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Archive for the ‘Textos interessantes’ Category

mar
22
Tempo de leitura: 2 minutos

Oi pessoal!

Pois.. Eu havia perdido o contato com o Pedro Cardoso da Costa, (lembram
dos textos dele?).. E agora recuperei… E tenho muita coisa nova dele
pra postar… Algumas vou comentar antes, outras não; Sabem como é…
Quando não se tem o que falar ou se tem pouco conhecimento sobre o
assunto, melhor não falar nada…

Mas.. Vamos ao que interessa: Vocês lembram Desses questionamentos aqui?
Pois.. Agora eu trago mais alguns pra a gente discutir… É pena que
haja a necessidade de eles serem feitos… Vamos a eles então:


Será Por quê!

1. Só os políticos e policiais brasileiros enriquecem com salários iguais aos de outras pessoas, que não conseguem a mesma
proeza? E nenhum órgão dês fiscalização
os pegam?

2. Milhões de brasileiros fumam e a rua é o cinzeiro de todos?

3. Os jornais, revistas não destinam uma coluna aos leitores comuns, e sempre afirmam que estes são seus principais clientes?

4. Todo prefeito consegue enriquecer num mandato ou em dois?

5. Os defensores dos pobres atribuem os crimes exatamente a estas pessoas?

6. Como se explica muitos afirmarem que a violência ocorre por falta de “Deus”, sendo o Brasil é o maior país católico do
Mundo?

7. Quase todos os professores incentivam aos alunos faltarem em dias úteis para emendar feriados?

8. As autoridades só tomam iniciativas após os desastres, ou depois de denúncias da imprensa, como a falsificação do leite?

9. Quanto mais se combate, mais o analfabetismo se eterniza?

10. Com mais cem mil políticos, nenhum deles enxerga ou reconhece algum problema social?

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
Bel. Direito


Bom… Só “defendendo o meu lado”, já que ele mencionou a violência ser
justificada por alguns devido à falta de “Deus”: Acho que já até
mencionei isso em um outro post mas por auto, vamos então ser práticos,
breves e ir direito ao assunto agora:
Realmente a falta ou não de Deus não justifica a violência, mas se a
gente for pensar, o Brasil ser o maior país católico do mundo não quer
também dizer que todos estejam seguindo os ensinamentos de Jesus Cristo,
afinal, uma religião, por si, não faz ninguém melhor, e todo mundo pode
ser hipócrita em qualquer uma, seja lá qual for; Em breve ainda vou
escrever um post sobre isso, mas adianto que religião não dá carteirinha
de bondade e retidão a ninguém.. Conheço milhares de pessoas que,
inclusive, não seguem religião nenhuma e não ficam indo a igreja todos
os domingos e falando de Jesus Cristo pra cá, bíblia pra lá, ETC.. E são
pessoas ótimas.. E já conheci também pessoas que se diziam católicas,
evangélicas, e ficavam de por que a bíblia diz isso, Jesus Cristo
Aquilo, e por que a igreja sei lá o que mais… E quando a gente iria
ver, tinham “outra cara por traz da que mostravam”…

Bom, mas também falo sobre isso num próximo post… Agora tem muita
coisa pra trazer pra “essa coisa aqui”…

Abração e até as próximas! (Que podem ocorrer ainda hoje)…

Fernando

set
09
Tempo de leitura: 4 minutos

Oi turma!!

Pois é.. Passo dois meses sem aparecer e quando reapareço é uma
cooooisa, né? Pois.. To “tirando o atrasado” aqui com os textos do Pedro
Cardoso da Costa, que recebi nos últimos 2 meses e acabei não postando
por que não entrava por aqui..
E, pra começar, trago um texto referente a um dos temas que considero
mais importantes, não apenas para discussão, (como só se costuma fazer
no Brasil), mas para análise e resolução posterior.. Afinal, discutir,
chegar a conclusões, (como creio que já mencionei por aqui), é
importante, mas mais importante, de preferência, é colocar os resultados
em prática… Se bem que o problema vem justamente aí: Muitos gostam de
discutir, contudo, poucos gostam de agir…
Como disse, esse é um dos temas que considero mais importantes, até por
que essas crianças abandonadas de hoje, serão parte do futuro amanhã.. E
que futuro será esse?

Então, antes de irmos ao texto, vai dois recadinhos:

1) Aos que gostam de somente discutir mas não agir: Lembrem-se que o
futuro do país nunca será “resolvido” com bons argumentos e grandes
discussões, e sim, colocando em prática as resoluções.

2) A todos: Não são os governantes que fazem o Brasil crescer, e sim,
cada Brasileiro… (Me nego a continuar essa linha de raciocínio, não
precisa, pra bom entendedor, meia palavra basta)…

Bom, agora chega de conversa, e vamos ao texto então:

“Toda criança de rua tem um responsável que a abandonou?

