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Archive for the ‘Autores’ Category

jul
04

Olá caros leitores! Hoje trago mais um texto do Pedro Cardoso da Costa que, por estar de acordo completamente com minha forma de pensar e pelo tema estar em voga, é o primeiro a ser publicado no meu “retorno” ào blog, mesmo antes dos motivos da minha ausência, que acho não tanto relevantes. Acrescento aos que não defendem a alteração da maioridade penal que procurem entrevistar e mesmo conviver com as famílias das vítimas um pouco, isso valerá melhor que qualquer argumento dos opostos. Vamos ào texto:

Sem idade para crime


Quem assiste às sessões da Câmara dos Deputados tem todo direito de não acreditar na evolução deste país. É de doer perceber o despreparo de quase todos os representantes do povo para enfrentar determinadas matérias com serenidade e domínio. Está sendo assim com a diminuição da maioridade penal.

Na sociedade dois blocos se formaram; os favoráveis e os contrários. No Congresso são vários grupos, a maioria varia entre os quase contra e os quase a favor. É o muro funcionando.

Quem é a favor, basta apresentar o número de atrocidades praticadas por menores e a correlação com penas brandas, com no máximo três anos de internação, quase nunca cumpridos integralmente.

Os contrários têm uma vasta relação de justificativas, que podem ser incluídas no velho e batido clichê de que “quem quer resolver sempre arruma um jeito, quem não quer arruma uma desculpa”.

Alegam, principalmente, que os menores vão para cadeias que são verdadeiras escolas do crime. Dentre estes, está o ministro da Justiça. Numa sociedade mais reativa, esse ministro não ficaria no cargo com um argumento desses.

Bastaria indagar-lhe de quem é a responsabilidade pela construção, pelos “alunos e professores” e funcionamento geral dessas escolas.

Uma prisão digna, com funcionamento adequado é pura e exclusivamente atribuição dos governos. As penitenciárias deveriam se limitar a manter as pessoas reclusas, sem permitir abusos, maus-tratos; onde prevaleça a ordem, que tenham projetos de inclusão social, assistência psicológica e, além de tudo, de segurança para todos. E se de lá saem piores não é pela vontade nem participação da sociedade, a principal prejudicada dessa história.

Quem faz essa defesa, é como se fizesse uma birra com a população. Ou escolhe ficar com um bandido que “só” mate alguns enquanto menor, ou um matador em série após a prisão.

A maioria dos argumentos é desfocada dos verdadeiros responsáveis e causas. Numa discriminação típica de quem tem o preconceito intrínseco, responsabiliza o meio social como o fator determinante de crimes como estupro, sequestro e outros. Essa não é só banal, é uma injusta discriminação social. Todo mundo sabe que a bandidagem mais perniciosa a todos não está nas “comunidades”.

Ainda que fosse isso, as medidas preventivas devem ser implementadas para evitar os crimes. Parece óbvio. Após os crimes, a discussão é se os autores devem ou não ser punidos.

Ainda que distorcido todo o debate, a Câmara dos Deputados aprovou a punição “como adultos” para maiores de 16 anos que cometam crimes hediondos e – olha isso! – assassinatos dolosos. Assassinato doloso não é hediondo? E deixaram como antes a permissão, por exemplo, para continuarem traficando. Parece deliberado para não prejudicar o ramo de atividade criminosa que, segundo eles mesmos e todos os especialistas, mais se utilizam de menores como porta de entrada para os demais crimes.

Esse Congresso é ou não é de doer?

Quem comete crime não deve ser punido “como adulto”; deve ser punido “como criminoso”.

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP


E então? Aguardamos vocês nos comentários, inclusive os que são contra pois nossa moderação costuma ser imparcial. Só não somos quanto à ofenças pessoais e palavras de baixo calão, portanto, vamos discutir e cumprimentos a todos!

jun
22

Olá caros leitores..

Recebi ontem também esse texto do Pedro Cardoso da Costa que aborda muitas questões interessantes sobre os movimentos que estão acontecendo e, como sempre, resolvi divulgá-lo aqui pra vocês, meus leitores. Eu, de minha parte, pouco tenho a dizer além do muito que já falei no post anterior sobre a saúde Brasileira, a única questão que coloco e sempre gosto de deixar claro é: Nós, Brasileiros, podemos mudar o país e devemos seguir fazendo isso até que resulte nas melhorias que estamos a reivindicar; Contudo, vandalismo não é protesto e muito menos solução. Gera prejuízos milionários e, além de nada resolver, resulta negativamente a curto e médio prazo nas detenções que se tem que fazer, concertos e os respectivos gastos que acabam por piorar a situação quando se fala nos referidos danos a patrimônio público ou privado.

Leiam abaixo:


Primavera Brasileira

O movimento por um país mais administrativamente decente recebe crítica por sua principal virtude, o fato de não ter um dono. Ele não se originou de partidos, nem ONGs, nem grupos religiosos nem de radicais. Seus fundadores são estudantes, para não dizer do povo, de todos os brasileiros insatisfeitos. Se seguissem alguma instituição seriam tachados de alienados, quando não seguem são chamados de perdidos, sem foco e sem ideal. Os críticos não conseguem entender que a importância está no fato de a participação ser justa, seja iniciado espontaneamente ou por alguma organização.

Outra parte grandiosa critica o fato de os insurgentes não andarem de ônibus. Mesmo o jornalista Roberto Pompeu de Toledo entrou na onda ao sugerir que esses deveriam pleitear passagem gratuita de avião. Por essa ótica eu nunca deveriam ter me manifestado contra a violência doméstica, especialmente o espancamento de mulheres pelos companheiros, já que eu nunca agredi minha esposa.

Antes da manifestação histórica do último dia 17 de junho, grande mídia chamava genericamente a todo o movimento de baderneiro, além da veemência dela e das autoridades na defesa da truculência policial, como condição inevitável. Sempre era a polícia quem reagia. Não levavam em conta a possibilidade de infiltração por quem tem interesse em desmoralizar e tirar a legitimidade do movimento.

