, com uma pistola Eclesiaste de dois cano. Mas, vejam como é a vida. Pois essa mesma Maria Madalena se casou-se três ano despois
com um tal de coronel Ponciano Pilatos.  Foi ele que tirou ela da vida. Eu conheço uns três caso do mesmo feitio e nem um deles deu certo.  Como dizia muito bem o finado meu pai, mulher quando toma mate em muita bomba, nunca mais se acostuma com uma só. Mas nesses contraproducente, até que houve uma contrapartida. O coronel Ponciano Pilatos e a Maria Madalena tiveram doze filho, os tal de aposto, que são muito conhecido pelas caridade que fizeram.

Foi até na casa deles que Jesus Cristo churrasqueou com a cunhada de Maria Madalena, que despois foi santa muito afamada. A tal de Santa Ceia.  Pois era uns tempo muito mal definido. Andava uma seca braba pelos campo. São José e a Virge Maria tinham perdido todo o gado e só tavam com uma mula branca no potrero, chamada Samaritana. Um rico animal, criado em casa, que só faltava falá. Pois tiveram que se desfazê do pobre. E como as desgraça quando vem, já vem de braço dado, foi bem aí que estouraram as revolução. Os maragato, chefiado por um tal de coronel Jordão, acamparam na entrada da Vila. Só não entraram porque tava lá um destacamento comandado pelo tenente Lazo, aquele mesmo que por duas vez foi dado por morto. Mas aí um cabo dos provisório, um tal de cabo Judas, se passou-se pros maragato e já se veio uns tal de Romano, que tavam numas várzeas, e ocuparam a Vila. Nosso Senhor foi preso pra ser degolado por um preto muito forte e muito feio chamado Calvário. Pois vejam como é a vida. Esse mesmo preto Calvário, degolador muito mal afamado, era filho da velha Palestina, que tinha sido cozinheira da Virge Maria.

Degolador é como cobra, desde pequeno já nasce ingrato. Mas entonces botaram Nosso Senhor na cadeia, junto com dois abigeatário, um tal de João Batista e o primo dele, Heródio dos Reis. Os dois tinham peleado por causa de uma baiana chamada Salomé e no entrevero balearam dois padre,
monsenhor Caifás e o cônego Atanásio. Mas aí veio uma força da Brigada, comandada pelo coronel Jesus Além, que era meio parente do homem por parte de mãe e com ele veio mais três corpo de provisório e se pegaram com os maragatos. Foi a peleia mais feia que se tem conhecimento. Foi quarenta dia e quarenta noite de bala e bala. Morreu três santo na luta: São Lucas, São João e São Marco. São Mateus ficou três mês morre não morre, mas teve umas atenuante a favor e salvou-se o índio.

Nosso Senhor pegou três balaço, um em cada mão e um que varou os pé de lado  a lado. Ainda levou mais um pontaço do mais velho dos Romanos, o César Romano, na altura das costela. Ferimento muito feio que Nosso Senhor curou tomando vinagre na sexta-feira da paixão. Mas aí, Nosso Senhor se desiludiu-se dos home, subiu na Cruz, disse adeus pros amigo e se mandou-se de volta pro céu. Mas deixou os dez mandamentos, que são cinco e que se pode
muito bem acolherá em dois: Não se mata home pelas costa, Nem se cobiça mulher dos outro pela frente.
Fui!!! “correndo”…
Fernando

jun
22

Olá caros leitores..

Recebi ontem também esse texto do Pedro Cardoso da Costa que aborda muitas questões interessantes sobre os movimentos que estão acontecendo e, como sempre, resolvi divulgá-lo aqui pra vocês, meus leitores. Eu, de minha parte, pouco tenho a dizer além do muito que já falei no post anterior sobre a saúde Brasileira, a única questão que coloco e sempre gosto de deixar claro é: Nós, Brasileiros, podemos mudar o país e devemos seguir fazendo isso até que resulte nas melhorias que estamos a reivindicar; Contudo, vandalismo não é protesto e muito menos solução. Gera prejuízos milionários e, além de nada resolver, resulta negativamente a curto e médio prazo nas detenções que se tem que fazer, concertos e os respectivos gastos que acabam por piorar a situação quando se fala nos referidos danos a patrimônio público ou privado.

Leiam abaixo:


Primavera Brasileira

O movimento por um país mais administrativamente decente recebe crítica por sua principal virtude, o fato de não ter um dono. Ele não se originou de partidos, nem ONGs, nem grupos religiosos nem de radicais. Seus fundadores são estudantes, para não dizer do povo, de todos os brasileiros insatisfeitos. Se seguissem alguma instituição seriam tachados de alienados, quando não seguem são chamados de perdidos, sem foco e sem ideal. Os críticos não conseguem entender que a importância está no fato de a participação ser justa, seja iniciado espontaneamente ou por alguma organização.

Outra parte grandiosa critica o fato de os insurgentes não andarem de ônibus. Mesmo o jornalista Roberto Pompeu de Toledo entrou na onda ao sugerir que esses deveriam pleitear passagem gratuita de avião. Por essa ótica eu nunca deveriam ter me manifestado contra a violência doméstica, especialmente o espancamento de mulheres pelos companheiros, já que eu nunca agredi minha esposa.

Antes da manifestação histórica do último dia 17 de junho, grande mídia chamava genericamente a todo o movimento de baderneiro, além da veemência dela e das autoridades na defesa da truculência policial, como condição inevitável. Sempre era a polícia quem reagia. Não levavam em conta a possibilidade de infiltração por quem tem interesse em desmoralizar e tirar a legitimidade do movimento.