PLANEJAMENTO FAMILIAR


A discussão sobre esse tema fica entre dois extremos: a Igreja Católica
defendendo a vida no arcaico crescei e multiplicai-vos e os políticos,
temerosos à Igreja, nunca o encaram com a devida seriedade e quando falam é
de forma tímida e incompreensível. Um fato natural, devido às
radicalizações, passou a ser um problema complexo de difícil solução porque
o Estado se omite de exercer devidamente a sua função preocupado com a
religião, uma questão que diz respeito apenas à individualidade da pessoa.
A liberdade sexual – passando pela AIDS – resulta em inúmeras jovens sem
informação correta engravidando precocemente, gerando família e
amontoando-se no fundo do quintal dos pais, morando mal a família nova e a
dos pais.
Hoje, praticamente toda família tem um(a) jovem com filhos. Esta criançada
não passou da 4ª série do ensino fundamental, tem dentes cariados ou nem
tem, não paga um convênio médico e muito menos tem emprego. Quando muito
preenche dois destes requisitos, mas a maioria nem sequer alcança um, salvo
sempre as honrosas exceções.
Assim como algumas pessoas poderiam ter quantos filhos quisessem, dando toda
a assistência necessária, existem aqueles que estão desempregadas e sem
nenhum recurso que não podem ter nenhum. Toda criança tem direito à comida,
à moradia, à escola e a atendimento médico, existem aqueles que estão
desempregadas e sem nenhum recurso que não podem ter nenhum, mesmo que seja
por algum período. Isso, todos os líderes e segmentos sociais teriam a
obrigação de difundirem, caso se sentissem responsáveis pela construção de
uma Sociedade mais justa.
Sem essas mínimas condições, é preferível evitar filhos, pois espermatozóide
não é criança e não passa fome.
Alguns setores da sociedade – em especial a mídia – tentam jogar a
responsabilidade às pessoas que têm recursos financeiros pelo abandono de
crianças. Isso é injusto e não traz o resultado esperado! A responsabilidade
tem que recair sobre os pais. Eles são os únicos responsáveis! É mais fácil,
racional, inteligente e mais econômico evitar filhos a tê-los sem condições
para educa-los, alimenta-los. É preciso substituir a necessidade psíquica
que quase todo jovem tem de ter filhos por valores como estudo, lazer,
esporte, programas culturais. Fixar a certeza de que a pessoa sem casa e sem
emprego não pode ter filhos. Não há adoção que resolva o problema do menor
abandonado. Adotam-se dez num dia, duzentos são colocados nas ruas no dia
seguinte. Até hoje, nenhum pai (ou mãe) foi civil ou penalmente
responsabilizado por isso! Cadê o Ministério Público para punir esses pais?
Definitivamente, a adoção não é a solução.
Ao Estado caberia informar bem como evitar a gravidez precoce ou indesejada
e, principalmente, deveria colocar à disposição de todos – ricos e pobres –
camisinhas, vacinas, pílulas; e principalmente autorizar a realização da
vasectomia e da laqueadura de trompas nos hospitais públicos para que os
jovens não justifiquem a “fabricação? de filho por não poder evitá-los. Já
autorizado por lei federal desde 1997, mas os hospitais públicos estão
desobedecendo à lei e dificultando a realização das cirurgias.
A partir daí, exigir atuação firme do Ministério Público no cumprimento ao
Estatuto da Criança e do Adolescente. O melhor controle seria o Estado
colocar a informação aos jovens como prioridade, impregnando-lhes valores
que não seja a reprodução indiscriminada. Deve cobrar com rigidez dos pais
que dêem as mínimas condições de vida digna aos filhos. Está faltando arcar
com responsabilidade e inteligência tanto o Estado e a sociedade quanto as
famílias e os jovens. Aliado à ignorância, o problema continua. Responsáveis
diretos ou não, todos sofrem passivamente!

Pedro Cardoso da Costa – Bacharel Direito


E então?? Pois.. Só deixo apenas um “comentário”, para ser analisado
pelos leitores (e até pelo autor, por que vou contactá-lo), junto com o
texto:
Mais importante que ensinar como usar e distribuir camisinhas, fazer
ligadura/vasectomia de graça e outras providências, seria dar uma melhor
formação moral a essas crianças/jovens… E isso poderia começar pela
igreja, (já que eles levam a bíblia tão ao pé da letra), ensinando que
casamento é compromisso sério e filho não é brincar de boneca..
Poderiam, (ou seria até “deveriam”), ter o apoio de órgãos como o conselho
tutelar, e outros…
Mas em fim.. Como falei acima, discutir, é fácil.. Botar em prática.. É
outros 500…

Abração e aguardo os coments…

Fernando

jun
30
Tempo de leitura: 3 minutos

Oi turma!!

Quanto tempo, né?

Hoje, trago para vocês mais um texto do Pedro Cardoso da Costa, falando
de umas “vacas caras demais” e outras formas estúpidas que políticos no
Brasil usam pra justificar certos dinheiros que aparecem,
misteriosamente, em suas contas.. Vamos ao texto:


VACAS FANTASMAS


No Brasil a elite dominante cria certos vícios que se perpetuam. Um, de
resultados deprimentes, seria o fato de algumas pessoas não serem alcançadas
pelas leis, em razão de uma Justiça formalista e comprovadamente ineficaz,
apesar do clichê de que a norma seja igualmente para todos. O processo de
Renan Calheiros no Conselho de Ética no Senado e as suas provas malucas são
atestados recentes dessa cultura da impunidade.
No início do episódio, o presidente do Senado negou tudo. Depois afirmou
que o lobista de uma das maiores empreiteiras brasileiras agira apenas como
seu boy. O dinheiro vivo, apesar da montanha, voava por Brasília em sacolas
como se tornou praxe recente. Justifica-se. É muito mais prático carregar
cem mil em sacos de lixo a efetuar uma transferência bancária. Todo dinheiro
era do senador, comprovado com empréstimo bancário adquirido somente nove
meses – nove meses! – após o pagamento. Só um senador tem condições de pagar
uma dívida com dinheiro vivo adquirido nove meses depois. Era dinheiro
fantasma literalmente. Não poderia ser desse mundo.
Mas, veio explicação terrena de que o empréstimo era para repor o dinheiro
do pagamento da pensão. Oras, mas só justificativa de senador é aceita de
que o dinheiro era para auto-repor-se. Parece aquela frase da encrenca
Caetano-Lobão. Não seria plausível se viesse de um normal!
Todo esse mistério era desfeito quando o Brasil ficou sabendo que se tratava
de um senador-fazendeiro. Aí, apareceram as vacas fantasmas. Ou de ouro. Não
se discuta que as vaquinhas existiam; apenas que foram vendidas a
compradores inexistentes. Destas, Renan apresenta todos os recibos. Não os
tem, nenhum, nenhum, da única pessoa que afirmou ter comprado as vacas de
ouro. Sim, porque o maior preço da arroba era no rico estado industrializado
de São Paulo. Era que não se tinha conhecimento das opulentas vacas
“renenianas? no seco Agreste Alagoano.
Tudo isso corresponde à seriedade com que o Conselho de Ética agiu.
Primeiro, o senador-delegado Romeu Tuma disse que queria absolver. Só no
Brasil e na linha do dinheiro-fantasma de Renan, o investigado tem o
veredicto antes da abertura do processo. Mas, Epitácio Cafeteira substituiu
o delegado. Nem precisou copiar a sentença. Serviu a do próprio delegado.
Para sintetizar: o veredicto veio antes da abertura do processo; não houve
necessidade de ouvir a parte contrária, com “cem por cento de respeito ao
princípio constitucional do Contraditório?. O coroamento de tamanha
seriedade veio a condução do processo pelo próprio réu. Ele determina a
abertura, o foro competente, marca o julgamento e, quando percebe a falta do
quórum absolvidor Romeu-Epitácio, adia o julgamento. Como o Brasil é
enaltecido pela criatividade, instituiu-se o auto-réu-juiz; ou o
auto-juiz-réu!
Para completar este festival de heresias, bem que o presidente Lula poderia
definir quem seria mais ingênuo ou bagrinho, se seu irmão tolinho ou o
senador-presidente. Muito ingênuo para um segundo substituto à presidência
da República.