Depois do ocorrido a miopia acabou e reconheceram que os baderneiros são uma minoria. Além disso, ninguém, absolutamente ninguém, disse que a responsabilidade de prendê-los é da polícia. E aí cabe reconhecer que não é fácil no meio daquela multidão e também tem que ter o apoio claro das lideranças, dos manifestantes de bem, inclusive com força suficiente para reprimirem os baderneiros, é necessário repetir que eles devem ser responsabilizados civil e penalmente pelos seus atos, uma redundância, mas que serve como reforço.

De forma nenhuma se justifica quebra-quebra. Mas só não é compreensível que uma agência bancária quebrada pelos oportunistas repercuta muito mais do que as centenas que voam aos ares todos os dias pelas dinamites da bandidagem. E, por maiores que sejam os prejuízos, é uma gota d’água no oceano da corrupção que, de tão arraigada na nossa cultura, as pessoas defendem a diminuição e não em acabar.

Nesse afã de criticar, a maioria se esquece de que o nome correto é criminoso para quem quebra ou danifica bens alheios, sejam públicos ou particulares, ou agride outras pessoas.

Outra crítica dissimulada é diminuir a importância do aumento da passagem. É caro qualquer valor cobrado por serviços de qualidade idêntica à dos transportes públicos no Brasil. Quem utiliza trem, metrô ou ônibus em horário de pico sabe que é indecente e desumano. Ainda que fosse gratuito teria que melhorar, pois como está ofende a dignidade da pessoa humana.

Todos já sabiam que qualquer fato poderia ser a gota d’água. Foram os 20 centavos. O movimento cresceu de centenas para milhares numa semana. É preciso definir uma data nacional de manifestações simultâneas em todas as capitais e grandes cidades. Daqui por diante, assim como nas greves, seria importante manter em estado de manifestação, até que se inicie um processo de melhorias nos serviços públicos e privados.

Ferrenhos analistas dizem que as autoridades não sabem como responder aos pleitos por não ter um foco. Em nenhuma hipótese essa ausência de metas é da responsabilidade dos manifestantes. Já que os governos não sabem, aqui vai uma sugestão: bastaria melhorar acima de mil por cento a qualidade do ensino público básico, a saúde, a segurança, os transportes coletivos, as estradas, o saneamento básico, a limpeza dos rios, o acesso à cultura. Só isso. O verdadeiro motivo de tamanha oposição é não saber conviver com reivindicações e isso é bem mais grave do que os baderneiros.

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP

Bacharel em direito


Cumprimentos e aguardo vocês nos comentários…

Fernando

maio
11

Olá caros leitores…

Resolvi compartilhar esse texto do nosso velho amigo Pedro Cardoso da Costa convosco por que eu mesmo conheço bem o sistema de saúde no Brasil e já conheci a negligência, embora não chegue nem a um milésimo do que essa senhora passou.

Hoje em dia a gente vai de médico em médico, de especialidade em especialidade, e o diagnóstico, que é o importante, demoramos muito pra conseguir (Quando conseguimos a tempo). Fora dos convênios, é pior ainda: Pra conseguir uma ressonância magnética e a própria cirurgia pelo SUS, por exemplo, minha namorada teve que ameaçar brigar na justiça e levou quase um ano entre o problema (Rompimento do tendão no joelho) e a solução que após a ressonância veio rápido e graças aos céus com um excelente médico, o mesmo que, inclusive, operou minha coluna.

Bom mas vamos ao texto, então, e vejam o absurdo da coisa…

Anos de dor

Fatos escabrosos sobre o caos da saúde pública brasileira não deveriam chocar a mais ninguém devido à repetição diária e generalizada. Mesmo com tantas ocorrências, alguns chocam não pelo fato em si, mas pelo tempo de duração.

Aconteceu recentemente em Sorocaba, no interior de São Paulo, um daqueles que assustam e mexe com a sensibilidade de qualquer pessoa. Rosmari Aparecida Rosa, de 53 anos retirou um pedaço de faca do corpo após 37 anos de um sofrimento insuportável.

Destaca-se nesse episódio o fato de uma radiografia simples ser de rápida solução, mas nenhum médico, nenhum hospital, nenhum envolvido seja público ou particular tomou essa iniciativa elementar antes. Essa mulher deve ter passado por diversos médicos, postos e hospitais várias vezes.

Outro ponto que não se ouviu falar é se as secretarias municipal ou estadual da saúde deram início a algum procedimento administrativo para averiguar por quais órgãos públicos com vista à apuração de responsabilidade e a respectiva punição. Não resta nenhuma dúvida que houve negligência e imperícia. Por mais primários que sejam os atendimentos, devem ter registros documentados de suas passagens.

Repito, caso ela tenha sido atendida por órgãos públicos, o que é muito provável devido à duração do problema, já que se ela tivesse melhores condições financeiras teria recorrido a hospitais particulares que, por mais simples que fossem já teriam realizado radiografias, alguma tomografia e até ressonância magnética.

Mas esta seria apenas a primeira fase de uma administração pública que tivesse um mínimo de seriedade perante seus cidadãos. Por iniciativa própria, a segunda etapa seria indenizá-la pelo flagelo que passou por tanto tempo, em razão única e exclusivamente de descaso. À parte a dignidade escamoteada pelo padecimento de quase quatro décadas, imagine quanto essa senhora não deixou de realizar, de produzir e de desfrutar da vida.

Em última instância, ela deveria requerer aposentadoria, com base num salário médio hipotético do que receberia durante os 35 anos que poderia ter contribuído e não o fez porque ficou impossibilitada devido à ineficiência e omissão estatais.