Depois do ocorrido a miopia acabou e reconheceram que os baderneiros são uma minoria. Além disso, ninguém, absolutamente ninguém, disse que a responsabilidade de prendê-los é da polícia. E aí cabe reconhecer que não é fácil no meio daquela multidão e também tem que ter o apoio claro das lideranças, dos manifestantes de bem, inclusive com força suficiente para reprimirem os baderneiros, é necessário repetir que eles devem ser responsabilizados civil e penalmente pelos seus atos, uma redundância, mas que serve como reforço.

De forma nenhuma se justifica quebra-quebra. Mas só não é compreensível que uma agência bancária quebrada pelos oportunistas repercuta muito mais do que as centenas que voam aos ares todos os dias pelas dinamites da bandidagem. E, por maiores que sejam os prejuízos, é uma gota d’água no oceano da corrupção que, de tão arraigada na nossa cultura, as pessoas defendem a diminuição e não em acabar.

Nesse afã de criticar, a maioria se esquece de que o nome correto é criminoso para quem quebra ou danifica bens alheios, sejam públicos ou particulares, ou agride outras pessoas.

Outra crítica dissimulada é diminuir a importância do aumento da passagem. É caro qualquer valor cobrado por serviços de qualidade idêntica à dos transportes públicos no Brasil. Quem utiliza trem, metrô ou ônibus em horário de pico sabe que é indecente e desumano. Ainda que fosse gratuito teria que melhorar, pois como está ofende a dignidade da pessoa humana.

Todos já sabiam que qualquer fato poderia ser a gota d’água. Foram os 20 centavos. O movimento cresceu de centenas para milhares numa semana. É preciso definir uma data nacional de manifestações simultâneas em todas as capitais e grandes cidades. Daqui por diante, assim como nas greves, seria importante manter em estado de manifestação, até que se inicie um processo de melhorias nos serviços públicos e privados.

Ferrenhos analistas dizem que as autoridades não sabem como responder aos pleitos por não ter um foco. Em nenhuma hipótese essa ausência de metas é da responsabilidade dos manifestantes. Já que os governos não sabem, aqui vai uma sugestão: bastaria melhorar acima de mil por cento a qualidade do ensino público básico, a saúde, a segurança, os transportes coletivos, as estradas, o saneamento básico, a limpeza dos rios, o acesso à cultura. Só isso. O verdadeiro motivo de tamanha oposição é não saber conviver com reivindicações e isso é bem mais grave do que os baderneiros.

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP

Bacharel em direito


Cumprimentos e aguardo vocês nos comentários…

Fernando

jun
22

Olá caros leitores…

No curso das manifestações e protestos que correm por todo o Brasil, além de ignorante se torna absurdo o pronunciamento de nossa presidenta Dilma sobre importar médicos para melhorar a saúde Brasileira.

Eu mesmo, como todos sabem, moro em Pelotas, e recentemente operei a coluna com um excelente e muito bem conceituado cirurgião de lá, o João Ivan Lopes, o qual defendo com unhas e dentes bem como faço com quase todos os médicos que já consultei, como a DRA. Cristiane Magno Nunes, que cuida do meu glaucoma, a DRA. Terla de castro, que também já cuidou muito bem do meu olho e muitos outros. Falar que vai importar médicos pra melhorar a saúde brasileira ao invés de parar de investir bilhões de reais em copa e olimpíada pra começar a investir em remédios, equipamentos e estrutura melhor nos hospitais do SUS é o típico discurso hipócrita de quem, além de só querer bancar o grande apaziguador das maças que não sabem discernir direito como e o que acontece, ainda quer, claro, aparecer dizendo que está fazendo alguma coisa.

Como muitos leitores devem lembrar, até escrevi um artigo sobre a Cirurgia de artrodese lombar que fiz em janeiro e que, alias, teve um excelente resultado, embora eu ainda tenha outros problemas mas que não tem a ver diretamente com ela.

Mas resumindo, qual é a questão que então faz a diferença? O tipo de atendimento. Eu, por exemplo, tenho um bom convênio, e isso, claro, conta muito na hora do pronto-atendimento, bem como na hora de marcar um médico, uma cirurgia ou outro procedimento em particular.

O que tem de ser feito não é investir bilhões em copa e olimpíada e quebrar o país, fazendo com que o Brasileiro tenha a alegria de ser hospedeiro de tais eventos mas a tristeza de não virar o mês com seu salário por que a inflação, claro, delicadamente e quietamente está voltando. Também não se trata de importar médicos ou professores pra melhorar a saúde e educação, não, isso é discurso fraco de gente que, pra quem um dia foi militante do movimento contra a ditadura militar e parecia muito instruída, sinceramente, foi fraca e bem infeliz na sua fala. Temos excelentes professores e ótimos médicos no Brasil, o que não temos, claro, é alguém que administre bem os recursos ligados a isso pra que reflita no bom funcionamento tanto do quesito saúde quanto educação, bem como muitos outros que já podemos notar no país como a alta do dólar, volta da inflação e outros problemas pelos quais o nosso povo, claro, faz muito bem em protestar e reivindicar uma solução.
Pra terminar meu pequeno “pitaco” de hoje sobre esse absurdo, coloco o depoimento de uma médica chamada Juliana Mynssen, que, além de relatar um caso que fala bem nesse absurdo que está a saúde pública e no infeliz depoimento de nossa presidenta sobre a causa, ainda mostra a maneira em que, obrigada pela situação, foi obrigada a resolver a questão de um paciente que, a quase um dia inteiro, estava a esperar uma simples sutura. O link do referido artigo é: esse
Também, antes de finalizar, coloco um caso relatado pela minha mãe, no blog dela, quando eu, a mais ou menos um ano, precisei de atendimento no posto de saúde aqui de Novo Hamburgo e então pudemos ouvir de uma senhora que contou sobre seu marido que estava esperando um simples exame de sangue. Leiam: Aqui!.
Cumprimentos a todos e, só pra lembrar, o Brasil quem faz somos nós e não somente os governantes. Continuemos protestando, escrevendo e fazendo o possível para que isso não passe de uma simples febre generalizada de protestos e resulte nas melhorias que estamos reivindicando.
Fernando

maio
12

Olá caros leitores!