Pedro Cardoso da Costa – Bel. Direito

Interlagos/SP


E então? Só deixo um pequeno comentário, antes de me despedir: Quem vai
mudar o Brasil não é o governante.. Não adianta entregar o país na mão
dos outros e ficar jogando todas as soluções nas mãos dos políticos por
que se cada um de nós não fizer sua parte… Não que eu queira achar que
os políticos não tem culpa no cartório, pelo contrário… O que acho é
que o Brasil só vai começar a mudar quando agente cooperar com a solução
dos problemas, e parar de entregá-los nas mãos dos outros…

Abração

Fernando

jun
14
Tempo de leitura: 2 minutos

Oi turma!!

Tudo bem? Pois.. Comigo tudo..

Hoje trago aqui mais um texto do Pedro Cardoso da Costa, falando sobre o
quadro Soletrando, do Ruck, que creio que todos vocês devam conhecer…

Eu, particularmente, não gosto muito desse quadro, acho que ele além de
demonstrar a baixa qualidade do ensino no Brasil, atualmente, ainda está
“endeusando” aqueles que demonstram ainda saber pelo menos como se
escreve corretamente uma palavra… Bom, mas sem mais comentários, por
que senão ainda vão arrancar minha cabeça.. Vamos ao texto:


AMPLIAR O “SOLETRANDO?

Pedro Cardoso da Costa

A criação do quadro “Soletrando? no programa do Caldeirão do Ruck foi, além
do ineditismo, uma das boas iniciativas da televisão aberta nos últimos
tempos, apesar de iniciativa tímida.
Esse quadro não recupera nem atinge os milhões de telespectadores de
novelas, mas pelas notícias cresceu de audiência com os passar dos
programas. Teve um formato muito rápido, por isso os resultados foram bons,
mas poderiam ter sido ainda melhores. Deveria ter sido mais duradouro, quem
sabe apresentando a finalíssima de cada estado.
O principal resultado seria escancarar como anda ruim o ensino nas escolas
públicas. Também pode mostrar que pode haver ensino de qualidade em escola
pública. Deixa claro que depende mais de esforço e criatividade de seus
diretores, do que de autoridades governamentais distantes, como prefeitos e
governadores. Embora o ideal seja a integração de todas.
Também fica restrito à soletração de palavras. Seria bom ampliar o tema para
colocar assuntos variados da Língua Portuguesa.
As demais emissoras deveriam seguir a linha adotada pela Rede Globo. E nem
podem alegar que não querem plagiar, tendo em vista que em televisão tudo se
copia, com outro nome.
As empresas deveriam colaborar com a criação de políticas de conhecimento
geral, exigindo a leitura de livros por parte de seus funcionários. Mesmo
que seja de matérias ligadas à área da empresa. A Volkswagen distribui
panfletos mostrando como se escrevem corretamente várias palavras. Essa
iniciativa poderia ser adotada até em sacolinhas e saquinhos de mercado, de
padaria, de bazar e por todas as casas comerciais. Os jornais poderiam
criar um espaço para a educação, dividindo o destinado às ocorrências
policiais.
A Globo deu um passo muito importante, mas precisa ampliar de nível de
escolaridade, de matérias, de programas e de tempo de duração. Uma pena que
um programa tão importante tenha durado bem menos do que o Big Brother
Brasil.

Pedro Cardoso da Costa – Bel. Direito
Interlagos/SP


E então? Comentem! Digam o que acharam nos comentários..

Abração!

Fernando

jun
04
Tempo de leitura: 4 minutos

Oi turma!!

Trago aqui mais um texto do Pedro Cardoso da Costa, que já era pra ter
sido publicado aqui a semana passada, mas que eu acabei deixando passar.
Fala sobre a atuação da polícia, em contraste com a da justiça, e,
claro, com o apoio desmotivador da imprensa, e de “escândalos internos”
que também atrapalham.. Leiam e, principalmente, comentem!

Vamos a ele:


POL?CIA COM PF MAIÚSCULAS


Mesmo com a resistência da imprensa nacional ao tentar desmerecer o
trabalho da Polícia Federal, ora com críticas às cenas de holofotes
dadas por ela mesma, ora aos pomposos nomes dado às operações, trata-se
da instituição que enaltece o serviço público e tem merecido a guarida
da população honesta deste país. Também prova que, dentro deste oceano
de lama, se pode trabalhar com eficiência e correção. As demais
instituições, mais do que expurgarem seus maus funcionários e se
tornarem eficientes, precisam mudar a cultura do protecionismo ao
banditismo do colarinho branco. A omissão ou conivência de grande parte
da mídia explica-se por favores ilegais, semelhantes ao plano de saúde
pago a jornalistas e familiares pela Câmara dos Deputados. Se a Justiça
funcionasse minimamente, esse dinheiro teria que ser ressarcido e algum
responsável penalizado criminalmente. Se utilizar dinheiro público
indevidamente não for crime, pode extinguir essa figura jurídica, ao
menos para
algumas pessoas. Seria o único país do mundo que teria a figura dos
incrimináveis pelo status social.
Mas tem que haver certa coerência entre a Polícia Federal e a Justiça.
As prisões da PF e as seguidas solturas da Justiça, em especial das
instâncias superiores, precisam ser revistas; ou as prisões ou as
solturas não são bem fundamentadas juridicamente. Mas só de ver aquela
cena rotineira de paletós ou blusões carregados pelas mãos postas, mesmo
nos quarenta graus de calor, como se tivessem rezando, já lava a alma
dos honestos.
Outra característica resultante das mega-ações são as explicações dos
superiores. Uns não conhecem os assessores; outros não teriam idéia do
que seriam capazes; lição antiga da dupla Dirceu/Waldomiro; e todos,
todos, sem distinção, mandam apurar internamente o ocorrido com a
instauração de sindicâncias, abertura de processos administrativos e
até auditorias. Todas essas ações merecedoras de confiabilidade inferior
à de uma raposa que cuida de uma galinha; ou de uma cobra protegendo um
sapo; ou dos agentes controladores da entrada de celular nas cadeias.
Os diversos institutos de pesquisas deveriam perguntar aos cidadãos
sobre em qual instituição da Administração Pública brasileira ela confia
mais. Mas, deveria separá-las em duas para mostrar diferentes
resultados. Uma aos cidadãos de bem, outra a esta casta que destrói o
Brasil. Na primeira, seria cem por cento de aprovação; na segunda mesmo
percentual de reprovação.
Mas a Polícia Federal deve estruturar-se para um passo seguinte nas
investigações. Agora, a prova principal tem sido as gravações
telefônicas, cujas vozes os donos não as reconhecem, por embriaguez,
sonolência, remédios dopantes, rouquidão. É que as gravações têm pegado
os infratores porque se julgam acima da lei, como vivem repetindo. Uma
hora, eles trocarão os telefonemas por reuniões. Aí, seria o momento de
gravações de imagens, muito nítidas, senão vão ser negadas; ou de som,
mas ambiente. Vai complicar!
Os resultados têm sido frustrantes. Muitas vezes pelo preço de
sentenças de vários magistrados, do nível do meritíssimo Paulo Medina.
Neste aspecto a imprensa falha, por não colocar apenas a lista num
quadro sinótico com nome, cargo, quem o indicou, e cobrar o resultado do
processo. Por exemplo, ainda que nunca se encontre o responsável, a
população precisa saber onde está depositado e a destinação do montante
dos dinheiros que voam pelo Brasil. Do dossiê do Hotel ?bis, da cueca e
de outros. Polícia estender a competência da PF para investigar as
doações de milhões às campanhas. Assim deixaria de ser mera coincidência
os posteriores contratos das empresas doadoras com os governos eleitos;
o enriquecimento bilionário e repentino de servidores públicos, como do
delegado Di Rissio, que já tinha um valoroso e iria comprar outro
apartamento de um milhão e meio de reais, além de tantas outras
normalidades que só acontecem no Brasil; mas não o Brasil da Polícia
Federal, esta,
sim, uma instituição de iniciais maiúsculas com justeza incomparável.
Pedro Cardoso da Costa – Bel. Direito
Interlagos/SP

