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set
17
Tempo de leitura: 3 minutos

Oi pessoal, tudo bem?

Pois.. Eu tinha prometido escrever o artigo sobre um certo livro do Dan Brown como próximo post, mas nem sempre as coisas correm como a gente planeja.
Ademais, tem coisas que acontecem na vida da gente que não podem ser negligenciadas principalmente quando a gente pertence a uma classe na qual uma palavra dirigida a nós não se torna apenas uma ofensa pessoal e sim a demonstração clara e aberta de um preconceito estúpido e desnecessário dirigido a ela, ainda mais, como falei num certo post anterior, com toda a informação e comunicação que se tem hoje em dia. O curioso, como também mencionei no tal post, é que essas coisas acontecem aqui, em Novo Hamburgo, perto da capital, mas não me lembro de ter histórias como essa pra contar na minha cidade, Pelotas.
De qualquer forma, a obrigação da gente nesses casos é, de alguma forma, tentar esclarecer e nisso, mesmo com a quantidade de informação que já se tem disponível, falar nunca é demais. Vamos ao fato: Hoje fui na igreja com minha mãe, e logo na entrada, (Claro que diante de pessoas que não me conheciam, mas isso pouca diferença deveria fazer), após as apresentações ouvi uma pessoa comentar: “Que engraçadinho ele…”
Hora: Não é a primeira vez que ouço esse tipo de coisa e creio que todos os meus colegas e amigos dvs, leitores dessa coisa aqui, vão confirmar também já ter passado por experiências semelhantes, algumas eu mesmo já tendo ouvido contar. Contudo, imaginem o seguinte: Não querendo me gabar, mas a informação se faz necessária no contesto: Eu, graduando de música na ufpel, produtor de áudio desde 1998 e tendo já feito vários cursos incluindo programação, rádio e outros e podendo me engajar em diversas áreas do mercado de trabalho, se fosse procurar um emprego sem fazer concurso hoje em dia pouco iria conseguir, como aconteceu com muitos amigos meus inclusive que, ainda bem mais graduados que eu tem que aceitar qualquer emprego por que só as vagas nos empregos mais (Básicos ou baixos)? São ofertadas aos deficientes. A gente aguentaria isso se não fossem os preconceitos estúpidos que levam uma pessoa que chegou em ti e ta pela primeira vez falando contigo dizer: Que engraçadinho ele!…
Por que digo isso? Simples: Essa idiotice de dizer coisas como “que engraçadinho, que bonitinho e etc”, e aqui peço que desculpem o termo mesmo mas infelizmente não consigo pensar em outro melhor, além de moralmente destruir a pessoa que ouve, colocando-a numa condição de criança ou mesmo incapaz, ainda é um absurdo a aquilo que a pessoa, com a deficiência que tem, representa: Sabemos hoje que mesmo algumas pessoas com deficiência mental, podem constituir familia, ter um emprego, em fim: ser tratadas como um igual pelo resto da sociedade. Ver um deficiente visual pela primeira vez e se referir a ele como “engraçadinho” é o absurdo dos absurdos, não só por ser uma atitude tomada sem conhecimento de causa, como por ser um preconceito estúpido e desnecessário, e ainda mais: Jamais pode ser justificado com coisas como “falta de informação”. Amigos e leitores, não estamos mais no século passado, onde, embora ainda absurdas, essas coisas eram compreensíveis: Estamos num tempo com uma quantidade de leis, informação e comunicação que faz com que algo como isso seja no mínimo grosseiro com a pessoa que ouve esse tipo de coisa.
Finalmente, deixo um recadinho a meus leitores: Em breve, até o termo “deficiência” vai cair em desuso. Se já isso está quase acontecendo, tomara que olhar para um cego e dizer coisas como “Que engraçadinho” seja um dia motivo de chacota. A informação está aí: No rádio, na TV, na internet… Apenas não a ouve, vê ou lê quem não quer.
Um abraço..
Fernando

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6 Responses to “Que engraçadinho! Que fofinho! Que bonitinho!”