Quando escrevi o artigo sobre acessibilidade em instrumentos eletrônicos, recebi diversos e-mails e mesmo comentários aqui incentivando a ideia. Claro que, como sempre acontece, alguém é do contra, e diz que as empresas não tem a obrigação de fornecer acessibilidade esquecendo mesmo de duas coisas: 1) A própria lei, que regulamenta isso, e: 2) O fato de estar usando da própria acessibilidade pra dizer o que está dizendo. Claro que gente assim não conheceu a época em que um livro a mais em braille ou gravado já era um grande ganho, e que a gente tinha que lutar, até mesmo pra entrar na escola e que as vezes nos repelia dizendo abertamente que “não tinha condições de assumir tal responsabilidade” (Educar um deficiente). Fácil é falar hoje em dia contra a acessibilidade, pra quem não conheceu aquela época e tem, hoje, de mão beijada um dosvox, um NVDA e diversas outras ferramentas de forma gratuita. Contudo basta lembrar as dificuldades que enfrentamos quanto à acessibilidade nas universidades, por exemplo, e esse tipo de argumento já se extingue por si sem precisar de mais contra-argumentos.

Contudo, o que mais me chamou a atenção quanto à repercussão do artigo não foi nem isso:

Um dia depois de ter publicado o artigo, recebi um e-mail de uma das integrantes de nossa comunidade, Rebeca Serra, falando sobre um problema bastante curioso: Ela tem um amigo, o Tiago, que além de ter problema visual, tem problema em uma das mãos por consequência de uma mielite, o que, além da visão, acabou afetando toda a coordenação motora do lado esquerdo. Pois: O Tiago é flautista, e a meses ele e a Rebeca, e agora eu, depois do contato dela, estamos tentando conseguir para ele uma “flauta acessível”, na qual ele possa tocar, com a mão direita, enquanto com a esquerda (Que os movimentos foram afetados pela doença mas não completamente), lê as músicas no sistema Braille. Pois bem, o absurdo dos absurdos é o seguinte: A tal flauta existe! Sim, existe e é fabricada pela Yamaha. O modelo é YRS-900 R (O R significa right), e, claro, é uma flauta que pode ser tocada somente com a mão direita. Existe, naturalmente, a outra versão, que pode ser tocada somente com a mão esquerda (YRS-900 L). Pois bem: Eu digitei o modelo no google e achei pouquíssimas referências, e, claro, uma delas era no site da yamaha no Japão, o que pouco me ajudou; Também não achamos nada sobre como fazer a importação da tal flauta e quando entramos em contato com a Yamaha do Brasil, a resposta deles foi que não teriam como importar a referida flauta.

Pois bem: Eu mesmo nunca imaginei que haveria uma “flauta acessível”, pouco sei sobre acessibilidade nos instrumentos não eletrônicos e creio que muitos também estão nessa situação. Ao saber que havia esse problema do Tiago e, naturalmente, que pro referido problema havia uma solução fiquei muito feliz mas ao mesmo tempo desapontado: Quando a gente não tem acessibilidade em algo, seja o que for, a gente luta por ela, faz projetos, reivindica, contacta empresas, etc. Contudo, o que faz quando tem e não sabe dela? Ou, pior, como foi no caso do tiago: Tem a acessibilidade mas ela se torna inacessível? A resposta da Yamaha para nós foi em caráter definitivo, pelo que pude sentir: Além de eles não terem conhecimento do referido instrumento (E não tinham quando entrei em contato com eles), ainda dizen que não a importam!

Tenho que dizer que isso pra mim foi mais surpresa que saber que algo, muito importante, ainda não tem acessibilidade. Conversando com a própria Rebeca, a mesma me contou que tem diabete (Como muitos outros cegos que conheço) e me falou que mesmo sendo essa a terceira maior causa de cegueira no Brasil não existe até hoje um glicosímetro com sintetizador, e não há qualquer laboratório que produza insulina e a venda com denominações em Braille. Não questiono a questão da insulina mas quanto ào glicosímetro, será mesmo que não existe? Será que não é mais um produto que há no mercado mas não sabemos da existência dele e não temos como importar? E convenhamos: Não seria assim tão difícil pra uma empresa fazer algo nesse sentido, pelo contrário: É bem mais fácil que produzir um instrumento eletrônico acessível, ou um computador ou celular, coisas que já existem.
Pois então: Devemos lutar pela acessibilidade e temos o direito de exigi-la sim! Mas o que fazer quando ela existe e não sabemos ou não está a nosso alcance? Mais absurdo que não ter acessibilidade é quando a temos, mas não podemos alcança-la! A divulgação deve fazer parte quando da criação de qualquer produto acessível, especialmente na internet; E a obtenção também: Ao invés de uma resposta definitiva e negativa, por que não buscar, trazer e divulgar? Garanto que não seria só o Tiago o único beneficiado com a Flauta acessível, por exemplo; Muitos outros que só tem uma mão poderiam realizar o sonho de começar a tocar um instrumento, muitos poderiam aproveitar. E o que dizer do argumento sobre a quantidade, pra valer apena a importação? Simples: Se não divulgamos e não tentamos, nunca teremos um resultado. E eu, somente eu, já conheço umas três ou quatro pessoas que poderiam ser beneficiadas com o instrumento! Quantos mais não haverão por aí? Somente poderemos saber quando empresas como a yamaha pararem de dar respostas negativas e resolverem “arriscar”!