Fidelidade Partidária

Diogo Mainardi escreveu certa vez que o Brasil perde muito mais quando
os parlamentares trabalharam mais. Exagero, só os parlamentares entendem
assim; se perguntarem ao povo, só responde ao contrário aqueles que não
entendem nada das operações da Polícia Federal.

Os parlamentares legislam em demasia sobre as mesmas coisas e isso
serve para causar confusão e ajuda aos maus jurisconsultos decidirem
casos semelhantes das formas mais diversas possíveis. Algumas decisões
a Polícia Federal está desbaratando a que preço.

Se o Brasil saísse dessa discussão legalista permanente para os atos
administrativos em si, talvez a imprensa pudesse acompanhar mais de
perto as verbas e suas destinações e, tal como o cidadão, não se
surpreendesse tanto com os furtos, apropriação indébita ou outros tipos,
sempre chamados de desvios.

Prova inconteste dessa legislação inócua e desnecessária tem sido o
debate por fidelidade partidária. Preocupação apenas dos oposicionistas
da vez, porque ética é definida como conceito individual pelo
brasileiro conforme o interesse imediato de cada indivíduo, e quase
todos têm por normal que ela não faça parte da política nacional.
Discute-se e perde-se tempo com a criação de lei para estabelecer a
perda de mandato de parlamentar quando troque de partido.

A solução existe há mais de onze anos, no artigo que transcrevo da lei
9.096, de setembro de 1995. Art. 20. É facultado ao partido político
estabelecer, em seu estatuto, prazos de filiação partidária superiores
aos previstos nesta Lei, com vistas a candidatura a cargos eletivos
(sublinhado por mim).

Esta norma torna-se mais democrática do que numa lei, que obrigaria a
todos por igual. No estatuto, cada partido pode definir o prazo que
corresponda a sua “ética?. Caso não tenham entendido, a lei determina
prazo maior e indefinido. Pode ser de cinco, dez, vinte anos. Como as
eleições são de quatro em quatro anos, bastaria definir que somente
poderiam ser candidatos os filiados ao partido há pelo menos quatro anos
da eleição. Isso deixaria claro se a preocupação seria com a ética. Se
for apenas para tomar o mandato dos parlamentares para os partidos,
poderiam acrescentar esse prazo mínimo de quatro anos no próprio artigo.
Pedro Cardoso da Costa – Bel. Direito
Interlagos/SP


E então? Leiam, comentem, critiquem.. É pra isso que estamos aqui..

Abração!

Fernando

Maio
15
Tempo de leitura: < 1 minuto

Oi turma!

Pois.. Pra vocês que conhecem os textos do Pedro Cardoso da Costa,
trago aqui alguns questionamentos, feitos por ele, e que vão de
encontro a dois textos já publicados aqui.. Quem quiser, é só clickar no
link e conferir.. Vamos ao texto:


Será Por quê?


1. O presidente da República, como mais alto posto do serviço público brasileiro, recebe salário inferior a muitos outros
servidores?

2. Não existe uma única cidade limpa e arborizada satisfatoriamente no Brasil?

3. Não existe uma cidade, governo estadual que utilize os terrenos “baldios? das cidades para hortas ou qualquer serviço
de utilidade pública da cidade, ou permita
a utilização por entidades, especialmente as que cuidam de deficientes ou idosos?

4. Não existe uma política de criação de bibliotecas pelos vários governos?

5. Nunca se completam as “reformas constitucionais e legais de que tanto o país precisa?? (sic)

6. Nenhuma prefeitura de capital ou de cidade grande oficializa um torneio anual de um esporte, por exemplo de tênis?

7. Não se integra esporte e educação em nenhuma esfera do ensino?

8. Tantas crianças mendigam nas ruas, são abandonas, não vão ou abandonam a escola e nenhum responsável é penalmente
punido, se todas essas circunstâncias configuram
ou podem configurar crime?

9. O brasileiro, especialmente autoridade com essa obrigação, não preserva o patrimônio público ou particular?

10. O brasileiro prefere assistir a programa de televisão de gosto duvidoso a se divertir numa praça?

As respostas ficam por conta de cada um, da sociedade.

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
Bel. Direito

TODO TEXTO MEU PODE SER PUBLICADO, COMENTADO, CRITICADO E REPASSADO.


E então? Que as respostas fiquem para as mentes de cada um dos
brasileiros que chegarem a esse texto, e aos comentários dessa coisa
aqui…

Abração!

Fernando

Maio
06
Tempo de leitura: 2 minutos

Oi turma!!