Nessas horas, em vez de medidas adequadas, os agentes públicos esmeram-se em dar explicações do que só a eles convencem. Como o poder público no Brasil só tem o propósito de se beneficiar do povo e não tomará nenhuma das medidas sugeridas, a senhora e seus familiares deveriam pleitear tanto a indenização quanto a sua aposentadoria. Devem procurar um promotor de justiça para auxiliá-la na promoção das ações cabíveis.

Esse é daqueles casos de danos irreparáveis. Para esses casos não existe justiça; pode haver reparações de alguns danos. Essa senhora não pode se satisfazer só em ter encontrado um “anjo”, o doutor Walberto Kushiyama, que solicitou uma ressonância magnética, elementar, que nenhum outro profissional fez em 37 anos.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
Um abraço e aguardo vocês nos comentários!

set
21

Olá caros leitores!

Estava aqui, aproveitando as horas que precedem a viagem de volta para Porto Alegre, e, posteriormente, Novo Hamburgo e Pelotas, e, vasculhando os textos do bom e velho dosvox encontrei esse, que me impressionou bastante, não só pela forma como é escrito e por eu conhecer bastante a história de Helen Keller, que o escreveu, como também por eu já, mais de uma vez, ter pensado coisas assim com respeito a meu problema de visão. Muitas dessas coisas que ela falou que faria eu também faria, contudo, em outro post, partindo desse, no futuro direi as que eu faria. Mas deixo isso para os próximos, e vamos ao texto:


O que você olharia se tivesse apenas três dias de visão? Helen Keller, cega e surda desde bebê, dá a sua resposta neste belo ensaio, publicado no Reader’s Digest (Seleções)
Várias vezes pensei que seria uma benção se todo ser humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias no princípio da vida adulta. As trevas o fariam apreciar mais a visão e o silêncio lhe ensinaria as alegrias do som.
De vez em quando testo meus amigos que enxergam para descobrir o que eles vêem. Há pouco tempo perguntei a uma amiga que voltava de um longo passeio pelo bosque o que ela observara. “Nada de especial”, foi à resposta.
Como é possível, pensei, caminhar durante uma hora pelos bosques e não ver nada digno de nota? Eu, que não posso ver, apenas pelo tacto encontro centenas de objetos que me interessam. Sinto a delicada simetria de uma folha. Passo as mãos pela casca lisa de uma bétula ou pelo tronco áspero de um pinheiro.
Na primavera, toco os galhos das árvores na esperança de encontrar um botão, o primeiro sinal da natureza despertando após o sono do inverno. Por vezes, quando tenho muita sorte, pouso suavemente a mão numa arvorezinha e sinto o palpitar feliz de um pássaro cantando. Às vezes meu coração anseia por ver tudo isso. Se consigo ter tanto prazer com um simples toque, quanta beleza poderia ser revelada pela visão! E imaginei o que mais gostaria de ver se pudesse enxergar, digamos por apenas três dias.
Eu dividiria esse período em três partes. No primeiro dia gostaria de ver as pessoas cuja bondade e companhias fizeram minha vida valer a pena. Não sei o que é olhar dentro do coração de um amigo pelas “janelas da alma”, os olhos. Só consigo “ver” as linhas de um rosto por meio das pontas dos dedos. Posso perceber o riso, a tristeza e muitas outras emoções. Conheço meus amigos pelo que toco em seus rostos. Como deve ser mais fácil e muito mais satisfatório para você, que pode ver, perceber num instante as qualidades essenciais de outra pessoa ao observar as sutilezas de sua expressão, o tremor de um músculo, a agitação das mãos. Mas será que já lhe ocorreu usar a visão para perscrutar a natureza íntima de um amigo? Será que a maioria de vocês que enxergam não se limita a ver por alto as feições externas de uma fisionomia e se dar por satisfeita?
Por exemplo, você seria capaz de descrever com precisão o rosto de cinco bons amigos? Como experiência, perguntei a alguns maridos qual a exata cor dos olhos de suas mulheres e muitos deles confessaram, encabulados, que não sabiam.
Ah, tudo que eu veria se tivesse o dom da visão por apenas três dias! O primeiro dia seria muito ocupado. Eu reuniria todos os meus amigos queridos e olharia seus rostos por muito tempo, imprimindo em minha mente as provas exteriores da beleza que existe dentro deles. Também fixaria os olhos no rosto de um bebê, para poder ter a visão da beleza ansiosa e inocente que precede a consciência individual dos conflitos que a vida apresenta. Gostaria de ver os livros que já foram lidos para mim e que me revelaram os meandros mais profundos da vida humana. E gostaria de olhar nos olhos fiéis e confiantes de meus cães, o pequeno scottie terrier e o vigoroso dinamarquês.
À tarde daria um longo passeio pela floresta, intoxicando meus olhos com belezas da natureza. E rezaria pela glória de um pôr-do-sol colorido. Creio que nessa noite não conseguiria dormir.
No dia seguinte eu me levantaria ao amanhecer para assistir ao empolgante milagre da noite se transformando em dia. Contemplaria assombrado o magnífico panorama de luz com que o Sol desperta a Terra adormecida.
Esse dia eu dedicaria a uma breve visão do mundo, passado e presente. Como gostaria de ver o desfile do progresso do homem, visitaria os museus. Ali meus olhos veriam a história condensada da Terra — os animais e as raças dos homens em seu ambiente natural; gigantescas carcaças de dinossauros e mastodontes que vagavam pelo planeta antes da chegada do homem, que, com sua baixa estatura e seu cérebro poderoso, dominaria o reino animal.
Minha parada seguinte seria o Museu de Artes. Conheço bem, pelas minhas mãos, os deuses e as deusas esculpidos da antiga terra do Nilo. Já senti pelo tacto as cópias dos frisos do Paternon e a beleza rítmica do ataque dos guerreiros atenienses. As feições nodosas e barbadas de Homero me são caras, pois também ele conheceu a cegueira.
Assim, nesse meu segundo dia, tentaria sondar a alma do homem por meio de sua arte. Veria então o que conheci pelo tacto. Mais maravilhoso ainda, todo o magnífico mundo da pintura me seria apresentado. Mas eu poderia ter apenas uma impressão superficial. Dizem os pintores que, para se apreciar a arte, real e profundamente, é preciso educar o olhar. É preciso, pela experiência, avaliar o mérito das linhas, da composição, da forma e da cor. Se eu tivesse a visão, ficaria muito feliz por me entregar a um estudo tão fascinante.
À noite de meu segundo dia seria passada no teatro ou no cinema. Como gostaria de ver a figura fascinante de Hamlet ou o tempestuoso Falstaff no colorido cenário elisabetano! Não posso desfrutar da beleza do movimento rítmico senão numa esfera restrita ao toque de minhas mãos. Só posso imaginar vagamente a graça de uma bailarina, como Pavlova, embora conheça algo do prazer do ritmo, pois muitas vezes sinto o compasso da música vibrando através do piso.
Imagino que o movimento cadenciado seja um dos espetáculos mais agradáveis do mundo. Entendi algo sobre isso, deslizando os dedos pelas linhas de um mármore esculpido; se essa graça estática pode ser tão encantadora, deve ser mesmo muito mais forte a emoção de ver a graça em movimento.
Na manhã seguinte, ávida por conhecer novos deleites, novas revelações de beleza, mais uma vez receberia a aurora. Hoje, o terceiro dia, passarei no mundo do trabalho, nos ambientes dos homens que tratam do negócio da vida. A cidade é o meu destino.
Primeiro, paro numa esquina movimentada, apenas olhando para as pessoas, tentando, por sua aparência, entender algo sobre seu dia-a-dia. Vejo sorrisos e fico feliz. Vejo uma séria determinação e me orgulho. Vejo o sofrimento e me compadeço.
Caminhando pela 5ª Avenida, em Nova York, deixo meu olhar vagar, sem se fixar em nenhum objeto em especial, vendo apenas um caleidoscópio fervilhando de cores. Tenho certeza de que o colorido dos vestidos das mulheres movendo-se na multidão deve ser uma cena espetacular, da qual eu nunca me cansaria. Mas talvez, se pudesse enxergar, eu seria como a maioria das mulheres – interessadas demais na moda para dar atenção ao esplendor das cores em meio à massa.
Da 5ª Avenida dou um giro pela cidade – vou aos bairros pobres, às fábricas, aos parques onde as crianças brincam. Viajo pelo mundo visitando os bairros estrangeiros. E meus olhos estão sempre bem abertos tanto para as cenas de felicidade quanto para as de tristeza, de modo que eu possa descobrir como as pessoas vivem e trabalham, e compreendê-las melhor.
Meu terceiro dia de visão está chegando ao fim. Talvez haja muitas atividades a que devesse dedicar as poucas horas restantes, mas acho que na noite desse último dia vou voltar depressa a um teatro e ver uma peça cômica, para poder apreciar as implicações da comédia no espírito humano.
À meia-noite, uma escuridão permanente outra vez se cerraria sobre mim. Claro, nesses três curtos dias eu não teria visto tudo que queria ver. Só quando as trevas descessem de novo é que me daria conta do quanto eu deixei de apreciar.
Talvez este resumo não se adapte ao programa que você faria se soubesse que estava prestes a perder a visão. Mas sei que, se encarasse esse destino, usaria seus olhos como nunca usara antes. Tudo quanto visse lhe pareceria novo. Seus olhos tocariam e abraçariam cada objeto que surgisse em seu campo visual.
Então, finalmente, você veria de verdade, e um novo mundo de beleza se abriria para você.
Eu, que sou cega, posso dar uma sugestão àqueles que vêem: usem seus olhos como se amanhã fossem perder a visão. E o mesmo se aplica aos outros sentidos.
Ouça a música das vozes, o canto dos pássaros, os possantes acordes de uma orquestra, como se amanhã fossem ficar surdos. Toquem cada objeto como se amanhã perdessem o tacto. Sintam o perfume das flores, saboreiem cada bocado, como se amanhã não mais sentissem aromas nem gostos. Usem ao máximo todos os sentidos; goze de todas as facetas do prazer e da beleza que o mundo lhes revela pelos vários meios de contacto fornecidos pela natureza. Mas, de todos os sentidos, estou certa de que a visão deve ser o mais delicioso.