Termino então esse artigo na expectativa de que o mesmo sirva para iluminar aquelas mentes que gostam de primeiro dizer não, fazendo com que elas resolvam primeiro tentar, para depois, tendo um resultado prático na mão, aceitar ou negar algo. Ainda falando da Yamaha e do artigo anterior sobre acessibilidade, eu havia mencionado a Yamaha e a Roland, mas existem muitas outras que poderiam também aderir a essa campanha. Contudo, a Yamaha foi a única que se dignou a me responder dizendo que estavam encaminhando minha solicitação aos responsáveis. Até agora não obtive mais nenhum retorno nesse sentido, mas vou entrar em contato pra saber se algo foi ou será feito e, naturalmente, divulgo o resultado aqui.

Cumprimentos

Fernando

maio
11

Olá caros leitores!

Como sempre, depois de uma carrada de posts sérios, eu tenho que encher essa coisa aqui na seção de humor. Então… Alguns dos velhos e bons leitores devem lembrar de um post que fiz lá no começo do blog chamado Italianinho revortado? Pois… Depois resolvi descobrir mais sobre o tal Italianinho Revortado.
Ele se chama Germano Mosconi. Nascido em 11 de novembro de 1932 e falecido em 1 de março de 2012, portanto, com 79 anos e depois do primeiro artigo que publiquei sobre ele com o primeiro vídeo, foi um jornalista da televisão notório no norte da Italia, e, pelo que pesquisei, recebendo inclusive alguns prêmios.

Contudo, sua fama explodiu na internet e não com o jornalismo mas sim com os bastidores, como já viram no vídeo que publiquei em 2007 e que é uma montagem, e como verão agora, nesse, mais completo.

A característica de xingar em alto e bom tom quando alguém sem aviso entra no estúdio, quando uma coisa cai, porta bate, etc é o mais marcante e, claro, divertido! Vejam então abaixo o vídeo (Mais completo que o primeiro) e entenderão do que estou falando. Dá pra alguns rirem bastante.. Outros, claro, não vão gostar, mas como ninguém agrada a todo mundo, não serei eu (E muito menos ele e seu vídeo) que o conseguirão.
Vejam e se divirtam clickando aqui!
Um abraço e aguardo vocês por aqui nos comentários!
Fernando

maio
11

Olá caros leitores…

Resolvi compartilhar esse texto do nosso velho amigo Pedro Cardoso da Costa convosco por que eu mesmo conheço bem o sistema de saúde no Brasil e já conheci a negligência, embora não chegue nem a um milésimo do que essa senhora passou.

Hoje em dia a gente vai de médico em médico, de especialidade em especialidade, e o diagnóstico, que é o importante, demoramos muito pra conseguir (Quando conseguimos a tempo). Fora dos convênios, é pior ainda: Pra conseguir uma ressonância magnética e a própria cirurgia pelo SUS, por exemplo, minha namorada teve que ameaçar brigar na justiça e levou quase um ano entre o problema (Rompimento do tendão no joelho) e a solução que após a ressonância veio rápido e graças aos céus com um excelente médico, o mesmo que, inclusive, operou minha coluna.

Bom mas vamos ao texto, então, e vejam o absurdo da coisa…

Anos de dor

Fatos escabrosos sobre o caos da saúde pública brasileira não deveriam chocar a mais ninguém devido à repetição diária e generalizada. Mesmo com tantas ocorrências, alguns chocam não pelo fato em si, mas pelo tempo de duração.

Aconteceu recentemente em Sorocaba, no interior de São Paulo, um daqueles que assustam e mexe com a sensibilidade de qualquer pessoa. Rosmari Aparecida Rosa, de 53 anos retirou um pedaço de faca do corpo após 37 anos de um sofrimento insuportável.

Destaca-se nesse episódio o fato de uma radiografia simples ser de rápida solução, mas nenhum médico, nenhum hospital, nenhum envolvido seja público ou particular tomou essa iniciativa elementar antes. Essa mulher deve ter passado por diversos médicos, postos e hospitais várias vezes.

Outro ponto que não se ouviu falar é se as secretarias municipal ou estadual da saúde deram início a algum procedimento administrativo para averiguar por quais órgãos públicos com vista à apuração de responsabilidade e a respectiva punição. Não resta nenhuma dúvida que houve negligência e imperícia. Por mais primários que sejam os atendimentos, devem ter registros documentados de suas passagens.

Repito, caso ela tenha sido atendida por órgãos públicos, o que é muito provável devido à duração do problema, já que se ela tivesse melhores condições financeiras teria recorrido a hospitais particulares que, por mais simples que fossem já teriam realizado radiografias, alguma tomografia e até ressonância magnética.

Mas esta seria apenas a primeira fase de uma administração pública que tivesse um mínimo de seriedade perante seus cidadãos. Por iniciativa própria, a segunda etapa seria indenizá-la pelo flagelo que passou por tanto tempo, em razão única e exclusivamente de descaso. À parte a dignidade escamoteada pelo padecimento de quase quatro décadas, imagine quanto essa senhora não deixou de realizar, de produzir e de desfrutar da vida.

Em última instância, ela deveria requerer aposentadoria, com base num salário médio hipotético do que receberia durante os 35 anos que poderia ter contribuído e não o fez porque ficou impossibilitada devido à ineficiência e omissão estatais.

Nessas horas, em vez de medidas adequadas, os agentes públicos esmeram-se em dar explicações do que só a eles convencem. Como o poder público no Brasil só tem o propósito de se beneficiar do povo e não tomará nenhuma das medidas sugeridas, a senhora e seus familiares deveriam pleitear tanto a indenização quanto a sua aposentadoria. Devem procurar um promotor de justiça para auxiliá-la na promoção das ações cabíveis.