Pois é.. Vocês lembram de um texto chamado A tristeza do Geca, que
eu publiquei na semana passada? Pois… Já que falamos em educação,
trago aqui mais um texto do Pedro Cardoso da Costa, muito interessante,
e que, mais uma vez, diz tudo… Na verdade, só coloco aqui um pequeno
comentário, que vale tanto pra questão da violência, quanto pra da
educação e mais muitas outras por aí:
O problema do Brasil é que “se discute muito, se chega a poucas
conclusões, e se resolve menos ainda!”…
Quando se passar a discutir menos, chegar a conclusões melhores e mais
rápido e também colocar mais em prática as soluções, aí as coisas vão
começar a mudar…

Bom, mas.. Agora chega, vamos ao texto:


FOLCLORE DA EDUCAÇÃO

Pedro Cardoso da Costa


Tomara que a discussão sobre educação não se esgote nela mesma. Costuma-se essa discussão ser recorrente, principalmente sobre problemas insolúveis. Há muito tempo
tem sido assim com a violência. Quanto mais se discute, mais ela tem crescido.
O erro começa por um debate superficial e não analítico. Todos vibram como se fosse numa partida de futebol. Nenhum especialista falou nada mais do que repasse de
verba. Eis o perigo, porque nossas autoridades nunca controlam as verbas repassadas. Um exemplo seria os livros distribuídos que a imprensa noticiou que, novinhos
e sem utilização, estavam servindo à reciclagem.
A análise de alunos iniciantes não passa de fumaça. O provão foi criado com a mesma espuma e não melhorou em nada a qualidade dos alunos nem das faculdades. Com
o Enem ocorreu o mesmo.
Primeiro, precisaria colocar em prática que todo professor fizesse um curso superior em sua área de atuação. Depois, que se fechassem efetivamente as instituições
com qualidade ruim.
Avaliações periódicas dos professores, retirando das salas aqueles sem qualificação seria outra medida imprescindível. Existem aos borbotões.
Seria necessário estabelecer metas no nível de conhecimento para as várias etapas do ensino. Por que o colégio particular ensina e o público não? Quem completasse
o ensino médio deveria adquirir conhecimento mínimo X. Os de nível médio deveriam saber Y. Todo mundo sabe quando o ensino não passa de faz-de-conta, principalmente
os responsáveis pelas crianças.
Outra medida salutar seria o trabalho permanente com a leitura de jornais, revistas. Estipular uma quantidade mínima de livros para alunos dos vários níveis. Só
como exemplo, quem concluísse o ensino fundamental teria que ter lido e trabalhado cinqüenta livros de escritores nacionais e cinco estrangeiros. Daria uma média
de cinco livros/ano.
Além dessas e de outras medidas, a criação de pelo menos uma biblioteca em toda vila deste país, ou em toda escola. Colocar mensagens oficiais e extra-oficiais na
mídia com incentivo ao acompanhamento dos pais e responsáveis aos alunos; aproximá-los de fato às escolas; incentivar a doação de livros. Incluir a prática de esportes
diversos nas escolas. Caso medidas efetivas não sejam colocadas em prática, este pomposo plano não passará disso: um plano, assim como foram os vários programas
para extinguir o analfabetismo. O Mobral já aniversariou três décadas e o índice de analfabetismo continua vergonhoso. E enquanto tocada a surtos esporádicos, a
educação nunca será um projeto de nação, mas renderá folclóricos pacotes ao país.

Pedro Cardoso da Costa – Bel. Direito
Interlagos/SP
ESTE TEXTO PODE SER COMENTADO, PUBLICADO, CRITICADO E REPASSADO.


E então?? Digam o que acharam nos coments!!!

Fico aguardando eles…

Abração!

Fernando

abr
28
Tempo de leitura: 2 minutos

Oi turma!!

Tudo bom??

Aqui, tudo..

Pois é.. Recebi isso por e-mail do Dré, e não pude deixar de mandar…

Trata-se daqueles verbos que vem sofrendo modificações gramaticais por
conta da globalização, informatização, e outras “zações” mais…

Vamos ver o que vocês acham?
Ah.. Quem tem preguiça de ler, não tem problema, pode assistir aqui, e,
enquanto isso, ir lendo outros posts.. Quem quiser ler pra ser mais
rápido, vá em frente!

Vamos ao texto:


VERBOS NOVOS E HORR?VEIS

Ricardo Freire

Não, por favor, nem tente me disponibilizar alguma coisa, que eu não quero.
Não aceito nada que pessoas, empresas ou organizações me disponibilizem. É
uma questão de princípios. Se você me oferecer, me der, me vender, me
emprestar, talvez eu venha a topar. Até mesmo se você tornar disponível,
quem sabe, eu aceite. Mas, se você insistir em disponibilizar, nada feito.

Caso você esteja contando comigo para operacionalizar algo, vou dizendo
desde de já: pode ir tirando seu cavalinho da chuva. Eu não operacionalizo
nada para ninguém e nem compactuo com quem operacionalize. Se você quiser,
eu monto, eu realizo, eu aplico, eu ponho em operação. Se você pedir com
jeitinho, eu até implemento, mas operacionalizar, jamais.
O quê? Você quer que eu agilize isso para você? Lamento, mas eu não sei
agilizar nada. Nunca agilizei. Está lá no meu currículo: faço tudo, menos
agilizar. Precisando, eu apresso, eu priorizo, eu ponho na frente, eu dou um
gás. Mas agilizar, desculpe, não posso, acho que matei essa aula.

Outro dia mesmo queriam reinicializar meu computador. Só por cima do meu
cadáver virtual. Prefiro comprar um computador novo a reinicializar o
antigo. Até porque eu desconfio que o problema não seja assim tão grave. Em
vez de reinicializar, talvez seja o caso de simplesmente reiniciar, e
pronto.

Por falar nisso, é bom que você saiba que eu parei de utilizar. Assim, sem
mais nem menos. Eu sei, é uma atitude um tanto radical da minha parte, mas
eu não utilizo mais nada. Tenho consciência de que a cada dia que passa mais
e mais pessoas estão utilizando, mas eu parei. Não utilizo mais. Agora só
uso. E recomendo. Se você soubesse como é mais elegante, também deixaria de
utilizar e passaria a usar.

Sim, estou me associando à campanha nacional contra os verbos que acabam em
“ilizar”.

Se nada for feito, daqui a pouco eles serão mais numerosos do que os
terminados simplesmente em “ar”.

Todos os dias, os maus tradutores de livros de marketing e administração
disponibilizam mais e mais termos infelizes, que imediatamente são
operacionalizados pela mídia, reinicializando palavras que já existiam e
eram perfeitamente claras e eufônicas.

A doença está tão disseminada que muitos verbos honestos, com currículo de
ótimos serviços prestados, estão a ponto de cair em desgraça entre pessoas
de ouvidos sensíveis.

