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Archive for the ‘Acessibilidade’ Category

jun
07

Oi turma!!!
Pois… desde 2008, sou um usuário do NVDA, um leitor de telas opensource que veio para facilitar a vida dos deficientes visuais em grande estilo. Explico: Antes dele, ou o usuário tinha que ter uma licença do Virtual Vision, ou mesmo do Jaws, o que tornava a coisa bastante complicada. Explico: O jaws tem um preço de licença bastante proibitivo, e o Virtual Vision, o usuário comum até pode adquiri-lo através do banco Bradesco, mas o que fazer com as universidades e empresas onde o DV vá trabalhar? Se tiver de pagar um valor de mais de 1000 reais por um leitor de telas simplesmente pro deficiente visual poder trabalhar na empresa o que o empregador faz? Contrata qualquer outra pessoa… E isso estava interferindo bastante, não somente (E nem tanto) na inclusão no que se refere aos estudos mas principalmente no mercado de trabalho…

Para isso foi criado o NVDA, que é opensource e tem uma capacidade tão grande quanto a maioria dos leitores de telas pagos.

Contudo, uma das maiores dificuldades que vejo no pessoal que está migrando do Jaws ou mesmo Virtual Vision para o NVDA é a adaptação. Pensando nisso, resolvi trazer algumas dicas periodicamente, nessa coisa aqui, pra facilitar a vida dos novatos em NVDA, seja através de Add-ons (Plugins) como teclas de atalho e outras.

Hoje, pra começar, como a maioria se refere a dificuldades de navegação na internet, trago algumas dicas justamente nesse ponto, bem como uma lista de teclas de atálho.
1) Links agrupados: Sim, principalmente o pessoal que vem do Jaws, quando tenta navegar com as setas as vezes se dá de frente com 4 ou 5 links numa só linha e não sabe o que fazer e… Bom… “Eu gosto de navegar com as setas, e agora?”… Simples: Você pode usar o “K” e “shift+k” pra navegar link por link ou simplesmente, dentro do navegador mesmo, digitar insert+ctrl+B (Que vai abrir a tela modo de navegação) e desmarcar a caixa “usar apresentação da tela (Quando suportado)”… Pronto, suas setinhas voltaram a funcionar da maneira normal como no bom e velho jaws!
2)Facilitando a vida com controles do teclado:

Aqui, trago então várias teclas de atalho que ajudam com diversos elementos no quesito navegação na internet, vamos a elas:

Subtítulos:

  • Tecla H – Navega entre cada um deles independente do nível (Tamanho).
  • Teclas 1 a 6: Navegam especificamente nos subtítulos de nível 1 a 6.

Links:

  • Tecla K: Navega de link em link.
  • U: Navega links não visitados
  • V: Navega entre links visitados.

(Todas essas teclas, usando-se combinadas com a tecla shift, ao invés de avançar de elemento em elemento, retornam).

Listas:

  • L: Navega de lista em lista.
  • I: Navega item por item nas listas.

Gráficos:

  • G: Pula de gráfico em gráfico. Havendo descrição curta, já lê automaticamente.
  • NVDA+D: Lê a descrição longa (Longdesc)

Formulários:

  • F: Navega item por item do formulário.
  • E: navega entre os campos editáveis do formulário.
  • R: navega entre botões de opção.
  • X: navega entre as caixas de verificação (Ou de marcar) (De uma em uma).
  • C: navega entre as caixas de opção (ou listas multi select) de uma em uma.
  • B: navega entre os botões.

Outros:

  • N : Pula para texto que não é link.
  • M : Pula entre frames.
  • S: Pula entre os separadores (Aqueles traços na tela).
  • D: Pula entre as landmarks (Marcas específicas em regiões do site para prover melhor acessibilidade).
  • A: Pula entre as anotações (Se houver), útil para documentos…
  • T : Pula entre tabelas.