E então? Deixo vocês se divertirem com os comentários, nessa coisa aqui, e a gente vai se falando.
Um abraço
Fernando

set
10

Oi turma!

Tudo bem?

Aqui tudo.. Como todos vocês, andei ouvindo esse tal de “paralímpico”
durante as paraolimpíadas de 2012.. Como a maioria, também pensei: “Que
é isso? Isso não está certo”… E o termo, tanto a mim quanto a muitos,
acabou soando estranho. Pois, recebi esse excelente artigo do prof. Eduardo Paes,
que explica o por que do termo e mostra que, mais uma vez, querem que a
gente engula termos americanizados que andam invadindo línguas por aí.
Leiam o artigo e tudo ficará mais claro. Eu, de minha parte, vou
continuar usando o termo original “paraolímpico”, e se querem ver o por
que, o texto abaixo já diz tudo..


Paralímpico? Haja bobagem e submissão!

Prof. Pasquale Cipro Neto

O meu querido amigo, vizinho, filho e irmão Márcio Ribeiro me pergunta,
com o seu falar italianado e com influência do linguajar da Casa Verde,
bairro paulistano em que passou boa parte da vida: “Ma que história é
essa de ‘paralímpico’? Emburreci, emburrecemos todos?”. E não foi só o
Márcio. Vários leitores escreveram diretamente para o jornal ou para mim
para pedir explicações.

Não, meu caro Márcio, não emburreceste. Nem tu nem os leitores que se
manifestaram. E, é bom que se diga logo, a Folha não embarcou nessa
canoa furadésima, furadissíssima.