Esse é daqueles casos de danos irreparáveis. Para esses casos não existe justiça; pode haver reparações de alguns danos. Essa senhora não pode se satisfazer só em ter encontrado um “anjo”, o doutor Walberto Kushiyama, que solicitou uma ressonância magnética, elementar, que nenhum outro profissional fez em 37 anos.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
Um abraço e aguardo vocês nos comentários!

mar
24

Olá caros amigos e leitores! Tudo bem?
Pois, comigo tudo.. Já a muito tempo venho com um problema no que diz respeito à acessibilidade e usabilidade, com o qual não consigo me conformar: Hoje os cegos tem acesso total e pleno à informática, nos mais diversos sistemas como linux, windows e mesmo sistemas apple; Mesmo equipamentos como celular, iphone e outros na área da comunicação já tem acessibilidade. Um cego, só para dar um exemplo, hoje em dia compra um iphone e basta dar três toques na tecla “home” e o sistema começa a falar dando acesso por voz a todas as funções, ou o cego pode pedir pra uma pessoa que enxerga ativar o leitor de telas, que também é possível e integrado. Mesmo nos computadores isso é possível, o próprio linux ubuntu por exemplo já vem com fala integrada em vários idiomas.. Mas eu fico pensando: E os instrumentos eletrônicos? Nunca ninguém levantou a questão que, também para eles, (E mais do que tudo), seria necessário incluir opções de acessibilidade?

Vou dar meu próprio exemplo: Tenho um teclado Yamaha, PSRS-900; Faz 5 anos que eu o tenho, e posso garantir que, até hoje, não uso nem 50% das funções dele! Um cego pra usar um teclado, além de decorar as funções (Todas que puder), ainda tem que “adivinhar” em algumas vezes o que aparece na tela e o que vai poder responder (Por exemplos perguntas do tipo se quer salvar o arquivo, se quer alternar sem salvar, etc)..

Então imaginem o seguinte: Empresas como a Yamaha, a Roland e outras que fabricam instrumentos eletrônicos poderiam fazer como fez o pessoal da Apple, ou da distro ubuntu, no caso do linux, e colocar fala integrada nos seus sistemas bem como sistemas de ampliação de telas para visão subnormal. Fazer um teclado especial para visão subnormal ou cegos totais, com sistema de fala e ampliação seria contraproducente, já que ou os cegos teriam que se limitar a comprar somente aquele modelo se quisessem ter acessibilidade, ou aquele modelo teria que ser fabricado exclusivamente pela (E para) a acessibilidade.

Contudo, se essas empresas fizessem como fez a apple, ou o pessoal da distro ubuntu, por exemplo, e colocassem a acessibilidade como pré-requisito básico em seus sistemas, um cego poderia comprar um teclado qualquer em uma loja por exemplo, e além de já sair tocando, fazê-lo já com acessibilidade, dependendo apenas de usar uma pequena combinação de teclas para a ativar.

Então, o que pretendemos com esse artigo e a manifestação que estamos fazendo nas redes sociais é conscientizar essas empresas de que, além de ter um grande volume de gente que usa seus equipamentos e que necessita acessibilidade neles (Como teclados, baterias eletrônicas, gravadores digitais e etc), ainda há uma grande necessidade de acessibilidade para esses equipamentos devido ao grande número de funções que os mesmos possuem e que, nem para todas, o antigo método da “decoreba” funciona.

Finalizo por aqui esse pequeno artigo então na expectativa de que os responsáveis nessas empresas que fabricam esses equipamentos (Como Yamaha, Roland, Zoon e outras) possam dar a devida atenção a nossa causa e que, em breve, eu venha a escrever outro artigo comemorando a solução deste problema e os avanços na acessibilidade também no âmbito dos instrumentos musicais..
Um abraço
Fernando

fev
18

Oi turma!!

Tudo bem?

Pois, aqui tudo.. Como alguns já sabem, me submeti, a exatamente um mês, a uma cirurgia de artrodese lombar, uma cirurgia que consiste em fundir vértebras com uso de vergalhões e parafusos, falando de maneira simplificada. Resolvi escrever esse artigo pra compartilhar minha experiência como um modo de juntar minha informação com as múltiplas que se pode encontrar na net e que são, como já sabemos, das mais variadas.

A experiência com essa cirurgia pode ser diversa, e o grande problema consiste em que muitos que estão realmente ruins jogam sua esperança de melhora toda em cima da cirurgia, ou mesmo uns que não estão efetivamente ruins fazem a cirurgia sem ainda não ser realmente necessário e tem, claro, com isso, a piora da dor.

Como sabemos, artrodese, na medicina, significa fusão, ou seja: Fusão óssea de uma articulação. Contudo, a referida articulação, com a artrodese, deixa de existir. Isso pode ser um dado bastante relevante quando se pensa em fazer uma artrodese, especialmente na coluna. Simplesmente por que a mobilidade vai diminuir, e possivelmente vai haver dor se essa mobilidade for tentada (Nos primeiros tempos), como eu mesmo pude confirmar durante minha experiência com essa cirurgia.

Para compartilhar minha experiência de uma forma passo a passo, então, vou começar por alguns fatos que vieram antes dessa cirurgia:

Em 2009, após diversos problemas e diminuição grave da mobilidade na perna esquerda, e, claro, muita dor, fui submetido a uma cirurgia de hérnia de disco, com o DR. João Ivan Lopes, em Pelotas. Ainda antes dessa cirurgia ele me falou que estava tendo disgaste no disco entre l5 e s1 e que, mais cedo ou mais tarde, eu teria de operar provavelmente pra fazer uma cirurgia que iria “fundir” essas vértebras diminuindo, com isso, a dor. Até chegou a levantar a questão de fazer junto já essa cirurgia mas eu não quis.

Após a cirurgia ele me pediu o exame de densitometria óssea, por que achou meus ossos fracos demais para minha idade. Feito então o exame descobriu-se osteoporose grande na coluna, e também perda no quadril e fêmur. Estava ali, claro, uma das prováveis causas do problema. Com o tempo, claro, somamos a ela algumas outras.

