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abr
19
Tempo de leitura: 5 minutos

Oi turma!!

Finalmente eu aqui denovo, pra falar uma coisa interessante.. Ou melhor:
Não sou eu que to falando não, sabem?
Explico:

Lembram de um post feito a umas semanas atrás chamado Religião justifica crime?
Pois se não lembram.. Leiam, e não voltem aqui antes disso,eeeee…
Mas, se lembram.. Pois bem.. Eu havia falado que tenho alguns amigos espíritas
que realmente conhecem o espiritismo, e que não concordariam com essa
palhaçada, né? Pois bem.. Mandei o texto do post pra uma dessas pessoas,
a Jobis, uma querida amiga de 8 anos e pouco, já…
Eu, como havia dito, não sou espírita, mas admiro muito o espiritismo;
Não concordo com algumas coisas, mas isso também não interessa agora.. O
que importa é que, como eu também havia dito, esses meus amigos que
conhecem bem o espiritismo (aqueles com quem eu já falei, é claro),
concordaram comigo que a coisa não é bem assim…
Acontece que a Jobis me mandou uma resposta, que, alias, eu iria postar
no comentário daquele post, mas acho que ela merece mais do que isso:
Merece a criação de um post novo só pra ela…
De qualquer forma, espero que leiam com atensão o que ela diz aqui, e,
quem quiser comentar, sinta-se a vontade…

Vamos ao texto da Jobis, então:


Respondendo no texto, eeeee.

***
Sabemos que o fato ocorrido com nosso irmãozinho João Hélio Fernandes,
já estava acertado em sua missão pela terra.

***
Sabemos? Quem disse? E, aliás, mesmo que tenham dito, supondo que
tenha sido por qualquer via mediúnica, a coisa tem que ter sido dita por
pessoas que não se conhecessem e com fortíssimo embasamento. Se,
portanto, houve isso em algum lugar, eu perdi a informação… Mas,
supondo-se que ela exista, sigamos:

****
O que devemos fazer agora, além de pedirmos luz em nossas orações,
(esse espírito, apesar de criança na matéria, já é um espírito de muitas
vivências anteriores), é deixa-lo caminhar em sua nova existência,

***
Ela estaria incinuando que, por ser um espírito com múltiplas
vivências, ele “tem culpa no cartório”? Bem, espero que tenha argumentos
realmente bons para sustentar isso. Quanto ao mais….

Ah, ele vai reencarnar???? Quem disse isso?????

***
amparado por amigos espirituais, mensageiros de Nosso Pai Maior.

Quanto mais ficarmos mencionando o seu nome, mais ainda
o iremos atrair para esse plano.

***
Ah, mas se ele vai reencarnar, tem é que ser atraído para cá, mesmo,
não? OU ele vai reencarnar em outro plano? Em todo caso, você afirmou
que ele ia reencarnar e, nesse caso, será tocado pelo “véu do
esquecimento” e tanto vai fazer se falarmos nele ou não.

****
Sabemos que ele agora é pássaro liberto, que já cumpriu sua missão
aqui entre nós, e que nesse momento seu caminhar é livre e feliz.

***
Uau, soou poético!

***
Livre de todos os males, e feliz por regressar à Pátria Maior
com sua missão cumprida.

***
Pera aí…. Temos, aqui, duas informações que eu desconhecia, e veja
que ela fala todo o tempo em nós:
1 – Disseram que ele cumpriu uma missão. (Quem disse, quando disse e que
missão é, só Deus e talvez a autora saibam)
2 – Que ele vai reencarnar.

***
A prece silenciosa é o melhor bálsamo que um espírito pode receber.

***
Um, discutível. Diversos textos espíritas, de diversos médiuns –
portanto, o conceito não é da cabeça de uma pessoa só – dizem que a
prece é muito, muito boa, mas que deve ser, sempre que possível,
acompanhada de uma ação efetiva em benefício da pessoa. Mas, sigamos….

***
A doutrina nos explica, que apesar da dor, totalmente aceitável e
compreendida, tudo tem uma razão de ser, nada acontece por acaso.

***
OOoo, finalmente um fato que eu entendo e com o qual concordo. Mas,
sigamos…

***
Chegou o seu momento, e ele soube cumprir tudo aquilo que estava
programado nessa sua atual existência.

***
Quem? O assassino ou o menininho? Se é aí que ela quer chegar, deveria
dizer que os dois souberam cumprir com suas missões…. O assassino
soube matar muito bem – bem até demais – e o menino, decididamente,
morreu – não que ele tivesse escolha…

Sofisma, sofisma… De “tudo tem uma razão de ser”, não decorre que
qualquer um dos dois tenha encarnado para ser assassinado ou para ser
assassino.