Parece que o Comitê Paralímpico Brasileiro adotou a forma “paralímpico”
para se aproximar da grafia do nome do comitê internacional
(“paralympic”). Por sinal, o de Portugal também emprega essa aberração –
o deles se chama “Comité Paralímpico de Portugal” (com acento agudo
mesmo em “comité”).

É bom lembrar que o “par(a)-” da legítima forma portuguesa
“paraolímpico” vem do grego, em que, de acordo com o “Houaiss”, tem o
sentido de “junto; ao lado de; ao longo de; para além de”. Na nossa
língua, ainda de acordo com o “Houaiss”, esse prefixo ocorre com o
sentido de “proximidade” (“paratireoide”, “parágrafo”), de “oposição”
(“paradoxo”), de “para além de” (“parapsicologia”), de “distúrbio”
(“paraplegia”, “paralexia”) ou de “semelhança” (“parastêmone”). Os jogos
são paraolímpicos porque são disputados à semelhança dos olímpicos.

Talvez seja desnecessário lembrar que esse “par(a)-” nada tem que ver
com o “para” de “paraquedas” ou “para-raios”, que é do verbo “parar”
(não esqueçamos que o infame “Des/Acordo Ortográfico” eliminou o acento
agudo da forma verbal “para”).

Pois bem. A formação de “paraolímpico” é semelhante à de termos como
“gastroenterologista”, “gastroenterite”, “hidroelétrico/a”,
“socioeconômico”, das quais existem formas variantes, em que se suprime
a vogal/fonema final do primeiro elemento (mas nunca a vogal/fonema
inicial do segundo elemento): “gastrenterologia”, “gastrenterite”,
“hidrelétrico/a”, “socieconômico”. O uso não registra preferência por um
determinado tipo de processo: se tomarmos a dupla
“hidroelétrico/hidrelétrico”, por exemplo, veremos que a mais usada sem
dúvida é a segunda; se tomarmos “socioeconômico/socieconômico”, veremos
que a vitória é da primeira.

O fato é que em português poderíamos perfeitamente ter também a forma
“parolímpico”, mas nunca “paralímpico”, que, pelo jeito, não passa de
macaquice, explicitação do invencível complexo de vira-lata (como dizia
o grande Nelson Rodrigues). Pelo que sei, em inglês… Bem, dane-se o
inglês. Danem-se os Estados Unidos, a Inglaterra e a língua inglesa.

Alta fonte de uma das nossas mais importantes emissoras de rádio me
disse que o Comitê Paralímpico Brasileiro fez pressão para que a
emissora adotasse a bobagem, digo, a forma americanoide, anglicoide ou
seja lá o que for. A farsa é tão grande que, em algumas emissoras de
rádio e de TV, os repórteres (que seguem ordens superiores) se esforçam
para pronunciar a aberração, mas os atletas paraolímpicos logo se
encarregam de pôr as coisas nos devidos lugares, já que, quando
entrevistados, dão de ombros para a bobagem recém-pronunciada pelo
entrevistador e dizem “paraolímpico”, “paraolimpíada/s”.

Eu gostaria também de trocar duas palavras sobre “brasuca/brazuca” e
sobre o barulho causado pelo “porque” da presidente Dilma, mas o espaço
acabou. Trato disso na semana que vem. É isso.

[Folha de São Paulo]


Pois.. Divirtam-se agora nos comentários então, e, de preferência, não
engulam tudo que os ingleses e americanos querem!

Fernando

set
10

Oi turma!!

Pois.. Quem não sente saudades dos textos do Pedro Cardoso da Costa
nessa coisa aqui? Pois.. foi culpa minha que eles não apareceram mais:
Eu sumi, e eles sumiram também, mas cá estamos nós (Eu e os textos) de
volta.. E o texto que hoje trago o título já diz tudo, vou deixar que
vocês, nos comentários, se divirtam e eu respondo…


Leite por voto

Não resta dúvida de que a sociedade brasileira está saturada já há muito
tempo desse modelo de campanhas eleitorais de promessas vazias, de mundos e
fundos, que todos sabem que não serão cumpridas e que todos esquecem
rapidamente. Mas existe um vício de dupla mão: se o candidato não promete e
mostra projetos realizáveis apenas, não será eleito, se faz as promessas
mirabolantes sabendo que não cumprirá. Já o eleitor vota nos gurus para,
depois de consolidados nos postos, alegar que fora enganado pelas
promessas.

Se não me falha a memória de cidadão, a atual presidenta da República
prometeu a construção de dois milhões de moradias no seu mandato. No fim
desse ano já transcorreu metade dele e não se tem notícia se um milhão já
foi entregue. Em sã consciência, quem votou com base nessa promessa, não se
deu conta da sua inviabilidade porque não quis.

Apesar de o histórico ser antigo entre o “tudo que será feito” e o quase
nada realizado, o eleitor continua com esse fingimento de se fazer enganar.
Antes, as críticas eram atribuídas às compras diretas em rincões do Brasil.
Algumas condutas tornaram-se clichês que hoje se virariam verdadeiros memes
na internet. O mais destacado seria a tal da dentadura em duas metades, uma
antes e outra depois da eleição. O par de sapatos entregue nas mesmas
condições seria outro, pé direito para garantia, pé esquerdo depois de
confirmado o voto.

Existe um inconsciente coletivo em todo o país de que somos uns pobres
coitados, vítimas eternas dos políticos, gestores, e até dos pretendentes a
esses cargos. Compra e venda de votos todos têm um conhecimento empírico
dessa prática. Como tudo que é ilegal, ninguém passa recibo, e quando
entrega não vem com a indicação da mercadoria correta. Negócios de compra
e venda no andar de cima são mais velados, porém de resultados mais
concretos. Nos meios políticos, essa negociação recebe o nome de apoio, de
base aliada, de governabilidade. É aceita como legal e legitimamente por
todos.