Depois que você fica alérgico a disponibilizar, como vai admitir, digamos,
“viabilizar”?

É triste demorar tanto tempo para a gente se dar conta de que
“desincompatibilizar” sempre foi um palavrão.

Precisamos reparabilizar nessas palavras que o pessoal inventabiliza só para
complicabilizar.

Caso contrário, daqui a pouco nossos filhos vão pensabilizar que o certo é
ficar se expressabilizando dessa maneira. Já posso até ouvir as reclamações:
“Você não vai me impedibilizar de falabilizar do jeito que eu bem
quilibiliser”.

Problema seu. Me inclua fora dessa.


E então??? Que tal o texto? Ou o vídeo? Eeeee… Digam o que acharam nos
comentários dessa coisa…

Abração e até a próxima!

Fernando

abr
28
Tempo de leitura: 8 minutos

Oi turma!!!

Tudo bom?

Aqui, tudo…

Pois é… E, novamente, mechendo nos meus “arquivos velhos”, encontrei
esse texto, e resolvi compartilhar com vocês… Eu, particularmente,
diria que tem muito de mim nesse texto, e por isso que gostei tanto de
relê-lo. Resumindo, digamos que a “sétima torre” falada no texto,
poderia dizer que fecha 100% comigo… Quero só ver se um dia eu
encontro alguém que a compartilhe, como o carinha do texto encontrou,
né? Vamos a ele, então:


O Barbazul

Rubem Alves

Vivia num país, não me recordo se próximo ou distante, um
homem que todos conheciam pelo apelido Barbazul. Era um homem de rara
beleza. Do seu rosto o que mais impressionava eram os olhos, de um azul
profundo, dos quais saía uma luz azul que envolvia sua barba numa aura
azulada, razão do seu apelido.

Barbazul era um homem rico. Vivia num castelo. Numa das
extremidades do seu castelo havia uma torre de sete patamares, trancados
a sete chaves. Era uma torre misteriosa, interditada ao público, e
sobre o que havia nela circulavam as estórias mais escabrosas.

Barbazul era um homem solitário. Nunca se casara. Tão bonito,
tão rico: por que nunca se casara? – era a pergunta que todos faziam.

Muitas eram as mulheres, lindas mulheres, que por ele se
apaixonavam. E Barbazul não se esquivava. Aceitava as sugestões
contidas nos sorrisos… A princípio era um simples namorico, os dois
passeando pelos bosques… Mas sempre chegava o momento quando a jovem
lhe dizia:

“Gostaria de me casar com você…”

“Casamento é coisa muito séria”, dizia Barbazul. “Só devem
se casar pessoas que se conhecem profundamente. E só existe uma forma
de as pessoas se conhecerem: é preciso que vivam juntas. Você
viveria comigo, no meu castelo, mesmo sem nos casarmos? Eu no meu
quarto, você no seu… Até nos conhecermos?”

E assim acontecia. A jovem ia viver com Barbazul no seu castelo,
cada um no seu quarto. Comiam juntos, passeavam, conversavam… Barbazul
era um homem extremamente fino e delicado. Mas sempre acontecia a mesma
coisa: depois de um mês assim vivendo Barbazul se dirigia à jovem e
lhe dizia: “Vou fazer uma viagem de sete dias. Nesses dias você tem
permissão para visitar a ‘Torre dos Sete Patamares’. Aqui estão as
sete chaves… Durante a sua visita você deverá segurar a chave do
patamar que você estará visitando na sua mão esquerda, fechada com
bastante força. Isso é muito importante. Porque as chaves têm
propriedades mágicas…”

Com essas palavras ele partia e a jovem ficava só, com as sete
chaves na mão, e a Torre dos Sete Patamares a ser visitada…

Transcorridos sete dias Barbazul regressava e após o abraço do
reencontro perguntava:
“Visitou a Torre dos Sete Patamares?”
“Sim. Visitei todos os patamares…”, a jovem respondia
alegremente.
“Você gostou?”
“Eu os achei maravilhosos!”
Barbazul insistia:
“Todos eles?”
“Sim, todos eles…”
“Então”, concluía com um sorriso, “é hora de você me
devolver as sete chaves, aquelas que você apertou na mão esquerda, o
lado do coração. Como eu lhe disse, elas são mágicas… Elas
vão me contar o que você sentiu…”

Assentava-se então numa poltrona, fechava os olhos, e segurava
as chaves na sua mão esquerda, uma de cada vez. A magia das chaves
estava nisso: elas o faziam sentir, ao segurá-las, o mesmo que a jovem
havia sentido, na sua visita aos sete patamares da torre.

Só de olhar para o seu rosto era possível perceber os
sentimentos guardados na chave que segurava. Eram sentimentos os mais
variados, todos os que existem no leque que vai da alegria até a
tristeza. As jovens sempre se emocionavam ao visitar os patamares da
torre… Com uma exceção. Ao segurar a sétima chave o sorriso de
Barbazul desaparecia e, no seu lugar, aparecia enfado e tédio. Era
isso que a jovem havia sentido no sétimo patamar: enfado e tédio.

“Não”, dizia ele à jovem. “Não poderemos nos casar. Comigo
você será para sempre infeliz. O que há de mais fundo em mim, para
você é tédio e enfado.”

E sem outras explicações levava a jovem à casa de seus pais,
não sem antes enchê-la com os presentes que trouxera da viagem.

E era sempre assim.
Foi então que aconteceu…
Era o entardecer, o sol se pondo no horizonte. O mar estava
maravilhosamente azul. Barbazul caminhava na praia, como sempre fazia,
pés descalços… Viu, ao longe, uma jovem que caminhava sozinha,
molhando os seus pés na espuma do mar. Era uma cena linda, digna de
uma tela de Monet: uma jovem sozinha, vestes brancas na areia branca,
contra o azul do céu e o azul do mar… Ela caminhava na sua
direção, distraída. Mas parecia não vê-lo, tão absorta se
encontrava. Ela se assustou quando o viu…
“Eu a assustei?”, ele perguntou.
“Eu estava distraída”, ela disse, se desculpando.
“Qual é o seu nome?”
“O meu nome? Stella Maris…”
“Chamam-me de Barbazul, por causa da cor da minha barba…”
Eles riram.
Ela não era bonita. Mas a cena era bonita, bonitos eram seus
olhos, bonita era a sua voz…

Barbazul ouviu músicas no seu coração. E foi assim que
caminharam juntos de pés descalços ao sol poente, caminhadas que
vieram a se repetir a cada novo dia.