  1. setembro 17th, 2012 at 00:24 | #1

    Fernando,
    Você sabe, pelos diversos diálogos que já tivemos sobre o assunto em questão, que partilho de sua indignação, mormente por partilhar também dessa vivência enquanto pessoa com deficiência.
    Penso que, muito mais grave do que a limitação imposta pela deficiência, seja ela qual for, é o preconceito. Pré-conceito. Conceituar algo a que ainda não se conhece. E isso só acontece devido à ausência de informação. Por isso penso que o problema é, de fato, a falta de informação.
    Você afirma, com propriedade, que a informação está no rádio, na internet, na mídia em geral. Não se informa quem não quer. Ocorre que, quem não quer informar-se, desinformado está. E é aí que mora o problema.
    Quando uma pessoa nos olha com piedade ou superioridade, é por não estar convencida de que podemos desenvolver a grande maioria das atividades cotidianas e profissionais que uma pessoa sem deficiência exerce. Se não está convencida disso, é unicamente por falta de informação. E nesse contexto, temos uma árdua tarefa: informar até mesmo à aqueles que não querem receber a informação. É nossa única arma, porém eficaz, contra o preconceito.
    Grande abraço,
    Diniz

  2. setembro 17th, 2012 at 00:39 | #2

    Realmente, cabe a nós informar. E penso que principalmente à aqueles que, como nós tem acesso a certos meios de propagar a informação com facilidade, como twitter, facebook, blogs e etc. Mas a melhor forma de resolver isso é responder imediatamente à pessoa que nos dá esse tipo de tratamento, informando-a do quanto desnecessário e preconceituoso ele é. O problema é quando a gente é meio tampado, como eu,aaa, e não consegue dar a resposta imediatamente.. Depois o jeito é remoer a coisa e transformar em um artigo do blog mesmo,aaa..
    Abração!

  3. Cris Lopes
    setembro 17th, 2012 at 00:51 | #3

    Muito show tua postagem fernando, uma forma mega educada de dizer que ficamos putos da cara com essa coisa ridícula do que engraçadinho. Quando falam isso, já salto dizendo, engraçadinho nada, troca de lugar aqui pra ver. Aqui, por ser muito mais interior que pelotas, a gente tem que conviver com certas coisas como esta, além do preconceito mais aberto, aquele que agride. Brincando brincando, a gente que acaba ensinando muito mais pra os outros, do que os outros ensinando pra nós, já que é uma prática nossa nos adaptarmos a vida dos videntes. grande abraço e parabéeééns!!

  4. setembro 17th, 2012 at 01:10 | #4

    Pois, essa é a questão.. “Engraçadinho” é um qualificativo que só aquele que não sabe que temos que lutar até mesmo pela igualdade na forma de tratamento, isso pra não falar em emprego e outras questões… Pois, nesse aspecto tenho que dizer que o pessoal de Pelotas tem a cabeça bem aberta, no geral… Mas reafirmo o que disse: a informação está aí, basta querer absorver.
    Bjs!
    Fernando@Cris Lopes

  5. Sarah Marques
    setembro 17th, 2012 at 01:13 | #5

    Tb fico muito revoltada quando isso acontece. O Brasil já tem leis e mais leis para quase tudo relacionado aos deficientes, inclusive as que dizem as nomenclaturas corretas… Mas o mais importante é que as pessoas pensassem só por mais um segundo antes de dizer esse tipo de coisa, como se nem estivéssemos ouvindo, como se além de tudo (inferiores ou infantis), fôssemos alienados. Mas do que informação, que como vcs falaram, tem aos montes, o povo precisa de reflexão. Assim as tais leis serão cumpridas,e depois nem precisariam mais existir. Mas isso só vai acontecer quandoa inclusão for tão natural que nem precisará mais receber esse nome… Um abraço!

  6. setembro 17th, 2012 at 01:22 | #6

    Realmente. E foi bem assim que aconteceu: a pessoa em questão falou como se eu não tivesse ouvindo, ou pior: como se eu não fosse capaz de entender o que aquilo significa ou de captar que a coisa era dirigida a mim. Leis e informação temos, mas nada adianta se não mudar a consciência das pessoas..
    Abração e legal ver você por aqui também!
    Fernando

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