Não resta dúvida de que as pessoas precisam se apresentar ao público em
geral, nem todos são conhecidos o suficiente para se eleger a algum cargo.
Mas o modelo de campanhas está por demais saturado. A maioria defende
causas genéricas e redundantes, porque ninguém em sã consciência seria
contra, mas poucos têm alguma ideia inovadora. Sou João da Silva lutarei
pela “pela educação de qualidade”; sou Zé da Perua, defenderei as causas
dos perueiros. Assim se dissemina a cultura de falar bobagens com base na
nas pesquisas de que elas alcançam público e votos. Poderiam ao menos
colocar alguma informação de interesse geral nos baners, nas bandeirolas,
nos pronunciamentos no rádio e na televisão. Reforçar a necessidade do
exame de toque, da consulta ginecológica, aos pais para levarem as crianças
ao dentista, além de tantas outras.

Como os exageros estão presentes em todas as ações humanas, algumas
campanhas são recheadas de abusos linguísticos, do poder econômico e
algumas chegam ao cometimento de eventuais crimes, amparadas sempre no
binômio necessidade do eleitor e poder econômico do candidato. Meu amigo
Glauco Rodrigues da Conceição, morador de Caieiras, Grande São Paulo, tem
especial aversão às campanhas eleitorais envoltas na exploração de crianças
e repassa toda notícia de que tenha conhecimento. As mais recentes foram
comentários de moradores da vizinha Franco da Rocha de que o atual vice e
candidato a prefeito estaria se utilizando de um programa de entrega de
leite para angariar votos, conduta semelhante à ocorrida na capital, onde
santinhos de candidatos teriam sido entregues junto às caixas de leite em
pó.

Certo mesmo é que as campanhas nesse padrão existem pela mesma razão que as
baixarias na televisão: muita gente aceita e dá retorno. Assim como só o
traficante é execrado – eles são crias dos usuários, também só existe o
explorador e comprador de voto porque tem uma vasta clientela faminta de
benesses e favores. Apesar desse argumento para pôr pingo nos is, estou
com o Glauco, porque isso não retira a legitimidade do combate permanente.
Da mesma maneira que se combate a morte mesmo com a certeza da derrota.

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP


Um abraço!

Fernando

ago
12

Oi turma!!

Tudo legal?

Pois.. Pra quem tava com saudades, aqui trago mais um texto do Pedro
Cardoso da Costa, o qual, pela primeira vez sou obrigado a contestar
quase de todo… Contudo, faço o seguinte: Coloco o texto abaixo, e
deixo meu parecer para os comentários, ok? Vamos a ele:

Voto pela Internet


A Justiça Eleitoral em alguns aspectos supervaloriza-se em nome da segurança
e prejudica alguns avanços em seus serviços por meio da utilização da
informática.

Em 1996 foi instituída a primeira votação eletrônica no Brasil. Iniciou-se
nos municípios com mais de duzentos mil eleitores. Em 2000, todos os
municípios já votaram em máquinas. Em quatro anos generalizou-se o voto
eletrônico. O ganho foi incontestável. As longas horas nas filas para votar
diminuíram. As fraudes, caso existem, são tão pequenas, que a segurança da
população nesse processo suplanta. O resultado das eleições é apresentado
quase instantaneamente. Ficam algumas pendências em função de problemas com
algumas urnas, o que é compreensível.

Só que o avanço ficou estagnado. Algumas mudanças se fazem necessárias e
urgentes. Continuam as Juntas Eleitorais. Seria um órgão da Justiça
Eleitoral, criado para organizar e efetuar a apuração. Só que a maioria
dessas pessoas não entende de urna e apenas colam os boletins de votação
numa folha de papel e penduram num local. O problema é que são pagas para
isso. E essa despesa e esse órgão são completamente desnecessários, sem
nenhum prejuízo operacional para a eleição.

Os requerimentos de alistamento, transferência e revisão dos títulos
deveriam ser formulados pela internet. Com a tecnologia de hoje, torna-se
apenas perda de tempo uma pessoa se dirigir a um cartório eleitoral para
requerer uma dessas operações. Serviria também para toda regularização do
título. Se a Receita Federal processa a declaração do imposto de renda pela
internet, seria inteiramente aplicável que as operações à Justiça Eleitoral.
Inclusive poderia firmar convênio com as instituições financeiras para que
as multas fossem quitadas no momento do pagamento. Depois, apurar-se-iam os
eventuais problemas, caso a caso.

Porém, o mais importante seria a instituição do voto pela internet. Alguns
alegam impedimentos legais. No Brasil sempre se colocam empecilhos na
legalidade para justificar resistências e manutenção do atraso. Seria uma
economia muito grande, pois não haveria necessidade de enviar milhões de
correspondências para convocar mesários, lanches para esse pessoal, dois ou
quatro dias que as empresas não perderiam na compensação dos dias
trabalhados. Manutenção das urnas não existiria mais; evitaria despesa com
gasolina pelo deslocamento das urnas, abertura de escolas. E tantos outros,
muitas vezes até mais relevantes do que os citados.

Deveria ser criado um código de segurança automático que garantisse um voto
apenas a cada título eleitoral. Os apressados alegariam logo que alguém
poderia usar o título do outro. Hoje os estelionatários usam cartão de
crédito e tiram o dinheiro; usam registro geral – RG e cadastro de pessoa
física – CPF de outras pessoas; e nem por isso se cogita a extinção do
cartão de crédito em nome da segurança. Portanto, a instituição do voto pela
internet já virá atrasada, pois será uma conseqüência natural forçada pela
evolução tecnológica. A instituição voluntária seria no mínimo mais
inteligente.

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP

Bel. Direito


E então? Acho que vou comentar primeiro, mas mesmo assim aguardo os
coments de vocês..

Abração e fico na espera!

Fernando

mar
28

Oi turma!!