Até que, numa dessas caminhadas, Barbazul falou o que nunca
falara.
“Você não quer morar comigo no meu castelo?”
“Você está pedindo que eu me case com você?”, ela perguntou.

“Não. Estou pedindo que você venha morar comigo. Depois de
morar comigo, quem sabe, descobriremos que as nossas solidões
poderão caminhar juntas pela vida…”

E assim, ela foi morar no castelo do Barbazul. E aconteceu
exatamente como acontecia com todas as outras: passado um tempo Barbazul
anunciou uma viagem de sete dias e lhe deu as sete chaves com a mesma
recomendação. E partiu…

No primeiro dia Stella Maris tomou a primeira chave, abriu a porta
do primeiro patamar e segurou firmemente a chave na sua mão. Era um
enorme salão de festas cheio de gente. A orquestra tocava valsas
alegres e as pessoas dançavam e riam. Parecia que todos estavam leves
e felizes. Stella Maris dançou também e se sentiu leve e feliz.

No segundo dia Stella Maris tomou a segunda chave, abriu a porta
do segundo patamar e segurou firmemente a chave na sua mão. Era um
salão de banquetes onde se serviam as mais deliciosas comidas e se
bebiam os vinhos mais caros. Muitos eram os comensais, mas não tantos
quantos havia no salão de festas. Stella Maris juntou-se a eles,
assentou-se, comeu, bebeu e se alegrou.

No terceiro dia Stella Maris tomou a terceira chave, abriu a porta
do terceiro patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era um
parque cheio de crianças que brincavam dos mais variados brinquedos:
balanços, gangorras, pipas, piões, cabo-de-guerra, pau de sebo,
perna de pau, pula-corda, amarelinha, bolinhas de gude, bonecas,
casinha, cabra-cega, escorregador, sela… Todas riam. Todas estavam
felizes. Stella Maris se sentiu como criança e se juntou com elas, a
brincar.

No quarto dia Stella Maris tomou a quarta chave, abriu a porta do
quarto patamar e segurou a chave firmemente em sua mão. Era uma
biblioteca com prateleiras cheias de livros. Havia livros de todos os
tipos: livros de ciência, de história, de literatura, de poesia, de
filosofia, de humor, de mistério, de crime, de ficção
científica, de arte, de culinária, de sexo, de religião… Os
rostos daqueles que, assentados às mesas, liam livros em silêncio,
revelavam emoções que os livros continham: concentração,
excitação, curiosidade, alegria, tristeza, riso… Stella Maris
escolheu um livro de arte, pinturas de Monet. Vendo as ninféias de
Monet ela se sentiu leve e diáfana e desejou ver uma ninféia num
lago…

No quinto dia Stella Maris tomou a quinta chave, abriu a porta do
quinto patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era uma
catedral gótica. A luz do sol se filtrava através dos vitrais
coloridos e no silêncio do espaço vazio se ouvia o Requiem, de
Fauré. E não eram muitas as pessoas que lá estavam. Havia rostos
de súplica, rostos de sofrimento, rostos de paz. Stella Maris foi
envolvida pelo silêncio, pelas cores dos vitrais, pela música… E a
sua alma orou, chorou, agradeceu e sentiu paz.

No sexto dia Stella Maris tomou a sexta chave, abriu a porta do
sexto patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era um jardim
japonês. Ouvia-se o barulho da água que caía na fonte onde nadavam
carpas coloridas em meio às ninféias. As cerejeiras estavam
floridas. Um velho hai-kai repentinamente floresceu: “Cerejeiras ao
anoitecer – Hoje também já é outrora…” (Issa). Poucas, muito
poucas eram as pessoas que andavam pelo jardim. Stella Maris se assentou
sob uma cerejeira florida e o seu pensamento parou. Não era
necessário pensar. A beleza era tanta que ocupava todo o lugar onde
moram os pensamentos. Experimentou o paraíso…

No sétimo dia Stella Maris tomou a sétima chave, abriu a porta
do sétimo patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era uma
ampla sala vazia, na penumbra. Ninguém, somente ela. O silêncio era
absoluto. A solidão era absoluta. Dois móveis apenas, duas cadeiras.
A que se encontrava no centro da sala era iluminada pela luz das velas
de um candelabro que pendia do teto. Stella Maris assentou-se na cadeira
que estava num canto, nas sombras.

Foi então que um homem entrou por uma porta nos fundos. Vinha
abraçado com um violoncelo. Sem dizer uma única palavra ele se
assentou, arrumou o violoncelo entre as pernas, tomou o arco,
concentrou-se e pôs-se a tocar. A melodia, em meio ao silêncio
absoluto, sem nenhum ruído ou fala que a profanasse, era de tal pureza
e pungência que lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Stella
Maris.

Sentiu que o seu corpo estava possuído pela beleza. Era como se
ele, o seu corpo, fosse o instrumento de onde saía a música. Sim,
ela já a ouvira: a Suíte n. 1, em sol maior para violoncelo, de
Bach. Terminada a execução, o artista se levantou e se retirou sem
nada dizer. Stella Maris permaneceu assentada, em silêncio; não
queria que aquele momento terminasse. Queria que ele se prolongasse,
para sempre…

* * *

“Então”, disse Barbazul sorridente, “visitou a Torre dos Sete
Patamares?”
“Visitei”, respondeu Stella Maris, entregando-lhe as chaves.
Barbazul pediu para ficar sozinho e reclinando com os olhos fechados foi
apertando as chaves, sucessivamente, com a mão esquerda, a mão do
coração. No seu rosto se estampavam as emoções que Stella Maris
havia tido em cada um dos patamares: leveza, alegria, riso, beleza,
tristeza – até chegar ao último patamar, aquele que, ao segurar a
sua chave, sentira o tédio e o enfado que as outras mulheres haviam
sentido. O que é que Stella Maris teria sentido?

E, de repente, sentiu lágrimas rolando pelo seu rosto, as mesmas
lágrimas que haviam rolado pelo rosto de Stella Maris. Era como se o
seu corpo estivesse possuído pela beleza e fosse o instrumento do qual
a música saía…

Barbazul sorriu. Permaneceu assentado, em silêncio; não queria
que aquele momento terminasse. Queria que ele se prolongasse, para
sempre…

* * *

“Stella Maris, você quer se casar comigo”, ele perguntou.

