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Archive for the ‘Prof. Pasquale Cipro Neto’ Category

set
10

Oi turma!

Tudo bem?

Aqui tudo.. Como todos vocês, andei ouvindo esse tal de “paralímpico”
durante as paraolimpíadas de 2012.. Como a maioria, também pensei: “Que
é isso? Isso não está certo”… E o termo, tanto a mim quanto a muitos,
acabou soando estranho. Pois, recebi esse excelente artigo do prof. Eduardo Paes,
que explica o por que do termo e mostra que, mais uma vez, querem que a
gente engula termos americanizados que andam invadindo línguas por aí.
Leiam o artigo e tudo ficará mais claro. Eu, de minha parte, vou
continuar usando o termo original “paraolímpico”, e se querem ver o por
que, o texto abaixo já diz tudo..


Paralímpico? Haja bobagem e submissão!

Prof. Pasquale Cipro Neto

O meu querido amigo, vizinho, filho e irmão Márcio Ribeiro me pergunta,
com o seu falar italianado e com influência do linguajar da Casa Verde,
bairro paulistano em que passou boa parte da vida: “Ma que história é
essa de ‘paralímpico’? Emburreci, emburrecemos todos?”. E não foi só o
Márcio. Vários leitores escreveram diretamente para o jornal ou para mim
para pedir explicações.

Não, meu caro Márcio, não emburreceste. Nem tu nem os leitores que se
manifestaram. E, é bom que se diga logo, a Folha não embarcou nessa
canoa furadésima, furadissíssima.

Parece que o Comitê Paralímpico Brasileiro adotou a forma “paralímpico”
para se aproximar da grafia do nome do comitê internacional
(“paralympic”). Por sinal, o de Portugal também emprega essa aberração –
o deles se chama “Comité Paralímpico de Portugal” (com acento agudo
mesmo em “comité”).

É bom lembrar que o “par(a)-” da legítima forma portuguesa
“paraolímpico” vem do grego, em que, de acordo com o “Houaiss”, tem o
sentido de “junto; ao lado de; ao longo de; para além de”. Na nossa
língua, ainda de acordo com o “Houaiss”, esse prefixo ocorre com o
sentido de “proximidade” (“paratireoide”, “parágrafo”), de “oposição”
(“paradoxo”), de “para além de” (“parapsicologia”), de “distúrbio”
(“paraplegia”, “paralexia”) ou de “semelhança” (“parastêmone”). Os jogos
são paraolímpicos porque são disputados à semelhança dos olímpicos.

Talvez seja desnecessário lembrar que esse “par(a)-” nada tem que ver
com o “para” de “paraquedas” ou “para-raios”, que é do verbo “parar”
(não esqueçamos que o infame “Des/Acordo Ortográfico” eliminou o acento
agudo da forma verbal “para”).

Pois bem. A formação de “paraolímpico” é semelhante à de termos como
“gastroenterologista”, “gastroenterite”, “hidroelétrico/a”,
“socioeconômico”, das quais existem formas variantes, em que se suprime
a vogal/fonema final do primeiro elemento (mas nunca a vogal/fonema
inicial do segundo elemento): “gastrenterologia”, “gastrenterite”,
“hidrelétrico/a”, “socieconômico”. O uso não registra preferência por um
determinado tipo de processo: se tomarmos a dupla
“hidroelétrico/hidrelétrico”, por exemplo, veremos que a mais usada sem
dúvida é a segunda; se tomarmos “socioeconômico/socieconômico”, veremos
que a vitória é da primeira.

O fato é que em português poderíamos perfeitamente ter também a forma
“parolímpico”, mas nunca “paralímpico”, que, pelo jeito, não passa de
macaquice, explicitação do invencível complexo de vira-lata (como dizia
o grande Nelson Rodrigues). Pelo que sei, em inglês… Bem, dane-se o
inglês. Danem-se os Estados Unidos, a Inglaterra e a língua inglesa.

Alta fonte de uma das nossas mais importantes emissoras de rádio me
disse que o Comitê Paralímpico Brasileiro fez pressão para que a
emissora adotasse a bobagem, digo, a forma americanoide, anglicoide ou
seja lá o que for. A farsa é tão grande que, em algumas emissoras de
rádio e de TV, os repórteres (que seguem ordens superiores) se esforçam
para pronunciar a aberração, mas os atletas paraolímpicos logo se
encarregam de pôr as coisas nos devidos lugares, já que, quando
entrevistados, dão de ombros para a bobagem recém-pronunciada pelo
entrevistador e dizem “paraolímpico”, “paraolimpíada/s”.

Eu gostaria também de trocar duas palavras sobre “brasuca/brazuca” e
sobre o barulho causado pelo “porque” da presidente Dilma, mas o espaço
acabou. Trato disso na semana que vem. É isso.

[Folha de São Paulo]


Pois.. Divirtam-se agora nos comentários então, e, de preferência, não
engulam tudo que os ingleses e americanos querem!

Fernando