Pois… Estou cheio de novidades, mas vamos uma de cada vez, “uma em
cada post”… Pra começar, trago aqui o prometido texto sobre o voto
facultativo; Entrei em contato com o Pedro Cardoso da Costa, e,
obviamente, ele me enviou. Como acho que é um assunto do interesse
geral, aqui está e vamos discuti-lo. Vamos ao texto:


VOTO FACULTATIVO

Eleição após eleição ouve-se falar sempre que o cidadão deve votar consciente, exercendo bem a cidadania e por conseqüência fortalecendo a Democracia. A
recomendação mais incisiva vem da imprensa; mas políticos e até a própria Justiça Eleitoral incentivam a conscientização sobre a importância de votar apenas quando
os pleitos estão próximos.
Esse equívoco é histórico, e vai se perpetuando. O argumento dos que defendem a permanência da obrigatoriedade limita-se e se esgota na tese, absurdamente
retrógrada, de que o brasileiro não sabe votar e é desinteressado pela política. Pode ser que o fato de ser forçado aumente a presença dos votantes, mas não aumenta
a legitimidade dos eleitos, pois quem vota apenas para cumprir seu dever não se interessa pela escolha do candidato, não participa das decisões após o pleito, dando
por completa a sua cidadania apenas com seu comparecimento às urnas.
O que deveria ser cobrado, e não é, seria o envolvimento da sociedade nas decisões administrativas dos eleitos. A começar por debates nas escolas de ensino
básico sobre as atribuições de cada Poder. A discussão didática se limita em dizer que o Poder Legislativo faz leis; o Executivo as executa; e o Judiciário força
o cumprimento. Um debate alienista e superficial e por demais incompleto. Uma participação efetiva poderia ser através do acompanhamento de um projeto de lei nas
Câmara e Senado Federais por um grupo de pessoas, presença nas votações das assembléias estaduais e nas câmaras municipais, por exemplo, ajudaria na conscientização
de como o parlamentar vota e como o dinheiro seria gasto. Visitas nestas casas demonstrariam os gastos desnecessários com futilidades. Simulações poderiam ser feitas
nas escolas. Isso, sim, contribuiria para o aperfeiçoamento da cidadania.
Muito mais distorcida é a destinação do dinheiro arrecado com multas por deixar de votar. Esse dinheiro vai para o chamado fundo partidário, que repassa
aos partidos políticos. Ora, os partidos são pessoas de Direito Privado, como outra qualquer, ao receber dinheiro de arrecadação pública, fere no mínimo a razoabilidade,
o bom-senso. Pouquíssimas pessoas sabem quanto se arrecada e nenhuma sabe dessa destinação. Seria muito mais justo o repasse a entidades de interesse social mais
relevante.
O Brasil tem tradição em ser o último a acabar com os absurdos. Foi assim com a escravidão que, seja justo, ainda continua, haja vista as mortes dos fiscais
do Trabalho em Unaí.
Com a obrigatoriedade do voto ocorre o mesmo. Não se lê nada nos editoriais dos jornais; não se ouve nenhum democrata falar nisso no rádio nem na televisão;
nenhum jornalista escreve sobre; não se sabe a posição de nenhum famoso a respeito, mesmo daqueles que são remunerados para falar bem ou mal de candidatos, e para
ter medo de outros. No Brasil o que é normal, razoável, regra, é exceção, e com os denominados formadores de opinião não poderia ser diferente. Eles são dolosa ou
inconscientemente coniventes, muito mais comprometidos em manter e eternizar a mediocridade do diminuto grupo político-administrativo do que com a Sociedade como
um todo. Dos atuais políticos só se pode esperar o que nos têm oferecido: muitas falcatruas, compra de parlamentares tupiniquins e desculpas imbecis pelo que nem
a eternidade tem sido suficiente para fazerem. Apesar de intolerável por caracterizar, no mínimo, atraso de civilidade, o voto obrigatório ainda não é visto como
um problema. Neste aspecto o Brasil está atrás de Bolívia e do Haiti.
Escrevi o primeiro texto sobre o fim do voto obrigatório em 1998. Somente o falecido Roberto Campos escreveu dois artigos no mesmo sentido.
O fim do voto obrigatório se faz imperioso até para tornar coerente a defesa decantada da democracia. Tornar um eleitor consciência tem se limitado em informar-lhe
a cor certa do botão que deva apertar na urna eletrônica. Elementar: não há democracia onde o voto é obrigatório! Eu nunca vou desistir.
Pedro Cardoso da Costa – Bel. Direito
Interlagos – SP


Pois então, gente? Infelizmente, não é a toa que quase ninguém quis
defender esse texto publicamente… Vou deixar pra expor minha opinião
completa sobre isso apenas depois que vierem alguns comentários, mas,
pra começar, não são os governantes que fazem o Brasil andar, e sim, nós,
brasileiros… Se o país vai mal, em parte somos responsáveis, por
exercermos nosso direito de cidadão apenas na urna e por obrigação, e
depois entregar tudo nas mãos daqueles que elegemos sem lembrar que se
não fossemos nós, eles não estariam lá; E por isso temos o direito de
cobrar…

Bom, por enquanto era isso; Em breve trago o texto sobre o voto
obrigatório, que o autor mensiona. Mas antes tenho mais umas coisinhas
pra falar, e uma viagem pra fazer.. Me aguardem!!

Abração e fico por aqui…

Fernando

mar
24

Oi turma!!