“Casar? Mas eu pensei que…”

“Sim, casar. Você compreendeu o que é a Torre dos Sete
Patamares? É a minha alma. Cada patamar é um pedaço de mim. Lá
se encontram os prazeres e alegrias humanos. Homens, mulheres e
crianças se reúnem para compartilhar esses prazeres e alegrias. Mas,
ao final da torre, há um lugar de solidão absoluta onde só entra
uma pessoa de cada vez, eu permitindo. Aquele lugar é o fundo do meu
coração. Quem não amar aquele lugar jamais me amará. Poderá
até ser um companheiro de danças, de jantares, de discussões
literárias, de brinquedos… Muitos podem ser bons companheiros. Mas,
para me amar, é preciso amar a minha solidão. E aquela música é
a forma sonora da minha solidão. Você a achou bela. Você permitiu
que ela possuísse o seu corpo. E, por isso, eu a amo… Nossas
solidões são amigas… Você quer se casar comigo?”

– Estórias são parábolas. Não podem ser tomadas
literalmente. Eu usei uma figura masculina como figura central – o
Barbazul – porque estou reescrevendo e transformando a velhíssima
estória do Barba Azul, cheia de violências e assassinatos. Mas seria
possível escrever uma estória com a mesma trama tendo uma mulher
como a figura central.

– “O primeiro homem é o primeiro visionário de espíritos. A
ele tudo aparece como espírito. O que são as crianças, senão
primeiros homens? O fresco olhar da criança é mais transcendente que
o pressentimento do mais resoluto dos visionários.” (Novalis,
Pólen, 163).


E então? Que tal o texto?? Comentem!!! E depois agente conversa…

Abração!

Fernando

abr
28
Tempo de leitura: 3 minutos

Oi turma!!!

Pois é.. Vocês lembram daquele texto sobre a redução da maioridade penal,
que eu postei aqui a alguns dias atrás?

Se não lembram, recomendo a leitura, mesmo assim.. Pois bem.. Trago,
agora, do mesmo autor, um comentário muito interessante sobre a situação
atual do futebol no Brasil…
Não vou fazer nenhum comentário, deixo isso para os entendidos, até por
que meus conhecimentos de futebol se limitam ao fato de que “acho que
pra jogar precisa-se de uma bola”… Portanto, pra quem não sabe, melhor
não falar que falar besteira, né?

Pois então, vamos ao texto:


DECADÊNCIA DO FUTEBOL


Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP

Já houve uma afirmação de que nada se constrói, tudo se transforma. O futebol brasileiro parece querer ferir essa lógica
com sua repetição exagerada em tudo, sem
nenhuma criatividade. Todos repetem. Dirigentes, treinadores, jogadores, comentaristas e até torcedores.
Os comentaristas mencionam sempre a sobra de jogadores para determinado time. Mesmo que os dois times estejam com os mesmos
onze de cada lado, sem expulsão, sem
contusão. Esquecem-se e não explicam que do outro lado tem jogador sobrando em algum canto do campo. A prevalência técnica
de sobra de um time sobre a do outro deveria
ser explicado; e não explicam. Outro argumento generalizado seria o gol só por falha da defesa. Por essa lógica, sem haver
sobreposição de um ataque sobre a defesa,
se não houvesse falha, todo jogo terminaria empatado sem gols.
Ouve-se que os técnicos estudaram ou conhecem tais e tais times e por isso levam vantagem. A questão é que os treinadores
brasileiros só saem dos times por deficiência
técnica. Neste caso, parece óbvio que o conhecimento desse treinador sobre o time de onde saiu demitido não traria nenhum
efeito positivo. Outra questão que precisa
ser igualitária seria a responsabilidade do treinador. Quando ganha é em função do seu “bom trabalho?, quando perde, é porque
os jogadores não correspondem ao que
o treinador pediu. A função técnica limita-se a pedir: então o treinador manda marcar Maradona e se o jogador não conseguir
não obedeceu ao que o treinador pediu!
Fácil assim!
Os jogadores repetem que erraram quando não podiam; nunca dizem quando poderiam errar! Além dessa, quando um time está fazendo
uma grande campanha, a colocação de
que todos querem ganhar da gente; não dizem quando e quais times não querem ganhar.
O pior é o péssimo nível técnico do futebol brasileiro. Os clubes brasileiros passaram a ser peneiras dos europeus de qualquer
divisão, não seguram nenhum atleta
quando este interessa a um time da terceira divisão da Itália, Alemanha, Espanha. As semifinais dos estaduais comprovam
isso. No último jogo entre Bragantino e Santos,
a quantidade de passes errados do Bragantino dá a mostra do nível dos demais estados, considerando que São Paulo seja o
melhor tecnicamente. Além disso, mesmo o
time precisando de determinado resultado para uma classificação, o atacante comete falta nos zagueiros e prejudicam o time.
Outra falta boba seria aquela que um
jogador vai receber a bola e outro por traz dá aquela chegada! São inúmeras faltas totalmente desnecessárias. E nisso os
brucutus da maioria dos treinadores têm
total responsabilidade. Alguém precisa dizer aos treinadores brasileiros que treinar nada tem a ver com aquele berreiro,
palavrões, gestos grosseiros e desrespeito
aos atletas. E estes deveriam se impor e não aceitar este tratamento grosseiro e mal-educado.
Não podem ser aceitos por todos outros erros cometidos por atletas profissionais, ao menos de forma reiterada como tem ocorrido:
bater escanteio que a bola passe
por detrás do gol; cobrar falta por cobertura que bata na barreira; passar a bola para colegas em impedimento; erros de
passes laterais ou um pouquinho “semiverticais?
e bem próximos (aceita-se nos lances em profundidade para o gol); aquele chuveirinho repetido e inócuo. No mínimo, 90% são
rebatidos pelos zagueiros. Finalizam alguns
erros banais a reposição de goleiro com chutões. Também só substitui bem quem escala mal. O resto é conversa fiada e puxa-saquismo.
Ah, colega que empurra os companheiros
para bajular somente o técnico demonstra falta de companheirismo e personalidade.
Mais de oitenta por cento das faltas marcadas por árbitros brasileiros não existem. Essas faltas não passam de trombadas,
escorregões, encontros, choques, acidentes
de trabalho. Deve ser banida a palavra acho dos comentaristas; eles têm que comentar o jogo e parar de fazer previsões.
Eles não são gurus nem têm conhecimento suficiente
para fazer prognósticos antecipados. São muito chatos com esses palpites e chutes. Já os comentaristas de arbitragem falam
tudo contrário ao que mostra a imagem.

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
Bel. Direito


E então, que acharam? Manifestem-se!! Aguardo vocês nos comentários por
aqui…

Abração!

Fernando

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