***
Outras vidas virão, mas com certeza, livre dessas tristezas,
já superadas por ele.

***
Se já tá superada, tanto faz a gente falar ou não.

O texto acabou. Rigorosamente, não fala nada com nada. Nada claro e
objetivo e, sobretudo, nada com qualquer sustentação filosófica ou
doutrinária. É só a opinião de uma pessoa que se diz espírita.
Mas, longe das ironias, vamos analisar a coisa de um ponto de vista
doutrinário, já que ela presumiu falar em nome da Doutrina:

1 – Os espíritos encarnam com um “plano reencarnatório”, o qual,
aliás, *só é sabido pelos planejadores e pelo espírito, quando está
afastado do corpo*.
Portanto, é, no mínimo leviano qualquer um afirmar que a missão dos
outros era passar por isso ou por aquilo, a menos que isso lhe tenha
sido revelado, o que só acontece sob ocasiões muito, muito especiais.
Alguns exemplos: uma mãe perdeu seu filhinho e ficou desoladíssima.
Então, alguém confiável veio dizer que aquela criança precisava de
uma encarnação rápida para ajustar o perispírito, e que, agora, com tudo
resolvido, se os pais se permitissem uma nova gravidez, ela ficaria,
agora, em definitivo.
Grandes missionários de várias áreas vieram com a consciência do que
deveriam fazer aqui, e, até onde sabemos, desempenharam seu dever de
forma magistral. Ainda assim, repito, essa é uma informação que,
rigorosamente, não está a disposição de todos, nem mesmo dos
interessados.
2 – Supondo, porém, que, por algum método perfeitamente crível e
insofismável, tenhamos a informação de que João Hélio veio com a missão
de ter uma morte brutal, protagonizada por alguns bandidos ocasionais.
Se a missão dele foi especificamente esta, obrigatoriamente teremos:
A) Que os bandidos não deverão ser culpados pelos seus crimes, já que
cumpriam a vontade de Deus;
B) Entretanto, Deus mandou os seus “empregados” fazerem o trabalho sujo
para ele, justtamente em um mundo histérico como o nosso, que não entende
os divinos recursos; logo, essas pessoas serão julgadas e condenadas
pelos seus crimes, só porque fizeram a vontade de Deus.
C) Então…. Fazer a vontade de Deus dá cadeia? Se eu me descontrolar e
te matar, posso dizer tranqüilamente que fazia a vontade do Pai? Só que,
nesse caso, meu assassinado será um redimido, e eu serei um condenado?
Puxa… Esse Deus não ajuda nem quem faz a vontade dele!
Francamente, se o Espiritismo pregasse isso, eu seria a primeira a
ser totalmente contra sua divulgação, pois ele daria a desculpa mais
blásfema para a impunidade: cumprir a vontade de Deus.
O pior: se eu vim com a missão de ser assassinada cruelmente, dí
dá-se que alguém veio com a missão de me matar cruelmente? Ou pior:
chegou a minha hora e Deus afrouxou um parafuso na cabeça de quem não
tinha nada a ver com a hora do Brasil, só para “cumprir sua vontade” às
custas da liberdade e da dignidade de outro de seus filhos? Complicado,
complicado…

3 – A dor só vem se o amor não vier primeiro. Premissa básica do
Espiritismo. Só vem quando recusamos todas as formas de reajustes
possível, e não porque a dor, por si mesma, resgate qualquer coisa.
Digamos que, ao errar contra as leis de Deus, eu demonstre que preciso
entender algumas coisas… Eu posso entender essas coisas através da
educação, da religião, dos exemplos dos amigos, das pessoas que me amam,
das dificuldades dos meus próximos… Se nada disso funcionar e eu
realmente precisar entender essas coisas, sob pena de me prejudicar
ainda mais, então eu atrairei para mim o sofrimento, para ver se eu
entendo isso e continuo a crescer. Simples assim.
Mas veja que, por esse raciocínio, eu não preciso ferrar ninguém. Eu
não preciso ter uma morte brutal. Posso, por exemplo, ter uma doença (e
os cientistas já estão descobrindo que muitas doenças são conseqüências
de somatizações do espírito); posso sofrer com a convivência com pessoas
difíceis e também posso morrer com acidentes horrorosos, sem que nenhum
terceiro seja envolvido, e aqui todo mundo tem uma pá de acidentes
horríveis para contar, que tiveram até arremeço dos corpos e
arrastamentos.
Conclusão lógica: supondo-se que a missão do João Hélio fosse ter
uma “morte horrível sendo arrastado por quilômetros”, Deus não
precisaria ferrar a vida de outros, inclusive de menores, para conseguir
isso.

Seria interessante que as pessoas procurassem se informar mais,
antes de fazerem afirmações categóricas em nome de idéias às quais, em
essência, desconhecem. Com todo o respeito, isso é leviano.

Beijão,

Jo, que também leu a resposta do Fernando


E aí… Que acharam? Leiam! Comentem!!!

Abração!

Fernando

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