Específicos:

  • NVDA+F7 : Abre lista de objetos (Conforme mostrado na aula pode-se navegar de diversas formas, entre cabeçalhos, links ou landmarks).
  • NVDA+Control+F – Abre a busca do NVDA para se buscar por conteúdo.
  • NVDA+F3 – Busca novamente o conteúdo anteriormente buscado.
  • NVDA+Shift+F3 – Volta para a busca anterior…

E então? Espero que essa pequena dica tenha ajudado, e em breve trago mais. Quanto mais popularizarmos o uso de software livre e menos o empregador tiver que gastar com tecnologias específicas, mais empregos haverão para os cegos… Então, vamos todos aprendendo a usar o NVDA!
Abração e até a próxima!
Fernando

jun
06

Oi turma!!!
Venho hoje com uma super novidade para os usuários do NVDA:
Para os que usam o NVDA Remote, agora temos um servidor alternativo bastante bom para os que estão tendo problemas usando o host nvdaremote.com. Criamos esse servidor devido à superlotação do original que, inclusive, as vezes tem grandes problemas com quedas/travamentos. Assim, aliviamos a “carga” do original e temos uma melhor estabilidade…
Pra configurar, basta no campo host (Depois de seguir os procedimentos padrão do plugin) ao invés de deixar
nvdaremote.com
Como está o campo por padrão, colocamos
nvdaremote.sitiodosvox.com
E seguimos o resto dos procedimentos de acordo com o padrão…
Este servidor está em uma vps alternativa menor na FDC, mas ligado diretamente através desse endereço ao nosso servidor padrão na Virtuaserver.
Então… Turma do NVDA: Testem, aproveitem, usem e, claro, não abusem!aaaa…

E em breve eu volto com mais novidades nessa coisa aqui!
Até mais!
Fernando

maio
12

Olá caros leitores!

Quando escrevi o artigo sobre acessibilidade em instrumentos eletrônicos, recebi diversos e-mails e mesmo comentários aqui incentivando a ideia. Claro que, como sempre acontece, alguém é do contra, e diz que as empresas não tem a obrigação de fornecer acessibilidade esquecendo mesmo de duas coisas: 1) A própria lei, que regulamenta isso, e: 2) O fato de estar usando da própria acessibilidade pra dizer o que está dizendo. Claro que gente assim não conheceu a época em que um livro a mais em braille ou gravado já era um grande ganho, e que a gente tinha que lutar, até mesmo pra entrar na escola e que as vezes nos repelia dizendo abertamente que “não tinha condições de assumir tal responsabilidade” (Educar um deficiente). Fácil é falar hoje em dia contra a acessibilidade, pra quem não conheceu aquela época e tem, hoje, de mão beijada um dosvox, um NVDA e diversas outras ferramentas de forma gratuita. Contudo basta lembrar as dificuldades que enfrentamos quanto à acessibilidade nas universidades, por exemplo, e esse tipo de argumento já se extingue por si sem precisar de mais contra-argumentos.

Contudo, o que mais me chamou a atenção quanto à repercussão do artigo não foi nem isso:

Um dia depois de ter publicado o artigo, recebi um e-mail de uma das integrantes de nossa comunidade, Rebeca Serra, falando sobre um problema bastante curioso: Ela tem um amigo, o Tiago, que além de ter problema visual, tem problema em uma das mãos por consequência de uma mielite, o que, além da visão, acabou afetando toda a coordenação motora do lado esquerdo. Pois: O Tiago é flautista, e a meses ele e a Rebeca, e agora eu, depois do contato dela, estamos tentando conseguir para ele uma “flauta acessível”, na qual ele possa tocar, com a mão direita, enquanto com a esquerda (Que os movimentos foram afetados pela doença mas não completamente), lê as músicas no sistema Braille. Pois bem, o absurdo dos absurdos é o seguinte: A tal flauta existe! Sim, existe e é fabricada pela Yamaha. O modelo é YRS-900 R (O R significa right), e, claro, é uma flauta que pode ser tocada somente com a mão direita. Existe, naturalmente, a outra versão, que pode ser tocada somente com a mão esquerda (YRS-900 L). Pois bem: Eu digitei o modelo no google e achei pouquíssimas referências, e, claro, uma delas era no site da yamaha no Japão, o que pouco me ajudou; Também não achamos nada sobre como fazer a importação da tal flauta e quando entramos em contato com a Yamaha do Brasil, a resposta deles foi que não teriam como importar a referida flauta.