Feita então a cirurgia de hérnia, tive uma recuperação boa e sem grandes problemas. Por 2 anos tive tranquilo, até que em 2011 voltei a sentir dor, de forma leve. Após um exame de rotina o médico em questão falou que eu havia perdido, já, mais ou menos 30% do disco. Voltamos à questão da artrodese, que, mais cedo ou mais tarde eu teria de fazer e estava chegando a hora, aparentemente.

Contudo, consegui prorrogar até fim de 2012, quando voltei a sentir, de fato, dores fortes não só na coluna como nas pernas, especialmente esquerda. Então voltei ao DR. João Ivan, e decidimos que, de fato, já estava na hora de tentar a artrodese, por que a tendência, doravante, era somente piorar e não melhorar.

Fiz então a cirurgia, no dia 19/1/2013. Confesso que estava deveras nervoso, especialmente por que, como costumo fazer, busquei na internet informações sobre essa cirurgia e elas eram tão diversas que não havia um parâmetro onde eu pudesse me fixar. Teve alguns dizendo que tiveram um resultado ótimo já desde os primeiros dias; Outros dizendo que os primeiros meses foram uma tortura mas depois melhoraram, outros dizendo que ficaram na mesma, e claro, alguns dizendo mesmo que fizeram a cirurgia e se arrependeram! Como não ficar nervoso numa situação dessas?

Contudo, como quase sempre acontece, me armei de coragem (Que eu nem sei de onde tirei tendo em conta as mais diversas referências), e fui lá e fiz a cirurgia.

Como descrever o pós operatório? Não foi jamais um mar de rosas, mas também não tão horrível quanto poderia ter sido. Eu não sabia que iria ter de colocar sonda na urina: Que coisa chata e desagradável aquilo! E pra tirar então: Não dói, mas arde e incomoda pra caramba… Mas, resumindo a questão: No primeiro dia tive abaixo de morfina e dolantina, e devo dizer que sempre que passava um pouco dos efeitos desses remédios a reação que vinha (Me refiro à dor) não era nada interessante. Soma-se a isso a questão chata e desconfortável de não poder se virar na cama, tendo de ficar de barriga pra cima (Posição na qual eu literalmente nunca consigo dormir). O DR. João Ivan tinha deixado prescrito um medicamento pra me auxiliar no sono se eu pedisse, o qual eu não pedi por que tenho apineia, e pensei: Apineia+remédio pra dormir+barriga pra cima= Uma combinação não muito recomendável… Então, preferi o cansaço e o atraso no sono. Felizmente no outro dia de manhã quando o DR. João Ivan foi me fazer o curativo já autorizou que eu virasse de lado, o que, claro, me botou pra dormir tranquilamente por muitas horas e de forma natural e sem riscos.

Devo dizer que, tanto naquele dia quanto nos primeiros (Especialmente primeira semana), coisas simples como por exemplo se virar na cama se tornam um pouco mais complicadas e se não fossem feitas com apoio dos braços, por exemplo, dói, e o suficiente pra desanimar um pouco. Contudo, nada tem a ver, mesmo nesse estado crítico de pós operatório, com a dor de antes da cirurgia.

Já no terceiro dia, (Dia 21), de tarde, me levantei da cama, não sem algum esforço e também não vou dizer que sem dor, mas o fiz. Já deu até pra tomar um mate com a mãe e a namorada e fiquei mais ou menos uma hora entre de pé e sentado.

Depois, claro, voltei prà cama e só voltei a levantar no outro dia, pra ir pra casa. Devo dizer, que nesse referido dia quase não levantei, por causa da dor, mas no fim consegui, e então pude sair do hospital.

Fiquei os primeiros 4 dias na casa da mãe da minha namorada e então depois fomos pra nossa casa. Mas já no dia seguinte (dia 23) já pude dar algumas caminhadas e ajudar minha mãe a resolver uns problemas computadorísticos, embora tenha quase tido eu um problema por exagerar com o tempo de pé e etc.. Mas tudo bem. Após a primeira semana eu já conseguia ficar bem mais tempo sentado ou de pé, e na segunda semana, tirei os pontos. E devo dizer que essa parte também é bem desagradável: Como levar 22 picadas de agulha duma vez só, uma atrás da outra.. Mas tudo bem: Feita a retirada dos pontos até aproveitei, com alguns cuidados, pra dar uns passeios no centro com a mãe e a Denise. Já voltei pra casa de ônibus e procurei, desde então, agir o mais normal possível, retornando, dentro do permitido, à minhas atividades normais. Hoje estou quase completamente sem dor, (Exceto se faço algum esforço maior), e quase me arrependi de ter cancelado o semestre na facul. Só não estou “completamente” arrependido por que ainda, se cometo algum exagero, tenho um pouco de dor.. Mas não é nada que mesmo um paracetamol 750 e um pouco de repouso não resolvam.