Pois.. Tirando o atraso, aqui vai mais um texto do Pedro Cardoso da
Costa, sobre certos governantes que quando “assumem o poder” tem um
determinado padrão financeiro e quando o deixam, bom, “por alguma rasão
esquisita”, estão 3 ou 4 vezes mais ricos que o que eram antes… Vamos
ao texto, e deixo o comentário para vocês…


Cidade Pobre X Prefeito Rico

Há dez anos escrevi um texto em defesa do voto facultativo. Uma década depois, quase ninguém o defendeu publicamente. O contra-senso é quase todos atribuírem
às reformas a solução de todas as mazelas políticas.
As eleições continuam sendo realizadas a cada dois anos. Uma serve de trampolim ao político da vez à eleição seguinte. O cidadão continua pagando pela propaganda
política gratuita no rádio e na televisão, à base de compensação de impostos.
A partir de determinado período deste ano, todos se encherão mais uma vez com as mensagens chatas, sem conteúdo algum, de pretensos candidatos que, além
de nem saberem falar corretamente, vão repetir exaustivamente os velhos clichês e as promessas bestiais de sempre.
Os candidatos farão declaração de bens e rendimentos junto aos respectivos pedidos de registro. Os eleitos, depois de quatro anos, duplicarão, quadruplicarão
seus bens, sem nenhuma outra atividade, apenas com o salário de prefeito. Alguns, praticamente sem nenhum bem na apresentação do registro, se tornarão fazendeiros,
empresários de emissoras de rádio e agência de revenda de automóveis de luxo. Essa ascensão é corriqueira, de conhecimento público, notório e generalizado.
Nas campanhas, prometerão tudo a todos, porque os eleitores votam nos candidatos que prometem mais. Trata-se de um círculo vicioso. Sem promessa fantasiosa,
o candidato não se elege. Como promete a todos, depois de eleito não tem como cumprir. Aí, os eleitores não contemplados são os primeiros a malhar o político que
elegeram.
De início, os prefeitos colocarão nos postos de direção, trarão para perto os servidores bajuladores, mesmo sem nenhuma competência. Mandarão para muito
longe funcionários excepcionais apenas por terem sido adversários políticos. Eis a principal ação de todos os prefeitos, em especial de cidades pequenas. Nas cidades
do Nordeste, a grande realização de cada prefeito é trazer, a preço de outro, uma banda de forró famosa para animar o São João de sua cidade. Por conta das despesas
com essas bandas, hospitais ficam sem esparadrapo, aulas são ministradas em currais de gado; alunos são transportados em espeluncas de ônibus; merenda escolar fica
no imaginário de alguns. A mudança de priorização virá quando as pessoas perceberem que essas ações não são por fatalidade. E as autoridades, especialmente o Ministério
Público, intercederem para exigir a penalização criminal por omissão de prefeitos, quando morrerem pessoas por falta de remédio, de equipamentos adequados e de médicos,
em função de priorizarem festas à Saúde.
A mudança mais perceptível é do patrimônio do prefeito eleito, que compra logo carrões, muitos importados. A cada ano sua riqueza se amplia a ponto do
município não comportá-la e expande a outros. Até agora, com tantos órgãos oficiais de fiscalização, não se tem notícia de nenhum condenado por enriquecimento sem
causa, com devolução do dinheiro ao Erário Público. Os mais renomados, como Orestes Quércia e Newton Cardoso, tornam-se capa da revista Veja. Os prefeitos de pequenas
e paupérrimas cidades guardam reservas para se tornarem deputados, quando reabrem as portas de suas residências aos seus munícipes. Os eleitores guardam os votos
para vendê-los literalmente ou trocá-los por outras promessas na próxima eleição. E viva o povo brasileiro!

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
Bel. Direito


E então? Detalhe: Estou tentando conseguir com o autor o texto que fala
sobre o voto facultativo, seria um assunto interessante pra a gente
discutir por aqui; assim que o conseguir, trago ele pra cá…

Abração e aguardo os comentários! Deixo pra botar minha opinião sobre o
assunto assim que eles vierem…

Fernando

mar
22

Pois é, gente.. E botando em dia os textos, trago aqui mais um que fala
um pouco sobre certos dinheiros gastos a mais (e de mais) em certos
cartões de crédito por aí..

Deixo os comentários pra vocês, vamos ao texto:


CPI DA TAPIOCA

O cartão corporativo foi criado para desburocratizar gasto com pequenas
despesas emergenciais dos servidores públicos federais. O que era para ser
uma facilidade virou armação para aproveitadores oportunistas, seguindo a
linha brasileira de oportunismo explícito,. O ápice da polêmica está na
tapioca que o ministro pagou com cartão. Não por ser tapioca, mas por que
pagou numa cidade onde não deveria.

Como pretendem que não dê em nada, criou-se uma comissão parlamentar de
inquérito para investigar o uso dos cartões. Todos fingirão que reprovam os
desvios com cartão e a farra continua.

Terminaram por distorcer a questão principal do abuso com o uso dos cartões.
Não se trata do valor, pois o dinheiro público tem que ser gasto como se
deve, independente do valor. Depois, os gastos são baixos somente comparados
a outros desvios gigantescos. O fato básico é que a maioria dos servidores e
agentes públicos lida com o dinheiro da sociedade como se fosse deles
individualmente.

Com os mais de cem mil pagos de táxi pela ministra da igualdade social –
haja igualdade! – daria para criar algumas bibliotecas simples em cidades e
vilarejos deste país. Mas isso não tem relevância diante da importância da
educação perante o conforto dos carros para cargo tão relevante!

O conceito de ética definido pelos altos escalões de Brasília, acompanhados
por grande parte da mídia, corresponde aos reais gastos indevidamente. Um
ministro que paga tapioca com cartão palaciano de forma indevida deveria ser
considerado a anta de todos, como Lula é de Diogo Mainardi. Pois, com tantos
bajuladores, qualquer um pagaria do próprio bolso. Mas a questão é de
princípios éticos. Relevante é saber que dinheiro público deve ser gasto com
algo de interesse público. Princípio legal que o Ministério Público deveria
mover ação sempre que ele fosse infringido. Mas, de novo, Brasília vai ter
que criar um manual para explicar a seus gestores de que dinheiro do povo
deve ser gasto em prol da população. Enquanto houver essa necessidade,
definitivamente este país vai continuar sendo que o que é: um covil de
pilantras sugando essa sofrida população. A dengue generalizada no Rio de
Janeiro só comprova.

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP

Bel. Direito


E então? Aguardo os coments…

Abração e até a volta, (daqui a pouco)…

Fernando