Pois bem: Eu mesmo nunca imaginei que haveria uma “flauta acessível”, pouco sei sobre acessibilidade nos instrumentos não eletrônicos e creio que muitos também estão nessa situação. Ao saber que havia esse problema do Tiago e, naturalmente, que pro referido problema havia uma solução fiquei muito feliz mas ao mesmo tempo desapontado: Quando a gente não tem acessibilidade em algo, seja o que for, a gente luta por ela, faz projetos, reivindica, contacta empresas, etc. Contudo, o que faz quando tem e não sabe dela? Ou, pior, como foi no caso do tiago: Tem a acessibilidade mas ela se torna inacessível? A resposta da Yamaha para nós foi em caráter definitivo, pelo que pude sentir: Além de eles não terem conhecimento do referido instrumento (E não tinham quando entrei em contato com eles), ainda dizen que não a importam!

Tenho que dizer que isso pra mim foi mais surpresa que saber que algo, muito importante, ainda não tem acessibilidade. Conversando com a própria Rebeca, a mesma me contou que tem diabete (Como muitos outros cegos que conheço) e me falou que mesmo sendo essa a terceira maior causa de cegueira no Brasil não existe até hoje um glicosímetro com sintetizador, e não há qualquer laboratório que produza insulina e a venda com denominações em Braille. Não questiono a questão da insulina mas quanto ào glicosímetro, será mesmo que não existe? Será que não é mais um produto que há no mercado mas não sabemos da existência dele e não temos como importar? E convenhamos: Não seria assim tão difícil pra uma empresa fazer algo nesse sentido, pelo contrário: É bem mais fácil que produzir um instrumento eletrônico acessível, ou um computador ou celular, coisas que já existem.
Pois então: Devemos lutar pela acessibilidade e temos o direito de exigi-la sim! Mas o que fazer quando ela existe e não sabemos ou não está a nosso alcance? Mais absurdo que não ter acessibilidade é quando a temos, mas não podemos alcança-la! A divulgação deve fazer parte quando da criação de qualquer produto acessível, especialmente na internet; E a obtenção também: Ao invés de uma resposta definitiva e negativa, por que não buscar, trazer e divulgar? Garanto que não seria só o Tiago o único beneficiado com a Flauta acessível, por exemplo; Muitos outros que só tem uma mão poderiam realizar o sonho de começar a tocar um instrumento, muitos poderiam aproveitar. E o que dizer do argumento sobre a quantidade, pra valer apena a importação? Simples: Se não divulgamos e não tentamos, nunca teremos um resultado. E eu, somente eu, já conheço umas três ou quatro pessoas que poderiam ser beneficiadas com o instrumento! Quantos mais não haverão por aí? Somente poderemos saber quando empresas como a yamaha pararem de dar respostas negativas e resolverem “arriscar”!

Termino então esse artigo na expectativa de que o mesmo sirva para iluminar aquelas mentes que gostam de primeiro dizer não, fazendo com que elas resolvam primeiro tentar, para depois, tendo um resultado prático na mão, aceitar ou negar algo. Ainda falando da Yamaha e do artigo anterior sobre acessibilidade, eu havia mencionado a Yamaha e a Roland, mas existem muitas outras que poderiam também aderir a essa campanha. Contudo, a Yamaha foi a única que se dignou a me responder dizendo que estavam encaminhando minha solicitação aos responsáveis. Até agora não obtive mais nenhum retorno nesse sentido, mas vou entrar em contato pra saber se algo foi ou será feito e, naturalmente, divulgo o resultado aqui.

Cumprimentos

Fernando