Então, resumindo, o que tenho a dizer sobre essa cirurgia? Nos primeiros dias tu te arrepende, e quase xinga a mãe do cara que inventou ela, mas eu, no meu caso, pelo menos até agora estou tendo uma recuperação excelente, o que fez valer apena o sacrifício. Contudo, relatos como o meu e alguns outros que li, de uma recuperação excelente, são poucos; E deixo um recado à aqueles que estão pensando em fazer essa cirurgia: Pense bem, e avalie bem com seu médico se a possibilidade de melhora é suficiente pra valer o sacrifício do operatório/pós operatório, e mesmo os riscos que nessa (Bem como em qualquer cirurgia que envolve implantes) tem. Feito isso, se achar que vale apena realmente e se você verdadeiramente sente dor a ponto de achar que vale o risco, opere, e, claro, espero que tenha a mesma sorte que eu, e que pegue um bom médico e uma boa equipe pra lhe operar e cuidar do pós operatório. Feito isso, e dado o meu depoimento e recado, deixo a vocês dois links pra olharem, não só pra entenderem o que vai acontecer se fizerem essa cirurgia, como pra não decidirem entrar nessa levianamente:
Vídeo: Mostrando uma cirurgia de artrodese lombar: http://www.youtube.com/watch?v=5SqonUeHS-8
Artigo sobre artrodese lombar no site Dores crônicas: http://dorescronicas.com.br/cirurgia-de-artrodese-lombar-o-que-fazer/

Devo dizer que depois que li esse artigo fiquei um pouco assustado e quase desisti da cirurgia (Isso foi um dia antes de internar); Mas o que o autor do artigo fala é mais ou menos o que estou falando de forma resumida: Não entrem nessa levianamente. A cirurgia pode ser muito positiva, mas deve-se avaliar se realmente é necessário fazer. Eu mesmo não resolvi todos os meus problemas com ela: Ainda tenho dor nas costas, provocada por um problema na região dorsal, mas receio ainda não valer apena operar nesse caso e também não é algo que não se possa suportar.

Termino esse artigo agradecendo às pessoas que doaram sangue para eu poder fazer a cirurgia, bem como a aquelas que ajudaram a divulgar no facebook/twitter. Em apenas 2 dias conseguimos os 5 doadores que eu precisava!!

E, agora, fico por aqui esperando que todos que leiam esse artigo tenham a mesma sorte que estou tendo e que meu depoimento, somado ao material que postei junto com ele, sirvam também de acréscimo às orientações que muitos que vão fazer essa cirurgia ainda precisam.

Leiam bastante, pensem bastante e avaliem bem com o médico.. Feito isso, boa sorte e bola pra frente!!!
Um abraço
Fernando

set
21

Três dias para ver

Olá caros leitores!

Estava aqui, aproveitando as horas que precedem a viagem de volta para Porto Alegre, e, posteriormente, Novo Hamburgo e Pelotas, e, vasculhando os textos do bom e velho dosvox encontrei esse, que me impressionou bastante, não só pela forma como é escrito e por eu conhecer bastante a história de Helen Keller, que o escreveu, como também por eu já, mais de uma vez, ter pensado coisas assim com respeito a meu problema de visão. Muitas dessas coisas que ela falou que faria eu também faria, contudo, em outro post, partindo desse, no futuro direi as que eu faria. Mas deixo isso para os próximos, e vamos ao texto:


O que você olharia se tivesse apenas três dias de visão? Helen Keller, cega e surda desde bebê, dá a sua resposta neste belo ensaio, publicado no Reader’s Digest (Seleções)
Várias vezes pensei que seria uma benção se todo ser humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias no princípio da vida adulta. As trevas o fariam apreciar mais a visão e o silêncio lhe ensinaria as alegrias do som.
De vez em quando testo meus amigos que enxergam para descobrir o que eles vêem. Há pouco tempo perguntei a uma amiga que voltava de um longo passeio pelo bosque o que ela observara. “Nada de especial”, foi à resposta.
Como é possível, pensei, caminhar durante uma hora pelos bosques e não ver nada digno de nota? Eu, que não posso ver, apenas pelo tacto encontro centenas de objetos que me interessam. Sinto a delicada simetria de uma folha. Passo as mãos pela casca lisa de uma bétula ou pelo tronco áspero de um pinheiro.
Na primavera, toco os galhos das árvores na esperança de encontrar um botão, o primeiro sinal da natureza despertando após o sono do inverno. Por vezes, quando tenho muita sorte, pouso suavemente a mão numa arvorezinha e sinto o palpitar feliz de um pássaro cantando. Às vezes meu coração anseia por ver tudo isso. Se consigo ter tanto prazer com um simples toque, quanta beleza poderia ser revelada pela visão! E imaginei o que mais gostaria de ver se pudesse enxergar, digamos por apenas três dias.
Eu dividiria esse período em três partes. No primeiro dia gostaria de ver as pessoas cuja bondade e companhias fizeram minha vida valer a pena. Não sei o que é olhar dentro do coração de um amigo pelas “janelas da alma”, os olhos. Só consigo “ver” as linhas de um rosto por meio das pontas dos dedos. Posso perceber o riso, a tristeza e muitas outras emoções. Conheço meus amigos pelo que toco em seus rostos. Como deve ser mais fácil e muito mais satisfatório para você, que pode ver, perceber num instante as qualidades essenciais de outra pessoa ao observar as sutilezas de sua expressão, o tremor de um músculo, a agitação das mãos. Mas será que já lhe ocorreu usar a visão para perscrutar a natureza íntima de um amigo? Será que a maioria de vocês que enxergam não se limita a ver por alto as feições externas de uma fisionomia e se dar por satisfeita?
Por exemplo, você seria capaz de descrever com precisão o rosto de cinco bons amigos? Como experiência, perguntei a alguns maridos qual a exata cor dos olhos de suas mulheres e muitos deles confessaram, encabulados, que não sabiam.
Ah, tudo que eu veria se tivesse o dom da visão por apenas três dias! O primeiro dia seria muito ocupado. Eu reuniria todos os meus amigos queridos e olharia seus rostos por muito tempo, imprimindo em minha mente as provas exteriores da beleza que existe dentro deles. Também fixaria os olhos no rosto de um bebê, para poder ter a visão da beleza ansiosa e inocente que precede a consciência individual dos conflitos que a vida apresenta. Gostaria de ver os livros que já foram lidos para mim e que me revelaram os meandros mais profundos da vida humana. E gostaria de olhar nos olhos fiéis e confiantes de meus cães, o pequeno scottie terrier e o vigoroso dinamarquês.
À tarde daria um longo passeio pela floresta, intoxicando meus olhos com belezas da natureza. E rezaria pela glória de um pôr-do-sol colorido. Creio que nessa noite não conseguiria dormir.
No dia seguinte eu me levantaria ao amanhecer para assistir ao empolgante milagre da noite se transformando em dia. Contemplaria assombrado o magnífico panorama de luz com que o Sol desperta a Terra adormecida.
Esse dia eu dedicaria a uma breve visão do mundo, passado e presente. Como gostaria de ver o desfile do progresso do homem, visitaria os museus. Ali meus olhos veriam a história condensada da Terra — os animais e as raças dos homens em seu ambiente natural; gigantescas carcaças de dinossauros e mastodontes que vagavam pelo planeta antes da chegada do homem, que, com sua baixa estatura e seu cérebro poderoso, dominaria o reino animal.
Minha parada seguinte seria o Museu de Artes. Conheço bem, pelas minhas mãos, os deuses e as deusas esculpidos da antiga terra do Nilo. Já senti pelo tacto as cópias dos frisos do Paternon e a beleza rítmica do ataque dos guerreiros atenienses. As feições nodosas e barbadas de Homero me são caras, pois também ele conheceu a cegueira.
Assim, nesse meu segundo dia, tentaria sondar a alma do homem por meio de sua arte. Veria então o que conheci pelo tacto. Mais maravilhoso ainda, todo o magnífico mundo da pintura me seria apresentado. Mas eu poderia ter apenas uma impressão superficial. Dizem os pintores que, para se apreciar a arte, real e profundamente, é preciso educar o olhar. É preciso, pela experiência, avaliar o mérito das linhas, da composição, da forma e da cor. Se eu tivesse a visão, ficaria muito feliz por me entregar a um estudo tão fascinante.
À noite de meu segundo dia seria passada no teatro ou no cinema. Como gostaria de ver a figura fascinante de Hamlet ou o tempestuoso Falstaff no colorido cenário elisabetano! Não posso desfrutar da beleza do movimento rítmico senão numa esfera restrita ao toque de minhas mãos. Só posso imaginar vagamente a graça de uma bailarina, como Pavlova, embora conheça algo do prazer do ritmo, pois muitas vezes sinto o compasso da música vibrando através do piso.
Imagino que o movimento cadenciado seja um dos espetáculos mais agradáveis do mundo. Entendi algo sobre isso, deslizando os dedos pelas linhas de um mármore esculpido; se essa graça estática pode ser tão encantadora, deve ser mesmo muito mais forte a emoção de ver a graça em movimento.
Na manhã seguinte, ávida por conhecer novos deleites, novas revelações de beleza, mais uma vez receberia a aurora. Hoje, o terceiro dia, passarei no mundo do trabalho, nos ambientes dos homens que tratam do negócio da vida. A cidade é o meu destino.
Primeiro, paro numa esquina movimentada, apenas olhando para as pessoas, tentando, por sua aparência, entender algo sobre seu dia-a-dia. Vejo sorrisos e fico feliz. Vejo uma séria determinação e me orgulho. Vejo o sofrimento e me compadeço.
Caminhando pela 5ª Avenida, em Nova York, deixo meu olhar vagar, sem se fixar em nenhum objeto em especial, vendo apenas um caleidoscópio fervilhando de cores. Tenho certeza de que o colorido dos vestidos das mulheres movendo-se na multidão deve ser uma cena espetacular, da qual eu nunca me cansaria. Mas talvez, se pudesse enxergar, eu seria como a maioria das mulheres – interessadas demais na moda para dar atenção ao esplendor das cores em meio à massa.
Da 5ª Avenida dou um giro pela cidade – vou aos bairros pobres, às fábricas, aos parques onde as crianças brincam. Viajo pelo mundo visitando os bairros estrangeiros. E meus olhos estão sempre bem abertos tanto para as cenas de felicidade quanto para as de tristeza, de modo que eu possa descobrir como as pessoas vivem e trabalham, e compreendê-las melhor.
Meu terceiro dia de visão está chegando ao fim. Talvez haja muitas atividades a que devesse dedicar as poucas horas restantes, mas acho que na noite desse último dia vou voltar depressa a um teatro e ver uma peça cômica, para poder apreciar as implicações da comédia no espírito humano.
À meia-noite, uma escuridão permanente outra vez se cerraria sobre mim. Claro, nesses três curtos dias eu não teria visto tudo que queria ver. Só quando as trevas descessem de novo é que me daria conta do quanto eu deixei de apreciar.
Talvez este resumo não se adapte ao programa que você faria se soubesse que estava prestes a perder a visão. Mas sei que, se encarasse esse destino, usaria seus olhos como nunca usara antes. Tudo quanto visse lhe pareceria novo. Seus olhos tocariam e abraçariam cada objeto que surgisse em seu campo visual.
Então, finalmente, você veria de verdade, e um novo mundo de beleza se abriria para você.
Eu, que sou cega, posso dar uma sugestão àqueles que vêem: usem seus olhos como se amanhã fossem perder a visão. E o mesmo se aplica aos outros sentidos.
Ouça a música das vozes, o canto dos pássaros, os possantes acordes de uma orquestra, como se amanhã fossem ficar surdos. Toquem cada objeto como se amanhã perdessem o tacto. Sintam o perfume das flores, saboreiem cada bocado, como se amanhã não mais sentissem aromas nem gostos. Usem ao máximo todos os sentidos; goze de todas as facetas do prazer e da beleza que o mundo lhes revela pelos vários meios de contacto fornecidos pela natureza. Mas, de todos os sentidos, estou certa de que a visão deve ser o mais delicioso.


E então? Deixo vocês se divertirem com os comentários, nessa coisa aqui, e a gente vai se falando.
Um abraço
Fernando